A cidade mais próxima das Dunas de Augria, Mirula, era uma verdadeira cidade solitária.
Ela possuía uma estrutura adequada, mas era consideravelmente menor que lugares como Pristella, a Cidade das Comportas; Costuul, a Cidade Industrial e o Reino de Lugnica.
O reino tinha manutenções em todos os lugares para as estradas principais dispostas no seu interior. A carruagem de dragão teve uma viagem sem problemas à caminho de Mirula, mas aquela última parada da ponta leste tinha sido tão sem graça como nunca antes visto.
Emilia: “Mas talvez não desse para evitar. Olhando no mapa, daqui em diante tem apenas as Dunas de Augria ao leste… E ali ao sul está a maior floresta do reino, né? Estamos longe das cinco cidades e também sabemos que não tem muitas pessoas andando por aqui.”
Diz Emilia, enquanto olha pela cidade, caminhando ao lado de Subaru.
Ela usava um manto branco que cobria sua cabeça. Sua aparência e lindo cabelo prateado estavam ligeiramente escondidos. Uma garota bela como Emilia, aparecendo em uma área rural, chamaria a atenção dos moradores. Isso era Subaru brincando, mas ela também tinha uma posição de alta classe. É por isso que ela demonstrava uma leve consideração não apenas por sua aparência, mas também para evitar problemas que envolvessem sua linhagem.
Dito isso, esses não eram os únicos motivos do porquê de ela ter sua cabeça e boca cobertas.
A outra razão para se esconder era devido ao efeito especial “desastroso” do vento arenoso.
Subaru: “Não pode expandir para leste ou sul, e ainda por cima essa brisa arenosa é garantida. Complicado.”
Emilia se mantinha a favor do vento, Subaru puxava o tecido que vestia em sua face, que se mantinha do lado contrário para servir como uma leve barreira contra o vento, enquanto murmurava aquelas palavras escondendo seu rosto. Quando ele movia sua língua, sentia a areia esfregando em seus dentes e isso o fazia se sentir bem mal.
Esse vento arenoso vinha para dentro da cidade como se estivesse sendo soprado das dunas de areia ao leste.
Parecia como se o vento fosse soprar contra a cidade continuamente em dias de ventania. Era crucial ter roupas que protegessem contra a areia ao andar pela cidade.
Emilia: “Subaru, o que foi?”
Subaru: “Nada não. Eu só estava pensando em como as coisas saíram diferente do que eu havia imaginado quando ouvi que era um deserto.”
Emilia inclinou sua cabeça para Subaru enquanto ele olhava para ela com uma olhadela.
Seu corpo estava escondido ao máximo, já que ela estava usando uma capa que cobria dos seus pés até a sua cabeça. A ideia de Subaru era de que, basicamente, garotas bonitas deveriam agradar aos olhares das pessoas ao seu redor com trajes variados. No entanto, elas não podiam fazer isso usando roupas de defesa tão alta.
Falando em deserto, ele pensava em roupas para dançarinas que protegiam contra a luz do sol… como eram chamadas mesmo?
Subaru: “De qualquer forma, talvez nós devêssemos ter escutado o conselho do dono da pousada.”
Emilia: “É o ‘Tempo de Areia’ agora, não é? Não tem ninguém na estrada, afinal.”
O vento não estava muito forte, mas a areia estava se transformando em poeira, talvez por conta da sua leveza. Neste campo de visão amarelo e brumoso, ninguém além de Subaru e Emilia podiam ser vistos na estrada da cidade.
Os habitantes da cidade, acostumados a este evento, trancavam-se durante o “Tempo de Areia” quando o vento arenoso soprava, suas construções até ficavam com as janelas e portas fechadas.
Era verdade de que o tipo de vista que teriam dentro do vento arenoso era certo, além de ser bastante difícil de respirar. Era tão ruim que o dono da estalagem os parou e disse para não saírem durante o “Tempo de Areia”.
No entanto, havia um motivo para terem desconsiderado esse aviso.
