“Sabe, observando aquilo lá de cima, eu senti que… você está completamente fora de si, suponho.”
Na sala de jantar para a qual as gêmeas o haviam levado, onde o café da manhã seria servido, a garota de cabelos loiros que estava sentada falou isso no lugar de uma saudação.
Subaru franziu a testa de forma exagerada para ela enquanto ainda girava os cotovelos doloridos.
“O que você tá falando logo de manhã cedo, loli?”
“Que palavra é essa, me pergunto? Nunca ouvi antes, mas já me dá uma sensação tão desconfortável, suponho.”
“Quero dizer, você é jovem demais pro meu gosto. Nunca vou atrás de garotas mais novas que eu.”
“…Ser tão rude com a Betty também é meio lamentável.”
Com uma expressão de pena no rosto, a garotinha suspirou enquanto se acomodava na cadeira. Assim, ela pegou o copo sobre a mesa e deixou o líquido âmbar descer rapidamente pela garganta.
O formato do copo lembrava uma taça de vinho, Subaru não pôde deixar de se perguntar se havia álcool ali. A garota sorriu com um ar malicioso diante do olhar desconfiado dele e apontou o copo em sua direção.
“O que foi, quer beber, será?”
“Quero, mas isso seria um beijo indireto. O evento avançaria rápido demais.”
“Eu estava tentando te provocar por birra, mas que sentimento inocente é esse, me pergunto? É mais vergonhoso pra mim agora!”
A garotinha se irritou com Subaru, que juntava os dedos timidamente, constrangido.
Naquele momento, só havia duas pessoas na sala de jantar, elas estavam livres para fazer o que quisessem.
Uma grande mesa coberta por uma toalha branca estava colocada no centro do salão espaçoso, cerca de dez cadeiras estavam dispostas ao redor, começando com o assento de honra na ponta, seguido pelas cadeiras nas laterais.
Havia vários lugares que já estavam postos com pratos e talheres, então Subaru podia se sentar em qualquer um deles.Simplificando, ele escolheria um dos assentos inferiores.
“Eu vou pegar um dos melhores lugares.”
“Essa é uma ótima escolha. Mas é óbvio que está errada, na verdade.”
“Heh-heh-he, é aqui que a Emilia-tan costuma se sentar, né? Só de pensar que nossos traseiros se tocaram indiretamente já me deixa bobo de alegria…”
“Você é um pervertido de alto nível, será?! Não é só assustador, é nojento, na verdade!”
Subaru tinha muita coisa que queria dizer, mas a garotinha, cuja atitude era basicamente a de uma tsukkomi (a parte séria dos comediantes em dupla), era realmente divertida de provocar.
Ele não conseguia evitar de querer ver como ela reagiria se ele começasse a agir de forma pervertida de repente.
N/T: É um papel/interpretação específica em gêneros de comédia
“Então, tecnicamente eu não tô fazendo ISSO de propósito, ge-he-he.”
“Essa risadinha no final não foi nada convincente… Não dá pra levar nada do que você diz a sério, na verdade!”
Enquanto a garotinha pressionava a testa e balançava a cabeça, Subaru se remexia na cadeira, esquentando o assento no processo.
“Bom, acho que tá tudo certo já que nada de ruim aconteceu no fim, mas foi tenso pra caramba!”
Lembrando do momento em que desmaiou no primeiro encontro deles, Subaru girou os braços e pernas para expressar sua frustração.
“Caramba, percebi de repente que o número de vezes que desmaiei nesses últimos dois dias já tá num nível assustador. Aliás, nem tive muitas chances de levantar, né? …Mas isso… não é muito diferente da época em que eu era um hikikomori, hein.”
Por outro lado, teria sido ótimo se eu pudesse só ficar à toa mais um pouco!
Enquanto observava Subaru e inclinava o pescoço, a garotinha tinha a expressão de quem segurava um bocejo.
“Seu portão tava completamente aberto e derramando mana pra todo lado, teria sido um desperdício deixar tudo escapar, então eu absorvi, na verdade. Você devia estar agradecido.”
