Re:Zero – Começando a Vida em Ou... Cap. 31 — A Situação do Reino e as Circunstâncias Daquela Garota

“Você é reaaaalmente um mistério. Veio parar na residência de Roswaal L. Mathers, no Reino de Lugnica, e mesmo assim não sabe das circunstâncias? E de alguma forma passou pelo prooocesso de avaliação do reino pra entrar no país?”

“Aaaah, beeem, acho que dá pra dizer que sou tipo… um imigrante ilegal, né?”

Quando percebeu, já estava dentro desse país, mas… tinha algo de errado com isso? Era mais ou menos assim que ele se sentia.

A resposta casual de Subaru deixou Emilia surpresa, que então passou a encará-lo com um olhar de indignação justa, como se estivesse repreendendo uma criança.

“Inacreditável. Já parou pra pensar no que aconteceria se a gente contasse isso pras autoridades? Você poderia ser jogado numa prisão sem aviso e acabar virando carne moída lá dentro!”

“Hoje em dia ninguém mais usa carne moída assim.”

“Isso não é brincadeira! Ei, Subaru, você tá mesmo bem? Todo mundo de onde você veio é assim? Ou só você que se destaca?”

Vendo que Emilia estava genuinamente preocupada com ele, Subaru coçou a cabeça, sentindo-se um pouco culpado e refletindo sobre o próprio comportamento.

“Err… é só que eu tenho uma memória meio ruim, sabe? Então, se não for pedir muito, eu ficaria imensamente grato se você pudesse me explicar melhor essa situação.”

“Pelo jeito que você fala, dá até pra pensar que você vem de uma boa família… Mas…”

Se Subaru usasse esse tipo de linguagem formal de forma tão meia-boca em interações sociais, sua vida social já teria sido destruída há muito tempo. Além disso, Emilia parecia ser alguém fácil de enganar, isso só aumentava a preocupação dele com ela.

“Será que…? Será que você também não entende direito dessas coisas, Emilia-tan? Agora mesmo, suas frases estavam uma bagunça, misturando linguagem humilde com linguagem honorífica.”

“Err… Não posso negar isso…” respondeu Emilia, encolhendo-se um pouco com a observação de Subaru. Vê-la daquele jeito foi até surpreendente para ele, já que sempre achou que ela era alguém que sabia de tudo… Mas quem seguiu o assunto depois disso não foi a envergonhada Emilia, e sim o silencioso Roswaal, que estava sentado no lugar de honra.

“Eu enteeendo o que você acabou de apontar, no entaaaanto, Lady Emilia está atualmente estudando esse tipo de coisa.”

“Estudando, hein,” disse Subaru. “Espera aí… Isso tem a ver com o que a gente tava falando antes?”

“Ahaaaa. Que excelente. Bastante perspicaz da sua parte. E é justameeeente por essa sua perspicácia… que você consegue soltar umas frases tão impensadas assim.”

“É só o básico do bom senso pensar enquanto vive. Mesmo que os membros estejam pesados, o ranho escorra do nariz e que o conteúdo do estômago venha pra fora, a pessoa ainda tem a responsabilidade de pensar, né?”

“Que exemplo maaais perturbador. Quase como se você tivesse passado por tudo isso pessoalmeeente…”

Essas palavras, é claro, eram baseadas em coisas que ele realmente havia vivido.

Talvez as palavras de Subaru tivessem deixado uma forte impressão, pois Roswaal estendeu a mão, as empregadas rapidamente lhe entregaram o caderno e a caneta.

Após anotar com rapidez o que acabara de acontecer, Roswaal mais uma vez voltou sua atenção para Subaru. “Muuuuito booom. É ótimo ver você transbordando de ideias assim.”

“Quantas vezes por dia você escreve nesse caderno? Quantos volumes você já preencheu na vida?”

“Quanto a essa questãããão… é um sacramento da Casa Mathers. Que peeeena, mas essa eu não vou contar.”

Subaru desviou o olhar, exausto ao ver aquele homem refinado que, de repente, agia com uma certa arrogância.

Subaru estava cada vez mais confuso sobre o que fazer com alguém que tinha uma personalidade ainda mais forte que a dele. Mas, chegando no momento exato, Emilia pigarreou, tentando trazer a conversa de volta ao tópico original.

“Bom, voltando ao assunto… Subaru, você sabe o que está acontecendo atualmente neste país, o Reino de Lugnica?”

“Eu realmente não tenho a menor ideia do que está acontecendo aqui. Nem um pouco.”