Subaru: “É assim que funciona na cidade. O vento nas dunas de areia não é assim, né?”
Emilia: “… Não, acho que não.”
Não era uma corrida “na seca”, mas eles saíram no “Tempo de Areia” de propósito, para que pudessem se preparar mentalmente.
As circunstâncias do caminho até as dunas de areia, que tinha vento arenoso soprando e areia por todo o lugar, não eram tão ruins fora do “Tempo de Areia”. Eles estavam distantes das dunas de areia e também não podiam ver bem na cidade com construções compactas.
Eles tinham que se preparar o mais rápido possível para a severidade do caminho para as dunas de areia.
Emilia: “De qualquer forma, que tal entrarmos em alguma loja? Já que é bem possível que a gente vire blocos de areia se continuarmos assim.”
O que Emilia apontou enquanto se limpava da poeira de areia era uma construção do outro lado da estrada. O local que parecia ser um bar ou algo do tipo, parecia ser um abrigo temporário de refugiados.
As outras lojas não pareceram convidativas, mas ao menos a entrada estava aberta.
Eles se apressaram para a construção, conforme Emilia havia sugerido.
Removeram o máximo de sujeira que podiam na porta, feito isso, lentamente entraram no bar.
Dono: “… Sejam bem-vindos ao vento arenoso.”
Quando entraram no bar, o dono, que polia um copo do outro lado da mesa, olhou para eles e os cumprimentou com uma voz baixa. Pela voz baixa, ele não parecia ser muito receptivo, provavelmente porque em apenas um olhar percebeu que Subaru e Emilia estavam cobertos de areia.
Eles de fato removeram o quanto puderam, mas ainda havia bastante areia grudada neles. Eles bateram a areia e adentraram à loja, apesar de terem se sentido mal fazendo isso.
Dono: “O que vocês gostariam de pedir?”
Subaru: “Leite frio.”
Emilia: “Leite quente.”
“――――”
Em resposta às duas pessoas que se sentaram na mesa e fizeram seus pedidos, o dono apertou seus olhos e não falou nada.
Subaru: “Não parecem estar vendendo muito… o negócio vai mal no Tempo de Areia?”
Subaru remove seu capuz com o qual se cobria e faz essa pergunta ao dono, enquanto degusta o leite que foi trazido. O dono insociável responde com um “Aahhh” e diz:
Dono: “Até na melhor das horas o movimento de pessoas é baixo para essa cidade. Gerenciar uma loja durante o nascer do sol é tipo um hobby.”
Subaru: “Sei. Então como forasteiros e clientes devemos ser fregueses, hein.”
Dono: “Não estou tão certo disso, até mesmo se você beber leite num bar e se parecerem fregueses. Aqui está o seu, senhorita.”
Emilia: “Uau, obrigada.”
O dono estende o leite quente para Emilia. Ela segura no copo de cerâmica e respira. A garota soprando o leite vê Subaru se curvando para frente na mesa.
Subaru: “Já que não tem outros clientes, então você está desocupado agora, né? Se importa de me ouvir um pouco?”
Dono: “Mesmo que eu tivesse, é proibido conversar com alguém no meio do serviço dizendo que está com tempo livre… O que forasteiros como vocês gostariam de saber?”
Subaru: “Sendo sincero, eu gostaria de saber sobre as Dunas de Augria.”
Subaru levanta seu dedo e o confronta com os detalhes de sua pergunta. Assim que o fez, o dono alterou sua expressão pela primeira vez.
O calmo dono de cabelo acinzentado, apertou seus olhos dubiamente sob suas sobrancelhas negras. Após isso, ele comparou Subaru e Emilia e deixou escapar um suspiro.
Dono: “Eu não sei que tipo de piada é essa, mas não se atrevam a irem para lá se vocês forem tratar como se isso fosse um piquenique. Vocês só vão acabar morrendo.”
Subaru: “Ei, ei, o que que você tá falando? A gente tá com cara de que estamos brincando pra você?”