“Foi CULPA SUA que começou a vazar daquele jeito! Não devia ser você quem agradece por ter um buraco ali, não?! Não me faça rir! Isso é ridículo! E você tá sendo atrevida demais, não?!”
Ignorando as reclamações incessantes de Subaru, a garotinha mais uma vez virou o copo.
Beber sem hesitar era uma forma de não precisar mais responder às provocações dele.
Era natural que aquela garotinha bebesse, considerando o estado triste e lamentável do mundo.
“A garotinha conheceu os prazeres noturnos, gastou dinheiro demais, no fim de tudo, acabou grávida na adolescência… Como seu Onii-chan, eu não posso deixar de chorar!”
“Não vá inventando uma tragédia dessas com a Betty como protagonista!”
“Na minha cabeça, você é só o protagonista de merda de um daqueles romances vagabundos de celular!”
Houve um tempo em que Subaru matava o tempo conferindo esse tipo de coisa, mas encontrar um bom era pura sorte, um verdadeiro tiro no escuro.
Foi nessa época também que ele começou a aprender o “alfabeto das gyarus”.
Ela provavelmente nem entendia o que Subaru queria dizer com aquilo, com uma carranca no rosto, a garotinha bateu levemente os dedos sobre a mesa.
“Bom, tanto faz. Vai agradecer a Betty, me pergunto?”
“Agradecer? Agradecer à drill loli que me humilhou? Isso não é recompensa em nenhum setor onde eu trabalho!”
“Por que você está bravo, me pergunto! A pessoa que deveria estar irritada é a Betty! Quem te salvou quando você estava à beira da morte foi ela…”
Mas, antes que a garotinha terminasse de falar, Subaru soltou um “Hãã?”. O que fez a menina calar-se no meio da frase, pois, nesse instante, a porta da sala de jantar se abriu.
“Com licença, senhor. Permita-me servir a refeição.”
“Se me permitir, senhor. Vou preparar a mesa e servir o chá.”
Empurrando carrinhos, surgiram as criadas gêmeas. A de cabelos azuis trazia um carrinho com os pratos de um café da manhã tradicional, saladas, pães e afins, enquanto a de cabelos rosa empurrava outro com louças e talheres.
Elas se posicionaram uma de cada lado da mesa, com rapidez e destreza, começaram a arrumar tudo. Em perfeita sincronia, a toalha foi estendida, os pratos postos e os aromas quentes fizeram o estômago de Subaru roncar sem querer.
“Uau, nada mal. Realmente parece um café da manhã digno de nobreza… Estava com medo de que fosse algum prato bizarro nesse outro mundo.”
Ele chegou a pensar que, em um universo paralelo, o jeito de montar a mesa poderia ser totalmente diferente e ele agora poderia estar comendo insetos todos os dias.
Se fosse esse o caso, Subaru não teria outra opção a não ser romper os laços com aquele mundo, libertando-se da vida terrena e alcançando o nirvana.
“Na boa, insetos seriam demais. Por que essas coisas existem? Meu Deus, olha como vivem. Não é a função deles morrer e nos ensinar o valor da vida na infância?”
“Se você oprime os fracos, quando estiver fraco, será oprimido pelos fortes. Deveria aprender o significado dessas palavras, na verdade. Silêncio, suponho, seu fraco.”
Como se ensaiasse uma encenação para reprimi-lo, a garotinha respondeu de maneira deliberada, inclinando o copo com elegância.
A irritação de Subaru chegava ao limite, a fome crescia e ele estava puto com aquela pose de refinada dela.
“A-p-r-e-s-s-a, p-o-r-r-a! Não aguento mais!”
“Você é até meio sem refinamento. Não consegue esperar de um modo mais elegante e refinado, suponho?”
“Não vou aceitar sermão de uma garotinha bêbada! Bora comer! Bora comer!”