“É até refrescante ouvir você dizendo isso com tanta certeza assim. Pelo jeito que você vinha agindo até agora, só conseguiu me deixar surpresa, Subaru. Coisas desse tipo estavam me deixando beeem preocupada com você.” Superando o choque, Emilia começou a olhar pra ele como se estivesse encarando uma criança.

Não era como se ele estivesse tentando executar um plano mirabolante pra despertar os instintos maternais dela nem nada disso, mas, no fim das contas, parecia que a distância entre os corações dos dois estava se tornando como a de uma Mãe e um Filho.

Tentando de algum jeito diminuir essa diferença de idade que parecia estar crescendo entre eles, Subaru a provocou com um “E daí?”

“Você é um bebê mesmo. Hm… atualmente está sendo aplicado um estado de lei marcial em Lugnica. E as restrições pra entrar e sair do país estão especialmente rígidas.”

“Lei marcial… Isso não soa nada bom.”

“Aaahaaa, de fato, não soa nada boooom.” Quem acabou respondendo por ela foi Roswaal. Analisando o que ele acabou de dizer, Subaru engoliu em seco, percebendo o peso daquelas palavras.

Ele lançou um olhar para as expressões de Emilia e das gêmeas, depois para Beatrice e Puck. Ninguém parecia abalado com aquilo, o que significava que esse fato já era conhecimento comum por ali. Além disso, ele ficou cauteloso com o fato de que ele, um completo forasteiro, estivesse sendo informado de algo assim, mas…

“Não precisa se preocupar! Essa verdade grave já é bem conhecida pelo público, sabe.”

“Ah, que bom. Já imaginei vocês falando algo tipo ‘Não vamos deixar você sair vivo daqui’ por eu ter descoberto um segredo que colocaria em risco a posição de vocês.”

“Isso seria meio triste, já que fomos nós mesmos que te contamos… Enfim, o país todo tá beeem instável no momento,” Emilia interrompeu.

“É aqui que entra essa história de lei marcial. Em uma situação onde não há um governante, não seria desejável levar fontes de conflito para outros países, nem o contrário.”

Entendi, pensou Subaru, assimilando o que acabou de ouvir.

Um reino sem rei seria um golpe fatal para o funcionamento do país. Não importava se fosse por uma doença ou por qualquer outro motivo, a morte repentina de um rei abalava o país até o seu núcleo.

“Mmmm, espera aí. Normalmente, nessas horas, não é só o filho do rei que assume o trono? Ou então colocam um regente no lugar, se for muito novo?”

“Oh-ho, parece que você consegue acompanhar a conversa. De qualquer forma, geralmente é assim que acontece. No entanto, algo aconteceu há meio ano. Dizem que, ao mesmo tempo em que Sua Majestade faleceu, uma doença se espalhou pelo castelo…”

De acordo com o que Roswaal contava, foi anunciado que a epidemia era uma doença que afetava apenas uma linhagem sanguínea específica. E assim, o rei e seus descendentes que viviam no castelo real morreram.

“Então é verdade que não tem mais rei, hein? E se for mesmo o caso… o que vai acontecer com o país agora? Se não tem mais linhagem real, o que vão fazer? Fundar uma democracia e eleger um primeiro-ministro?”

“Nããão entendi a segunda parte do que você disse, mas atualmente o país é administrado por um Conselho de Anciãos, que supervisiona os assuntos do reino. Ele foi formado por famílias de prestígio que deixaram sua marca na história do reino. Isso não tem um impacto tããão grande no funcionamento do governo em si.”

Depois de fazer uma breve pausa, Roswaal soltou um “No entanto…” e com uma expressão mais séria, disse:

“…Um reino precisa ter um rei.”

“É, claro.”

Mesmo que a pessoa no topo não administrasse nada e fosse apenas uma figura simbólica, nenhuma organização existia sem alguém a liderando. E ainda mais quando se tratava de um país.

Mesmo no Japão, onde se dava grande importância à democracia, havia um primeiro-ministro no topo da hierarquia. E isso se aplicava mesmo que o cargo viesse acompanhado de muitas responsabilidades e fosse frequentemente ocupado por uma nova pessoa.

“Então, já que o reino está sem um rei, um novo precisa ser escolhido. Mas a linhagem real foi praticamente destruída. Então é preciso escolher um novo rei de uma forma que todo mundo aceite.”

“Sério, você é um garoto bem estranho, Subaru. Mesmo sem saber de nada, consegue chegar a essas conclusões, não é? Parece mesmo um tolo esperto.”