Dono: “Com o que mais o meu alerta agorinha pareceu para você? Aquele lugar é um mar de morte, onde todos que vão nunca retornam e morrem. Não é um lugar para se ter um encontro com uma mulher.”
Subaru: “Eu certamente acho que o efeito de ponte suspensa [1] é uma tática válida, mas eu não tô tão encurralado. Emilia-tan, fala com ele também.”
Emilia: “‘Sopra, sopra’, tá quente… hein? O que foi? Desculpa, eu não estava ouvindo.”
Subaru: “Observe: os caminhos da E.M.T.”
Dono: “Eu vou dar um conselho útil para vocês. Vão para casa antes que morram.”
O dono olha para as interações de Subaru e Emilia e a esperança que tinha neles só piorava e piorava.
Dito isso, não era como se o dono estivesse falando isso por maldade. Ele de fato sabia sobre os perigos das Dunas de Augria devido a sua reputação. Porém…
Subaru: “Não podemos sair. Nós temos apenas um caminho para seguir em frente. Além disso, a única coisa que podemos fazer é escolher o caminho mais seguro possível. Você entende, não é?”
Dono: “São vocês que não entendem. Escuta aqui. Aquelas dunas de areia são impossíveis. O miasma da Bruxa vagueia pela toca dos majuus, não dá para chegar perto da Torre de Vigia.”
O dono começou a falar sobre as ameaças das dunas de areia enquanto se irritava com o comportamento insistente de Subaru. Ele aponta para janela, que estava fechada para prevenir a entrada de areia, enrolando seus lábios enquanto apontava em direção ao lado leste da cidade.
Dono: “Todo ano tem pessoas que nem vocês, que tentam ir sem o menor cuidado para as dunas de areia. Eles vão atrás da torre do Sábio no mar de areia… mas ninguém chegou lá. Nada seria melhor do que retornarem com vida, mas a maioria ou fica só o pó no mar de areia, ou se tornam comida de majuu.”
Subaru: “É verdade que ninguém nunca chegou lá antes?”
Dono: “Creio que a torre no mar de areia foi construída centenas de anos atrás. O número de idiotas que tentaram chegar lá não diminuiu. Se alguém realmente chegou lá, não tem como ele não ter se mostrado. Você não sabe? Aquele cara acabou fracassando mesmo sendo um ‘Santo da Espada’.”
“――――”
Conquistar a Torre de Vigia Plêiades era um desafio impossível até mesmo para Reinhard.
Foi-lhe dito pelo próprio Reinhard, ele também falou da dificuldade anormal de conquistar a Torre de Vigia.
Mas mesmo assim, as pessoas que tinham que superar isso eram o grupo atual de Subaru.
Subaru: “É claro, nós não vamos fazer nada estúpido como entrar lá sem nenhum plano. É por isso que estamos juntando informações. Fazer isso em um bar é o básico, não acha?”
Dono: “Sério? Por que fazer isso em um lugar que você bebe saquê?”
Subaru: “Se você quer que eu te explique em detalhes, provavelmente não vou conseguir, mas não seria porque todos ficam falantes depois que bebem álcool e aí acabam soltando todo tipo de rumor?”
Dono: “Então é basicamente fofoca. É inaceitável ir lá sem qualquer plano, mas depender de um plano inútil também é ruim.”
Subaru: “Guehh! Sua lógica é certeira!”
Subaru é vencido pela razão e instantaneamente se desaponta enquanto bebe seu leite.
Geralmente sempre que Subaru conversa com adultos, ele não consegue acompanhar o rumo da conversa. O dono também estava acostumado a falar com pessoas que desafiavam as dunas de areia descuidadamente. Na realidade, não era como se Subaru desafiasse as dunas de areia descuidadamente, mas o dono encarava ele da mesma forma que encarava os outros, por não conhecer a sua realidade.
Nesse ritmo eles acabariam voltando sem ganhar uma única pista, e…
Dono: “De qualquer maneira, para você levar uma garota para um inferno como aquele é…”
Emilia: “Perdão, Sr. Dono. Você tem se preocupado conosco e ainda assim o Subaru só fica reclamando.”