Subaru agarrou de forma grosseira e irritada sua faca e garfo, batendo os dois juntos sobre a mesa, o que levou a garotinha a reagir. Com a mão ainda segurando o copo, o espaço ao redor começou a se distorcer e ela tentou direcionar uma espécie de energia paranormal com um dedo em sua direção. Porém, antes que essa técnica sinistra o alcançasse…
“Uoooohhh, maaaaravilha. Vejo que está se saindo beeem. Isso é óootimo, muito óóótimo.”
Quem apareceu com um sorriso no rosto foi o rosto de um homem claramente pervertido. Ele parecia ter trocado completamente as roupas de antes, que eram para uso externo, por um traje mais formal. As golas exageradamente grandes e coloridas denunciavam seu gosto duvidoso. Parecia mesmo um palhaço, e seu comportamento excêntrico continuava o mesmo de sempre.
Ah, com certeza, ele é um pervertido total.
Enquanto observava Subaru alegremente cortar alguns beterrabas com seus talheres, Roswaal de repente notou a garotinha inclinando seu copo discretamente, fazendo com que ele arqueasse as sobrancelhas.
“Uuuuhhh, veja sóóó. Que raro ver Beatrice aqui. Não é maraaavilhoso que tenha vindo fazer uma refeição comigo depois de taaanto tempo?”
“Já chega. Tem um cara todo alegre bem ali, na verdade. Betty só está aqui pra dividir a refeição com o Bubby, eu suponho.”
Ignorando completamente as falas amigáveis de Roswaal, a garotinha desviou o olhar para trás dele. Entrando na sala logo atrás, vinha a figura de Emilia e aninhado entre seus cabelos prateados, estava…
“Bubby!”
A garotinha praticamente saltou da cadeira e correu até ele, com a longa saia esvoaçando ao vento. Um sorriso adornava seu rosto, como uma flor desabrochando, tão encantador que fazia qualquer um esquecer que, até um instante atrás, ela parecia apenas uma pirralha atrevida.
A reação repentina da garotinha foi claramente por causa do gato cinza aninhado nos cabelos prateados. Seu rostinho apareceu, e com uma expressão tranquila, disse:
“Oi, Betty. Já fazem uns dois dias, né? Tem se comportado como uma dama deveria?”
“Estava esperando ansiosamente pelo seu retorno, Bubby. Que tal passarmos o dia juntos, eu me pergunto?”
“Claro, parece ótimo! Que tal só relaxarmos hoje?”
“Oh, que maravilha!”
Puck saltou do cabelo prateado e pousou nas mãos estendidas de Beatrice. Agora em seus braços, ela girou no lugar, rodopiando e rodopiando de alegria.
Enquanto Subaru ficava boquiaberto diante daquela cena tão leve e despreocupada, Emilia se aproximou com um sorriso um tanto sem jeito no rosto.
“Você ficou surpreso, né? A Beatrice e o Puck são suuuper próximos.”
“Surpreso é pouco… Mas eu devia era perguntar o que tem de errado com a atitude daquela loli. Não é meio esperta demais, tentando bancar a nobre só pra impressionar um gato?”
“Desculpa, mas eu não faço a menor ideia do que você tá falando.”
Antes que Subaru pudesse terminar de falar, Emilia soltou um “Hm?” com uma expressão de curiosidade no rosto, apontando para onde ele estava sentado.
“Essa cadeira é…”
“Ah, sim! Então… sabe quando uma cadeira está super gelada e isso faz você ficar meio desanimado? Pois é, estou fazendo uma campanha pra ser o seu cobertor, aquecer seu coração e diminuir a distância entre nós. Por isso eu achei que seria uma boa ideia esquentar seu assento pra você! Não é como se eu estivesse tentando um ‘sentar indiretamente junto’ nem nada!”
“Desculpa, mas eu realmente não faço ideia do que você tá falando… Mas você sabe que essa cadeira é do Roswaal, né?”
Com suas desculpas sendo descartadas sem qualquer piedade, Subaru afundou no desespero, seus joelhos cedendo. Ao cair no chão, percebeu seu erro e rangeu os dentes.
Se parasse pra pensar, era óbvio que o dono da mansão ocuparia o melhor lugar, a cadeira de honra.