“Não me elogie desse jeito! Eu não tô acostumado a receber elogios, então, se me elogiar assim, acho que posso acabar me apaixonando por você!” Disse Subaru, virando o rosto para longe de Emilia, tentando esconder o constrangimento.

Ele então deu um tapa em seu próprio rosto avermelhado, como se quisesse justificar o motivo de estar assim, voltou seu olhar para Roswaal. Depois de organizar seus pensamentos, levantou o dedo em sua direção.

“Entendi. Acho que já peguei o básico da situação. Em outras palavras, o país está sem rei e meio travado tentando escolher um novo. As relações com outros países estão perdendo importância e vocês estão praticamente em um estado de mini-isolamento. Então… um estrangeiro misterioso como eu aparecendo por aqui… é totalmente suspeito!!”

“E aaalém disso, ao entrar em contato com a Senhorita Emilia, você acabou se associando à Casa Mathers. Se fosse alguém de temperamento precipitado… só isso já seria o suficiente para…” Com os olhos fechados, Roswaal fez um gesto com a mão cortando o próprio pescoço, como se fosse uma guilhotina. Vendo aquilo de canto de olho, Subaru começou a suar frio, com um pressentimento ruim.

“H-ei! Acho que já deu pra entender o recado só pelas palavras desse pervertido agora há pouco! Olhando pra Casa Mathers, sinto que é uma linhagem bem respeitável. Talvez você tenha ligação com o Conselho de Anciãos… ou quem sabe até algo mais importante do que isso!?” Pela linha que a conversa estava seguindo, esse parecia ser o melhor palpite de Subaru.

Do jeito que Roswaal estava conduzindo a história, aproveitando cada grande revelação, moldando a conversa como se fosse o narrador principal… Dava pra ver que ele não era apenas um espectador de tudo aquilo.

Portanto, era natural imaginar que o senhor de uma mansão tão grande, com certeza vindo de uma linhagem nobre, estaria envolvido com essas coisas. Com esses pensamentos em mente… “Como pedido de desculpas pela minha i-impertinência, gostaria de pedir seu perdão oferecendo meu dedinho… pelo menos o meu dedinho pra você.”

“Pra alguém com uma imaginação tão assustadora, tenho boas notícias. Pode ficar em paaaz, tá? Eu não tenho nenhuma associação com o Conselho de Anciãos, nem estou em posição de me envolver com o trono do reino neste momento, enteeende? Não é, Senhorita Emilia?”

Com o dedo de Subaru estendido sobre a mesa, Roswaal riu como se tivesse ouvido uma piada maravilhosa. Em seguida, lançou um olhar para Emilia em busca de confirmação, e ela respondeu com um silêncio enquanto franzia a testa.

Subaru estava prestes a explodir com Roswaal por causa daquele comportamento sugestivo, mas de repente sentiu que havia algo estranho e parou com aqueles pensamentos.

Já fazia um tempo que ele estava muito curioso sobre uma certa coisa.

“Por que… o senhor dessa mansão tá chamando a Emilia-tan de ‘senhorita’?”

A pessoa de posição mais alta dentro de uma casa sempre era tratada com o máximo respeito.

Subaru virou o olhar para Roswaal para ter certeza, e sua ansiedade, que apenas começava a brotar, rapidamente floresceu em uma planta de puro pavor. E então…

“Não é naturaaaal tratar com respeeeito alguém que tem uma posição mais alta do que eu?” Disse Roswaal, com as mãos cruzadas sobre a mesa e um sorriso radiante.

Atônito, Subaru congelou com a boca aberta. Olhou para Emilia de forma tão robótica que quase dava pra ouvir o som de engrenagens girando. A garota então suspirou com resignação. “Eu não quero que você pense que eu estava tentando te enganar nem nada do tipo, tá?”

“…Err, quer dizer… Emilia-tan, você é…?”

Subaru ainda não tinha sido desencorajado de usar o apelido “-tan” que havia dado a ela.

Como se fosse o golpe final naquele que queria negar aquela realidade, ela continuou, “Atualmente, meu título é Candidata Real, uma das pessoas que disputam para se tornar a 42ª governante do Reino de Lugnica. E tenho o apoio do Marquês Roswaal nisso.”

As palavras dela deixaram Subaru tão alarmado que ele sentiu como se a barreira entre eles tivesse subido até a altura de um elevador espacial.

︾︾︾︾︾

A pessoa por quem me apaixonei acabou sendo uma rainha.