Justo quando Subaru estava prestes a se entregar, Emilia interrompeu o Dono que começava a dar seu sermão. Os olhos do dono se arregalaram com as palavras de Emilia, que começaram com um pedido de desculpa.
Emilia rapidamente curvou sua cabeça ao ver a reação do Dono.
Emilia: “Obrigada por toda a ajuda que você nos deu, mesmo que nós não sejamos conhecidos.”
Dono: “Me desculpe também por pegar no pé de vocês. Porém, eu mantenho meus argumentos. Eu dou de cara com jovens como vocês constantemente.”
Emilia: “Realmente houveram muitas pessoas que tentaram ver o ‘Sábio’?”
Dono: “Bem, não tem muitas pessoas que têm um espírito forte para se encontrar com o ‘Sábio’. A maioria das pessoas que tentaram conquistar as Dunas de Augria querem ser honradas. Claro, tem pessoas que dizem que vão obter a sabedoria do Sábio caso as coisas ocorram bem, mas dizer que elas vão conseguir uma recompensa ao chegar na torre também é um engano.”
O dono deixou cair os ombros e suspirou, com um olhar que poderia ser dito como esgotado.
Justo como havia dito, ele provavelmente tinha visto muitos desafiarem a Torre Plêiades. Talvez ele aparentasse ser gentil até mesmo com o rosto do jeito que era. Parecia que ele podia sentir vergonha.
Emilia: “Quer dizer que as pessoas não viram o ‘Sábio’…?”
Dono: “Nunca soube de alguém que tenha chegado tão longe. De acordo com os rumores, o Sábio ainda está observando do topo de sua torre e ele pune pessoas insolentes… mas não é como se eu tivesse testemunhado. Não posso deixar de pensar nas dunas de areia como uma armadilha para caçar presas e deixar iscas.”
Emilia: “Você mencionou o miasma da Bruxa. O que é isso?”
Dono: “É a mesma coisa que eu falei. Uma toca majuus está à frente… No reino, existem vários tipos de raças de majuus em diversos locais. Mas, naquelas dunas de areia, têm todos os tipos de espécies.”
O dono, mesmo falando em voz baixa, era tagarela.
Quando a Emilia engoliu em seco, o dono olhou ao longe.
Dono: “O Cão Rei Pintado e o Rato de Asas Negras têm um lado fofo. Os Unicórnios e as Minhocas Terrestres da Areia são bestas encontradas apenas aqui. Também, se houver um jardim em solo arenoso, esse é o local de caça do Urso Floral.”
Emilia: “Urso Floral…”
Dono: “Aparentemente só podem ser encontrados em Kararagi. Eles são majuus que têm flores desabrochando por todo o corpo. Assim que você se deixar enganar por sua aparência e se aproxima dele, ele engole suas vísceras.”
Subaru: “Majuus realmente são… nojentos…”
Quem contou para ele sobre majuus cujo propósito era matar humanos?
O dono deu uma fungada para ele como se dissesse “Eu avisei”, enquanto Subaru franzia o rosto e escutava atentamente.
Dono: “Mas o perigo com o que você tem tomar mais cuidado, até mesmo mais do que os majuus, é o miasma. Sim, tem perigos como o vento arenoso e mudanças climáticas, mas sua maior preocupação deve ser o miasma.”
Subaru: “O miasma não é algo que você reconhece intuitivamente, né.”
Subaru questionava o dono que havia se calado novamente.
Subaru ouviu a palavra miasma várias vezes antes e podia até imaginar o que era baseando-se na impressão que a palavra dava. Basicamente tinha efeitos ruins no corpo e na mente, além de parecer evidente de ser ar ruim para o corpo.
Para ele parecia ser diferente um gás nocivo, mas talvez fosse algo próximo a isso.
Emilia: “Hmmm, Subaru. Se descrito, um miasma poderia ser chamado de mana poluída por coisas ruins. Não dá para ver com os olhos, mas é algo que está em todo lugar, não sabia?”