E o prêmio de Novato do Ano vai para…
“Mas eu sou um homem que transforma a adversidade em oportunidade. Nessas circunstâncias… Sim, nessas circunstâncias, vou apostar numa nova chance amanhã!”
“E não precisa sentar no meu lugar, tá bom? Porque isso me deixa uuuum pouquinho incomodada.”
“Deus está morto…”
Subaru, então, despencou no chão de vez, chorando copiosamente.
Sem mais esperanças neste mundo, sem conseguir enxergar um futuro, ele foi envolvido por uma aura de derrota. Mas então, sentiu o toque suave da mão de alguém sobre seu ombro. Aquele toque cálido o envolveu num estado de pura paz, e, ao erguer o rosto, viu que o farol brilhante de esperança era, na verdade…
“Eu vou desfrutaaaar apropriadamente do seu calor, o melhor que puder.”
Depois de ouvir o que aquele homem alto havia dito, Subaru imediatamente cuspiu no assento sem a menor hesitação.
“Pode aproveitar o calor da minha bunda agora que ele foi bem contaminado!”
“Ohhh meeuuuu, uma reação tão rápida foi bem inesperada. Que esplêndido. Mas, enfim, não importa.” Roswaal soltou uma risadinha, como se estivesse sentindo um prazer intenso, e rapidamente ergueu o dedo, apontando para a cadeira. Conferindo se o cuspe ainda estava ali, ele então estendeu o dedo à frente, produzindo um estalo.
Logo em seguida, o cuspe desapareceu bem diante dos olhos de Subaru.
“O quê!?”
Sem pensar, Subaru estendeu a mão em direção à cadeira, incapaz de acreditar que o cuspe tinha sumido de repente. Ao tocar o local, não sentiu sequer um traço de líquido, e a única coisa que restava era o assento levemente aquecido.
“Será que… evaporou?”
Ele suspeitou que havia uma relação entre o calor do assento e o desaparecimento do cuspe.
Roswaal assobiou em admiração diante da conclusão de Subaru. “Ohhh meeuuu… você acertou em cheio. Mexi na escala da chama, usando uma quantidade extreeeemamente pequena de mana pra aquecer só aquela parte do assento, só por um instante.”
“QUÊ!? Do jeito que você falou, parece que fez isso numa boa… Não me diga que você não é só um idiota pervertido?”
“Na verdade, ele é o Mago-Chefe da Corte Real de Lugnica.” Quem respondeu, bem ao lado de Subaru, foi Emilia, pegando-o de surpresa com essa revelação. Sem conseguir processar o que ela acabara de dizer, Subaru olhou para Roswaal, murmurando “Mago-Chefe da Corte Real…” para si mesmo.
“…Essa sua cara não é de quem tá acreditando.”
“N—E—M! Quer dizer… Totalmente acredito! Isso, totalmente! Acredito sim, com certeza!”
“Não tô muito convencida, mas também não vou ficar insistindo.”
Emilia desistiu rapidamente de tentar convencê-lo. Nesse pouco tempo de convivência, já tinha aprendido que ignorá-lo era o melhor jeito de acalmar aquela energia sem fim.
Subaru, despertando um novo fetiche ao ser ignorado daquele jeito, notou que Emilia agora estava sentada numa cadeira diferente da de honra. Provavelmente era onde ela costumava se sentar.
Vendo que ninguém mais iria se juntar a eles no salão de jantar, Subaru reparou na disposição das cadeiras, a cadeira de honra, a cadeira da Emilia e a da Beatrice… e só. Pensando na sua própria posição em relação aos outros, ele percebeu que estava bem longe da cadeira de honra e um pouco separado da de Emilia, o que dava uma sensação meio… incompleta.
Se fossem tentar usar todo o espaço daquela mesa enorme, a distribuição acabaria ficando mesmo meio desequilibrada.
“Enfim, assim não tem graça…” Murmurando isso, Subaru pegou a comida que tinham colocado em seu lugar e começou a mover tudo, o barulho dos pratos e talheres ecoando com o tilintar da porcelana. O lugar para onde ele estava indo era, naturalmente…
“Ei?”