Essa frase passou pela sua mente. Bem, mais precisamente, ela era uma candidata a rainha.

“Uma expressão como ‘candidata a rainha’ soa tão… erótica.”

“Reaaaalmente não sei do que você está falando, mas eu tô falando sério aqui.”

“Uaaaah, esse olhar frio tá me fazendo arrepiar… Como era de se esperar de uma rainha. Não me olhe como se eu fosse um porco imundo!”

“Eu não estou te olhando de forma tão horrível assim, tá? Queria que você não dissesse esse tipo de coisa, Subaru!”

Subaru se jogou sobre a mesa, tremendo um pouco, contorcendo-se em agonia por conta da repreensão da beldade que estava tão próxima. Para esconder a expressão de seu rosto, deitou-se de bruços sobre a mesa, mas, na verdade, seu coração estava disparado, revelando seus verdadeiros sentimentos.

De qualquer forma, ele não queria que a Emilia visse a cara patética que ele estava fazendo agora.

Uma Candidata a Rainha… Para ser franco, fora o que ele conhecia de jogos e mangás, ele não fazia ideia de como funcionava um mundo despótico governado por reis.

Ainda assim, quando se tratava de alguém que podia se tornar governante de uma nação, ele sabia que essa era uma pessoa totalmente distante do povo comum.

Sem contar que Subaru nem sequer possuía um registro civil nesse mundo. Em resumo, ele estava numa posição inferior até mesmo à da população comum.

E saber do status de Emilia, além de sua beleza, só serviu para afundá-lo ainda mais.

Não havia dúvida: era como tentar escalar um elevador espacial com as próprias mãos.

“Ah, Jesus, diz que não é verdade! Meu caminho no amor é surpreendentemente cheio de obstáculos, se me permite dizer. Romeo, que ama Juliet, com certeza entenderia meu sofrimento!”

“Espera, você tá bem, Subaru? Ficou em silêncio de repente, então…”

Quando levantou o rosto cheio de lágrimas, Emilia apareceu em sua visão embaçada. Parecia estar olhando para ele com preocupação em seus olhos cor de ametista.

Sua pele era tão branca quanto a neve mais pura, o som que saía de seus finos lábios rosados era tão encantador quanto o tilintar de um sino de prata.

Ela parecia uma existência tão distante, alguém que ele jamais alcançaria, por mais que tentasse.

“…Lá vou eu.”

Incapaz de se conter, Subaru abraçou com força a garota que estava bem ao seu lado.

“…E?”

“Uooooow, tão pequenininha. E tão maciiiia também. Ah, esse cheirinho é incrível.”

Por um momento, Emilia não conseguiu processar o que havia acabado de acontecer: ela havia sido abraçada.

Subaru então aproveitou ao máximo a sensação de segurar ela bem perto, abraçando-a com todo o seu coração.

Subaru não tinha muita experiência quando se tratava de relacionamentos interpessoais e absolutamente zero experiência em abraçar uma garota. Achava uma pena não ter tido tempo suficiente para aproveitar isso quando protegeu a Felt, sem contar que ela era magricela demais para contar.

Seja como for, Emilia, que só percebeu o que estava acontecendo depois de um instante, ficou vermelha como um tomate e começou a se debater. “E-ei… O quê!? O que tá acontecendo!?”

“É que, tipo, o fato de você ter aparecido na minha frente de repente despertou meus instintos mais bestiais, ficou difícil resistir. Aí, quando eu me acalmei e pensei sobre isso, percebi que nunca conseguiria alcançar meu objetivo logo de cara, então pensei: ‘Já que nunca vou alcançar, por que não aproveitar enquanto posso!’.”

“Reaaaalmente não tenho ideeeeeia do que você tá falando!”

“Beeem, espera aí. Deixa eu me acalmar e analisar a mim mesmo. Quer dizer, eu pensei se devia ou não estender a mão pra você quando me olhou antes, então tive a ideia de testar se eu conseguiria te alcançar ou não, e aí, por reflexo espinhal, meus instintos masculinos foram ativados, o que fez minha libido entrar em modo turbo, levando ao abraço, depois disso eu concluí que não ia morrer nem nada, então resolvi só aproveitar o momento o máximo possível, ah, foi algo bem feliz pra mim e serviu perfeitamente ao propósito, mas uma surpresa desagradável pra Emilia-tan, acho… e é isso.”

“Mesmo explicando assim, ainda não enteeeendo nada do que você quis dizer!”