Subaru: “Ah… então mana é miasma?”
A fala de Emilia surpreende Subaru. A explicação era fácil de entender, mas as implicações eram um pouco diferentes do que Subaru havia imaginado.
Mana verdadeiramente possuía uma grande influência para utilizadores de magia e espíritos. No entanto, se apenas vivessem suas vidas e simplesmente usassem dragões terrestres para se locomoverem, então mana não era lá essas coisas.
Mas, Emilia lentamente balançou a cabeça como se tivesse previsto o espirito desapontado de Subaru.
Emilia: “Você não pode subestimar o miasma. Mana normal é algo puro, que não tem cor nem direção. Mas miasma… só de tomar a mana poluída por coisas ruins através portal, corrompe as criaturas no seu interior. Levando em conta que um portal é um órgão que naturalmente consome mana, isso é algo que não pode ser evitado.”
Subaru: “Não dá para fazer sua respiração parar permanentemente, afinal.”
Dono: “A interpretação da senhora está correta, mas o miasma que vagueia pelas dunas de areia é ainda pior… O miasma de lá não apodrece apenas as criaturas, mas a comida e a bebida também.”
Subaru: “Você quer dizer que a comida fica incomestível?”
Dono: “Quero dizer que quando você come, a poluição do miasma avança. Você vai enlouquecer só de ter um pouco dele passando pelo seu portal. Tente tomar diretamente pelo estômago. A poluição vai engolir você por inteiro.”
Subaru: “E o que acontece então? Vai continuar depois da pessoa enlouquecer?”
Dono: “Dizem que você morre na loucura. Para falar a verdade… bem, eu não posso negar.”
O dono balança a cabeça com um olhar pálido em seu rosto.
Ele provavelmente havia visto antes, apesar de não falar disso diretamente. Ele tinha visto os momentos finais de pessoas sendo violadas pelo miasma enquanto enlouqueciam até morrerem.
Dono: “Seria melhor se vocês não passassem por lá.”
Emilia: “Obrigada pelo leite. E pela conversa também.”
Emilia bebe todo seu leite quente e expressa sua gratidão com o dono que começava a concluir a conversa.
O dono provavelmente sabia como eles estavam gentilmente tentando obter informações da conversa, lá pelo meio dela. Ele também continuou a falar até agora e tentava mudar os planos de Subaru e Emilia.
Ele simplesmente sentia-se triste por eles. Mas ainda assim, Subaru e os outros ainda iriam para o mesmo lugar.
Emilia: “Eu paguei. Vamos indo, Subaru.”
Subaru: “Está bem… vamos, então.”
Emilia colocou na mesa uma moeda de prata e puxou as mangas de Subaru. Ela deu até de mais por dois copos de leite, mas isso também incluía uma gorjeta pela informação e seus cuidados.
Eles se levantaram, falaram seus agradecimentos para o dono e começaram a sair do bar.
Dono: “… Tem sido assim aqui por cerca de um ano, mas pessoas agora notam que há pássaros que voam em direção às dunas de areia.”
“――――”
Eles se cobriram novamente com as roupas, se preparando para o vento arenoso, quando uma voz os chamou de trás. Quando eles se viraram, o dono virou as costas para eles e continuou a falar como se estivesse fazendo um monólogo enquanto limpava um copo.
Dono: “As pessoas que viram eles, dizem que voaram em direção à torre e se espalhou como uma piada. Não tenho nenhuma prova disso, mas…”
Foi nessa hora que o dono parou a frase e guardou o copo.
E aí ele falou:
Dono: “Se em algum momento vocês ficarem em dúvida, tentem procurar por um pássaro. Se tiverem sorte, pode ser que ele leve vocês para a torre.”
“――――”
Dono: “Apesar que, vocês obviamente já vão estar com o maior azar se estiverem em dúvidas nas dunas de areia.”
Subaru e Emilia saíram da loja sem falar mais nada.
Quando eles foram lá fora, notaram que o vento estava consideravelmente mais fraco. Emilia confirmou que conseguia ver melhor em comparação à quando entraram no bar, olhando de volta para Subaru.