“Não ligue pra mim, não ligue pra mim, acredite no Terry.”
“Quem é esse?” perguntou Emilia.
Depois de se mover para perto dela, Emilia olhou para Subaru com uma expressão confusa. Mesmo depois da resposta dela, ele continuou transferindo sua salada e os pãezinhos para o novo lugar. Tendo conseguido se esgueirar até o lado dela com sucesso.
“Ah, qual é… Em vez de comer separado, por que a gente não come juntinho e faz amizade? Ei, se você não gostar de legumes, pode colocar tudo no meu prato. Que tal?”
“Então… pode ficar com meus pimentões verdes… Não, não, não… Isso seria… falta de educação.”
“Não comer comida gostosa é que é inverter as prioridades! Além disso, comer ao lado de uma garota faz a comida ficar ainda melhor, e disso eu não abro mão. E você, Rosy?”
Será que a Emilia não gosta de vegetais verdes?
Quando ela se aproximou do prato dele, Subaru disse isso com um sorriso, depois passou o assunto para Roswaal, que vinha observando tudo com muito interesse.
Ao ouvir aquele apelido, Roswaal apontou para si mesmo. “Estaria se refeeeerindo a mim, por acaso?”
“Quem mais seria? Rosy. É um nome perfeito pra você.”
Confirmando com um aceno de cabeça, Roswaal riu alegremente e então virou o rosto para Emilia, que estava com uma expressão de puro espanto. “Não fiqueeee chateada, Lady Emilia. O decoro pooooode ser importante, mas você não vai conseguir aproveitar sua refeição se ficar tão fixada nisso, mesmo quando está ao lado de conhecidos. Ohhh, as palavras dele estão corretíssimas.”
Como era uma decisão do senhor da mansão, não havia mais o que discutir.
Emilia suspirou, deixando seus sentimentos à mostra, e então Ram e Rem, que estavam esperando, começaram a servir os pratos um após o outro. Pratos fumegantes foram sendo alinhados na mesa e, logo em seguida, o café da manhã estava pronto.
“Muito bem, vamos comer. Às árvores, ao vento, às estrelas e à terra.”
Com as palmas das mãos juntas, Roswaal fechou os olhos e murmurou aquelas palavras. Emilia e as gêmeas logo o acompanharam. Beatrice também voltou para seu assento e fechou os olhos. Percebendo que aquilo era uma prece antes da refeição, Subaru apressadamente os imitou.
Pra ser sincero, ele ficou bastante surpreso ao ver que algo tão parecido com uma oração cristã também era comum naquele mundo.
Pelo jeito como eles rezaram com tanta dedicação, dava pra perceber claramente que Roswaal e Emilia eram bem religiosos. As gêmeas pareciam já estar acostumadas, executando cada gesto com atenção. Beatrice, por outro lado, apenas fez tudo no modo automático, de qualquer jeito.
“Muuuuito bem então, Subaru. Ela pode não parecer, mas a comida da Rem é reaaaaalmente de primeira, não éééé?”
Seguindo o encorajamento de Roswaal e com a oração terminando sem que ele sequer percebesse, Subaru começou a refeição com grande pressa. O cardápio parecia incluir uma salada, além de alguns ingredientes para o pão, como algo parecido com presunto, acompanhado de uma espécie de torrada. Embora fosse um pouco difícil de definir, tudo tinha uma cara de típico café da manhã ocidental.
Por enquanto, Subaru sentiu-se aliviado ao ver que nada ao seu redor parecia estranho. Ficou agradecido por nenhum dos ingredientes ter uma aparência exótica ou que desafiasse o entendimento humano. Colocando o que parecia ser uma torrada na boca, comentou: “Hmm, isso tá bem melhor que o de costume.”
Depois de levantar o rosto e dar sua opinião, a empregada de cabelos azuis que estava ao lado da mesa fez um gesto de raposa com os dedos. Subaru não tinha certeza do que aquilo significava, mas talvez fosse algo como um sinal de paz, versão daquele mundo. Ele respondeu fazendo dois sinais de sapo com as mãos.