Subaru continuou divagando, tentando enrolar o máximo que podia, até que Emilia, que ainda se debatia nos braços dele, finalmente o empurrou com força.

Subaru se sentiu incrivelmente solitário agora que ela havia rompido o abraço. Já Emilia, com o rosto vermelho, apontou para ele com os olhos marejados. “Não vá abraçando uma garota assim tããão de repente! Não foi um problemão porque era eu quem tava sendo abraçada, mas uma garota normal levaria isso muito a sério, sabia?”

“Mas eu nem fiz de propósito! Com certeza foi meu corpo agindo por conta de alguma força oculta. Espera… Será que você me enfeitiçou, Emilia-tan…? Você é uma mulher má!”

“Não tem neeeenhuma chance de eu ter feito isso! E para de jogar a culpa em mim! E abaixe esse polegar agora mesmo!”

Com o gesto de “joinha” reprovado, Subaru abaixou a mão direita, desanimado.

Mas era verdade que seu corpo tinha se movido por impulso, como um reflexo. E as palavras que disse depois disso também não eram mentira, mas ele morreria de vergonha se dissesse em voz alta o que realmente pensava.

A verdade é que… seus olhos roubaram meu coração.

“Ah, que vergonha! Se eu ouvisse você dizer isso, eu não resistiria e falaria: ‘Que incrível! Me abraça forte!’.”

“Maaaravilhaa… você realmente não tem medo de naaada, né?” Enquanto Subaru segurava as bochechas com as mãos e dizia, “aiii paraaa,” balançando os quadris, Roswaal, que assistia à conversa do lado, falou aquilo com o rosto contorcido numa tentativa de conter o riso.

Emilia, ainda vermelha, lançou um olhar severo para ele por causa da forma como estava falando. Com lágrimas nos olhos de tanto rir, Roswaal as enxugou e fingiu inocência. “Ela é uma candidata a futura rainha, não ééé? Taaalvez ela se lembre desse grande desrespeito por muuuuito tempo, e, quando chegar a hora de subir ao trono, ela imponha seu julgamento sobre você…”

“Você tá me dizendo pra me arrepender das coisas felizes que estão acontecendo agora, só porque ninguém sabe o que o futuro reserva? Não subestime uma vítima da educação sem pressão que almeja a gratificação instantânea!”

Com o dedo do meio levantado, Subaru declarou isso de forma grosseira. E com a outra mão apontou para Emilia e disse:

“Mesmo que a Emilia-tan seja uma candidata a futura rainha, agora ela é só uma garota. E eu sou só um cara. Você não tem direito nenhum de se meter se o relacionamento casual entre um homem e uma mulher que vai ou não dar em alguma coisa! Por isso…!”

Com um pé sobre a cadeira e o punho cerrado com força, Subaru fez uma declaração orgulhosa:

“…Mesmo que eu fosse condenado à morte amanhã, eu ainda assim abraçaria a Emilia-tan bem forte, cheiraria o cabelo dela e usaria isso como sustento pra continuar vivendo!”

O interior da sala de jantar foi tomado por um silêncio profundo após a declaração de Subaru, que soou como se estivesse sendo possuído pela agonia.

Todos ficaram sem palavras diante da atitude intensa de Subaru. Engolindo seco, absorveram as palavras daquele discurso extremamente selvagem e presunçoso. E então

“Desculpem por interromper o café da manhã. Vamos retomar a refeição. Que possamos nos reunir e aproveitar novamente, e esquecer a briguinha de agora há pouco…”

“Você tá recitando um mantra exagerado demais só por causa de um comentário pervertido.”

Enquanto Subaru jogava o cabelo pra trás, tentando bancar o galanteador e limpar o clima tenso da sala com seu próprio impulso, sua tentativa foi abruptamente interrompida. Quem fez isso foi Beatrice, sentada numa cadeira mais distante, olhando para ele como se estivesse totalmente entediada. Demonstrando total falta de educação, colocou Puck sobre a mesa e começou a escovar sua pelagem cinzenta.

“No fim das contas, você só foi enganado pela beleza dessa garota, simples assim, de fato. Como é que consegue tagarelar tanto sobre ela, eu me pergunto…?”

“Você… é mesmo minha inimiga natural, hein…” resmungou Subaru, com os ombros caídos, após ouvir as palavras de desdém da Beatrice.

Começando com o bufar de Beatrice, os demais presentes começaram a voltar ao normal, um por um.

Ou seja, o linchamento verbal de Subaru por assédio estava prestes a começar.

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