Emilia: “Por hora, vamos voltar para a pousada e nos encontrar com todos, já que Anastasia e os outros talvez já estejam de volta agora.”
Subaru: “É, acho que é uma boa. Também tô interessado nos resultados que eles tiveram.”
Se fica de pé em frente a Emilia, que cobria seu rosto novamente, começando a caminhar enquanto servia como proteção para o vento.
E então, assim que chegaram a um ponto em que não podiam mais ver o bar, Emilia murmurou silenciosamente.
Emilia: “O homem da loja estava com uma perna a menos.”
Subaru: “… Eu não percebi.”
Emilia: “Eu não sei onde ele se machucou… mas me pergunto se foi por causa ‘daquilo’.”
Subaru também sabia o que Emilia queria dizer a partir de suas palavras pensativas.
O dono era legal e expressava seu forte sentimento sobre os perigos das dunas de areia para dois viajantes estranhos.
Se era um aviso baseado em suas experiências, então as pessoas que o desconsideravam e seguiam em direção as dunas de areia eram cruéis. Este era o sentimento.
Anastasia: “Parece que o Natsuki-kun e a Emilia-san retornaram em segurança.”
Eles voltaram para a pousada. A pessoa que recebeu Subaru e Emilia era alguém que deveria estar lá fora assim como eles estiveram. Era Anastasia.
Anastasia trocou suas roupas, ela tinha um sorriso elegante e belo enquanto se sentava na cama.
A pousada em que o grupo estava era uma pousada de primeira classe de Mirula.
Ainda era injusto compará-lo à pousada Pavilhão Pluma d’Água, de Pristella, mas não havia outra maneira de compreender, além de dizer que era por causa das diferenças qualitativas que as cidades tinham.
Subaru: “Onde está o Julius?”
Anastasia: “Depois que ele me mandou para a pousada, ele disse que iria dar uma volta pela cidade um pouco. Acho que ele não está acostumado a ter areia nos olhos. Igual a vocês. Como foi?”
Subaru: “Eu realmente queria ter óculos para proteger contra a poeira. São como vidros transparentes e eles cobrem o rosto por aqui como proteção. Não dá para a gente fazer eles?”
Subaru se lembra de óculos aquáticos e pergunta sobre eles enquanto aponta para os olhos. Anastasia inclina a cabeça ao escutar essas palavras e diz “Entendo” enquanto concorda.
Anastasia: “Temos que nos preocupar com coisas como materiais de vidro e sua durabilidade, mas é algo que vale a pena considerar… talvez. O Tempo de Areia não é um problema sem relação com Kararagi, então pode ser uma ideia útil.”
Subaru: “Eu não estou tentando falar sobre patentes no futuro distante. Se não tivermos essas coisas… bem, contanto que a gente não evite o “Tempo de Areia”, eu não acho que vá ter algum problema.”
Emilia: “Parece que as maiores preocupações são os majuus e o miasma além da areia. Beatrice e eu podemos lidar com o miasma com espíritos menores… mas vamos depender da Meili para os majuus.”
Emilia disse isso e olhou em direção ao quarto ao lado, do outro lado da parede.
No momento, Beatrice deve estar monitorando Meili naquele quarto. Ele quis ser sentimental e quis acreditar que Meili não os trairia, mas uma ofensa antiga é uma ofensa antiga. Não era como se ele pudesse confiar nela facilmente. Eles não podiam dizer com completa confiança que sua conexão com sua mãe havia sido cortada, além de que, sua mãe proibi-la de falar também não era uma impossibilidade.
Subaru: “Então vamos depender da Anastasia para nos guiar. Isso é arriscado.”
Emilia: “Embora seria aceitável chamar isso de usual.”
Subaru: “Você não está errada.”
Subaru sorriu para a rara interrupção de Emilia e olhou então para Anastasia. Ela estava sentada ereta na cama e continuou a conversa dizendo “Mas então”,
Anastasia: “Se acalmem até nós completarmos o que viemos fazer aqui. Os ajustes nas rodas da carruagem de dragão e como nós vamos fazer com a entrada para as dunas de areias vão ser obrigações minhas, afinal.”