“Foi a empregada de cabelo azul que preparou isso… hmm, ou posso te chamar de Rem? Foi você que fez?”
“Sim, exatamente como disse, senhor. Rem é a responsável pela cozinha nesta casa. Minha irmã não é muito boa com isso.”
“Ahhh, então é tipo… vocês gêmeas são boas em coisas diferentes? A de cabelo rosa é boa em limpar, mas ruim na cozinha?”
“Isso mesmo. Minha irmã é especialmente habilidosa em limpeza, lavanderia e outras tarefas domésticas.”
“Então, já que você é boa na cozinha, isso significa que é ruim em limpeza e lavanderia, Rem-rin?”
“Não, Rem também é excelente nessas tarefas. Na verdade, melhor até do que minha irmã.”
“Então por que a de cabelo rosa tá aqui, afinal!?”
Pelo visto, uma era boa em tudo, enquanto a outra só se destacava na limpeza… Gêmeas com habilidades totalmente diferentes era uma coisa nova para Subaru.
Ram, que estava ao lado de Rem, parecia não se importar nem um pouco com o que estava sendo dito. E pelo jeito, era verdade, já que ela nem sequer abriu a boca pra rebater. Então, sendo assim… por que ela não estava nem um pouco incomodada?
“Será que o forte dela é outro, então? Tipo… a Ram-chi é boa em combate… Não, espera… será que ela é responsável por ‘serviços noturnos’!? Caramba, já tô ficando ansioso por um monte de coisas pra essa noite!”
“Irmã, irmã. O hóspede parece ter dúvidas a seu respeito!”
“Rem, Rem. O hóspede parece estar me despindo com os olhos!”
As gêmeas juntaram as mãos, agindo como se algo terrível estivesse acontecendo, em resposta aos pensamentos indecentes do imbatível Subaru. Ao ver essa troca de provocações, Roswaal soltou uma risadinha baixa.
“Muuito booaa, você. Por causa dessas idiossincrasias tããão fortes, Ram e Rem parecem um pouco frias quando conhecem um hóspede pela primeeeeira vez, não ééé?”
“Você não liga pros defeitos dos seus empregados porque até o mestre da casa é cheio de falhas, né? Mas, como é um mundo de fantasia, eu aceito qualquer coisa. Agora, eu…”
“Não há dúvidas de que ele é competente. Pelo menos, é o que muita gente diz.”
Quem cortou a conversa foi Emilia. Depois de levar um pouco de sopa à boca, ela continuou, com um leve tom de desagrado na voz: “Na verdade, aquelas duas são incríveis, sabe? Elas cuidam praticamente de toda a manutenção desta mansão enorme. Para uma raça como a delas, isso é meio que trivial.”
“Não sei como me sinto sobre isso… Não é difícil?”
Dizendo isso para Emilia, cujas pupilas pareciam brilhar com uma indignação meio justa, Subaru escolheu melhor as palavras e fez uma pergunta: “Espera… A Emilia-tan acabou de dizer que só tem duas empregadas trabalhando nessa mansão?”
“Ohhh sssiiim, essssa é certaaamente a situação atual. Ram e Rem são as únicas que restaram.”
“Você tá de brincadeira? Como é que só duas pessoas dão conta de um casarão desse tamanho? Por mais incríveis que elas sejam, até elas podem morrer de tanto trabalhar. Ou será que você tem alguma coisa tipo um ‘não posso contratar mais funcionários’ segurando você?”
Ao ouvir a pergunta de Subaru, Roswaal ficou em silêncio por um tempo, cruzando as mãos sobre a mesa. Seu rosto ainda exibia um sorriso, mas havia uma emoção clara em seus olhos enquanto encarava Subaru, mudando o clima no ar.
Subaru sentiu o som de uma bandeira subindo, percebendo que tinha tocado num assunto delicado, então rapidamente pegou a sobremesa, a ringa pela qual vinha salivando e começou a devorá-la.
Empurrou a fruta deliciosa para dentro da boca, satisfeito com a maciez que fazia suas papilas gustativas vibrarem.
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