Emilia: “Certo… perdão. Estamos meio que deixando você cuidar de tudo.”
Anastasia: “Está tudo bem, tudo bem, já que em troca, eu vou contar com a Emilia-san se tratando de poder de luta.”
Anastasia calmamente balançou sua mão.
Os objetivos de que ela falava: um deles era adaptar a carruagem de dragão para entrar nas dunas de areia. Geralmente, se assume que uma carruagem de dragão vai viajar apenas ao longo de uma estrada principal, ou ao menos de uma estrada. Porém, a estrada dessa vez era em sua maioria uma estrada de areia, então uma carruagem convencional de dragão não poderia se mover bem nela.
Eles tinham a opção de largar a carruagem e montar nos dragões, mas tinham muitas mulheres e crianças. Considerando também havia Rem inconsciente, a opção não era realista.
Dessa forma, era necessário ajustar a carruagem para as áreas de deserto, além de ser necessária algumas alterações para os dragões terrestres.
Subaru: “Não dá para deixar Patrasche para trás. Deixá-la seria ridículo.”
Emilia: “Aquela garota é reeeeealmente esperta. Se você falar em deixá-la para trás, ela talvez morda te Subaru…”
Na verdade isso bem que podia acontecer, então ele não podia dar uma resposta. E mais, ele não queria deixá-la.
Emilia: “Então que tal viajar sem a carruagem de dragão…”
Anastasia: “Isso não é tão sério quanto uma negociação. Eu apenas falei que vocês deviam se acalmar e vocês realmente escutaram, afinal.”
Ela sorriu carinhosamente, mas Subaru sentiu que era diferente do normal, então ele começou a sentir calafrios.
Tinha a carruagem e outra questão para resolver. De forma resumida, era o ritual de passagem para lidar com as dunas de areia.
Em outras palavras, se as candidatas da seleção real Emilia e Anastasia se tornassem indetectáveis nas Dunas de Augria, quem se responsabilizaria? Era assim que era.
No momento, você podia dizer que essas duas tinham as posições mais importantes do reino. Se aquelas duas inesperadamente se metessem em algo sério, como serem enterradas nas Dunas de Augria, naturalmente que não seria claro o responsável e é de se esperar que sejam feitos esforços tenazes.
As Dunas de Augria, sem contar com alguém que cuidasse das próprias dunas, um lorde feudal aparecendo no fim e governando os arredores de Mirula não teria uma carga de responsabilidade suportável.
Por isso, Anastasia foi até os lordes feudais inferiores antes de tudo para escrever e convencê-los com um argumento: “Não importa o que aconteça, essa é a responsabilidade do próprio candidato.”
Anastasia: “Ainda assim, eles podem ser culpados por não me impedirem… minha vida não é apenas minha. É uma grande responsabilidade, você não acha?”
Emilia: “Isso tem sido verdade desde o começo. Não é por causa de algo como a seleção ou os candidatos. Se encontrarmos o ‘Sábio’ e não acharmos maneiras de recuperar várias coisas, vai haver muitas pessoas que não poderão ser salvas. Não é algo para se dizer de repente.”
Anastasia: “Você com certeza está sendo o mais confiável possível.”
Anastasia olhou de volta para Emilia, que fez aquela declaração, no que parecia ser de um jeito alegre em alguns aspectos. Após isso, ela inclinou sua cabeça e olhou para Subaru enquanto dizia “Então?”,
Anastasia: “Conseguiram alguma coisa no passeio de vocês? Não é possível que vocês saíram simplesmente para se acostumar a ter areia nos olhos, correto?”
Subaru: “Bem, não é como se a gente tivesse saído para ir num encontro no meio do Tempo de Areia. O plano era a gente ouvir os conhecimentos de alguém que já estava familiarizado.”
Emilia: “A pessoa da loja ter informações foi uma coincidência, no entanto.”
Subaru: “Minha perspicácia está certeira por ter escolhido aquele bar.”
Emilia: “Eu tenho a sensação de quem fui eu que escolheu aquela loja…”
De qualquer modo, qualquer que tenha sido a sequência dos eventos e de quem foi o mérito, é informação irrelevante.
Anastasia também deu um olhar pensativo quando eles falavam do bar anterior.
Anastasia: “Procurar por um pássaro… hmm.”
Subaru: “Sério que foi isso que deixou você curiosa?”
Anastasia: “Bem, as outras partes são só coisas para enfrentar as Dunas de Augria e metade das etapas é senso comum. De qualquer jeito, a parte interessante é essa diferença. Pássaros e coisas do tipo parecem mais sensíveis ao vento misturado com miasma.”
Emilia: “Agora que você disse, é verdade…”
Como resposta às palavras de Anastasia, Emilia entrou em reflexão profunda enquanto sentia seu cabelo. Quando Subaru olhou para Emilia, ponderando com um olhar, ele olhou gentilmente trazendo sua face para perto de Anastasia.
Subaru: “――Não tem como você ter algo em mente, né?”
Anastasia: “Nada de especial em mente. Porém, isso foi algo bem interessante pra mim.”
“――――”
Anastasia: “Não faça uma cara de dúvida como essa. Olha, você vai deixar ela desconfiada.”
Ele podia ver os sentimentos verdadeiros de Echidna ligeiramente em seu rosto, mas falar nada iria fazê-la se retirar. Por sorte, Emilia não viu a interação de agora já que estava pensando profundamente. Mas, no coração de Subaru, por alguma razão ele se sentia como um adultero escondendo freneticamente sua traição.
Subaru: “Quando a gente deve sair?”
Anastasia: “Devemos sair cedo, né? A conversa preocupante sobre a carruagem de dragão ainda não foi decidida… talvez devêssemos sair depois da gente arrumar a bagagem que vamos levar.”
Subaru: “Amanhã seria muito rápido, que tal lá pelo próximo dia?”
Anastasia: “Acho que dá para ser assim.”
Quando Anastasia falou isso e chegou a um acerto, Emilia também acenou concordando.
Depois disso, ela olhou em direção à janela da salada que estava fechada para que a areia não entrasse e apertou os olhos.
O que Emilia olhava com seus olhos azuis-púrpuros era a vista do leste do outro lado da janela.
Ela viu uma sombra bem longa que se mantinha visivelmente em pé com uma altura extensa, aparentando ser maior do que as lojas e casas.
Emilia: “Torre de Vigia Plêiades.”
Ela ficou de pé sozinha e chamou aquela estrutura com o tom de um sino de prata.
――Era possível deixar de notar algo tão grande?
Subaru tinha aquela pergunta em mente, desde que ele começou a ver a torre de vigia Plêiades ao longo do caminho, antes de chegar em Mirula.
O que alguém faria e quais erros eles cometeriam para não serem capazes de encontrar um marco como aquele?
Mas, por outro lado, o aviso do dono também o perfurava quando ele pensava nisso.
Subaru: “Não ter um plano está fora de cogitação, e ter um plano vazio é bem ruim, né…”
Qualquer que seja o caso, eles não tinham a opção de fugir do desafio.
Isso é exatamente o porquê deles usarem meios que o permitiriam ter uma chance, significa que isso apenas aumentaria suas chances.
Eles devem ser diferentes de aventureiros que o Dono falou que eram despreparados por terem planos fracos. Era nisso que ele acreditava.
――Não importasse o que acontecesse, fugir de um desafio não era uma opção.
Ele não percebeu a esta altura, que ele já estava se privando do primeiro caminho.
Nota:
[1] O efeito da ponte suspensa ou ponte do amor mais popularmente conhecido é um experimento psicológico onde descreve a interpretação incorreta dos causadores das emoções que você sente. Por exemplo, uma pessoa confunde o batimento acelerado causado pelo espanto/medo com o batimento acelerado causado pelo amor.
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