Re:Zero – Começando a Vida em Ou... Cap. 32 — Os Frutos de Morrer Três Vezes

“Então, no fim das contas, por que você fez essas coisas, Subaru?” perguntou Emilia.

“Eu já disse toda a absoluta verdade. Se houvesse outro motivo… espera, não me diga que a loli do mal ali… mexeu com a minha mente…? Sua garotinha diabólica!”

“Você se fez de idiota e agora está só jogando a culpa nos outros, eu suponho! Você é o pior! O pior de todos, de fato!”

“Cala a boca! As palavras de uma loli que bebe durante o dia podem justificar alguma coisa?! Não tá vendo e ouvindo um monte de coisa errada porque tá bêbada? Pra começo de conversa, com quantos anos é “hunky-dory” beber álcool nesse país?!” Enquanto discutia cuspindo farpas com Beatrice, ele lançou a pergunta para Rem, que estava em pé por perto.

Sem se abalar nem um pouco com a mudança repentina de assunto, Rem fez uma cortesia educada e perguntou:

“O que o senhor quer dizer com ‘hunky-dory’?”

Vendo ela inclinar a cabeça com habilidade enquanto mantinha a cortesia, Subaru coçou a própria cabeça.

“Ah, hmm… Então vocês nem sabem o significado disso, né? Não esperava por essa, então acho que vou ter que explicar! Quer dizer algo como ‘tudo certo’.”

Compreendendo o que foi dito, Rem e Ram trocaram olhares.

“Depois que completa 14 anos.”

“Quando completa 14 anos.”

“Vocês tão falando sério?”

“‘Falando sério’?”

“Falando sério?”

“Quer dizer: ‘Você tá dizendo a verdade?’, ‘Você tá falando sério mesmo?’ ou ‘é muito incrível, não é?’.”

““Entendi.””

As duas fizeram uma reverência sincronizada, como se estivessem impressionadas. Ou seja, colocando em uso prático…

“Sério, está honky-dory beber quando se faz 14 anos?”

““Isso quer dizer: ‘Sério, está tudo certo beber quando se faz 14 anos?.”

Eles conseguiram fazer uma tradução perfeita, e a intenção de chegarem a um entendimento mútuo foi alcançada.

Os três se olharam espontaneamente, cheios de alegria, e, com as mãos levantadas, gritaram:

“““Aeeee!”””

Eles deram um tapa na mão um do outro, um após o outro. E então começaram a se mover em círculo, ainda com as mãos tocando.

“…Já terminaram a apresentaçãozinha de vocês, por acaso?”

“O que você quer? Você é uma estraga-prazeres, sua loli.”

“Pare com esse negócio de loli, de fato! Mas que diabos há com você, hein?!” Beatrice recostou-se na cadeira e cruzou os braços, parecendo bastante irritada. Subaru imaginou que ela já tivesse se cansado de discutir com ele, já que escolheu permanecer em silêncio. Então, viu Puck em cima da mesa de jantar consolando-a e decidiu deixar o gatinho lidar com ela.

Em seguida, voltou a encarar a garota de cabelos prateados, sem ter resolvido absolutamente nada até aquele momento.

Talvez por causa de seu humor, ela olhou para Subaru com aqueles olhos ametistas, agora ainda mais frios que antes…

“O fato de você ser fofo mesmo me olhando assim… deveria ser considerado um crime.”

“…Suspiro. Acho que estou começando a entender como me envolver com você, Subaru. Tudo o que preciso fazer é ignorar as piadas que você parece contar para todo mundo e ir direto ao ponto, certo?”

“Me sinto ofendido por você achar que faço piada com todo mundo! Eu só diria algo assim para você, Emilia-TAN! Estou falando sério! Sério mesmo! Mega hiper sério!”

“Sim, sim, deixa pra lá. Vamos direto ao ponto, então.” Batendo as palmas para “reiniciar” a conversa, Emilia voltou silenciosamente para o assento.

Sem opção a não ser segui-la, Subaru também se sentou novamente, mas, enquanto fazia isso, Roswaal disse:

“Apesar de termos nos desviado bastante do assunto, ainda assim, vamos direto ao ponto, podeeemos? Tudo beeeem pra você, Subaru?”

“Booom… considerando que minha cabeça ainda não foi arrancada, vou rezar para que não seja nada ruim.”

Roswaal assobiou diante das palavras de Subaru. Emilia pareceu tão surpresa quanto ele, já que havia presumido que Subaru estivesse agindo de forma desrespeitosa de propósito, tentando analisar as reações deles mas, na verdade, estava imaginando demais.

Na realidade, ele estava apenas despejando um monte de besteiras eloquentes.

Subaru havia se adiantado antes que eles pudessem perceber e expor suas intenções, garantindo que sua postura chamativa os deixasse na defensiva. Ele acreditava que, se tomasse a iniciativa na conversa, diminuiria as chances de que ela fosse conduzida para um rumo perigoso.

— Certo, acho que vou fazer meu palpite então. Você puxou todo aquele assunto sobre a Emilia-tan ser candidata a rainha, certo? Imagino que haja algum tipo de ligação aqui? — disse Subaru.

— Sério, Subaru, você é um pervertido? Ou não é? — perguntou Emilia.

— Essas duas opções são bem extremas, sabia!? — retrucou Subaru.

Com os olhos bem abertos, Emilia fez um pedido de desculpas descontraído, dizendo:
— Desculpa, desculpa.

Enquanto Subaru ainda estava genuinamente ofendido com aquilo, Roswaal prosseguiu após as desculpas dela:
— Ainda aaaaassim, seu palpite estava bem corretiiinhooo. A história sobre ela ser candidata a rainha de antes está beeem relacionada ao que vai acontecer com você. Lady Emilia?

— Hum, entendi — respondeu Emilia de forma breve.

Após responder, Emilia colocou a mão no bolso.

Foi então que Subaru percebeu que a atmosfera alegre havia desaparecido da sala de jantar. Embora as mesmas pessoas ainda estivessem sentadas ao redor da mesa, agora estavam envoltas por uma presença completamente solene.

Sem pensar, Subaru endireitou a postura instintivamente. Emilia, continuando de onde havia parado, retirou um objeto do bolso e o colocou sobre a mesa.

— I-isso não é o brasão…? — disse Subaru, surpreso.

Era o brasão adornado com um motivo de dragão, o mesmo que havia passado pela amarga experiência de ser roubado por Felt, e que Subaru finalmente conseguiu devolver à sua verdadeira dona depois de ter retornado de três mortes.

O brilho profundo e sereno da joia carmesim nas mãos de sua dona enchia Subaru de admiração, sua beleza despertando curiosidade.

— Veja bem, o dragão representa o brasão de Lugnica. Não seria exagero chamá-lo de Reino do Dragão de Lugnica. É um símbolo encontrado com frequência nas paredes do castelo, em armas e armaduras, mas esse brasão é espeeeeciiiaal. De qualquer forrrma… — disse Roswaal, fazendo uma pausa.

Subaru lançou-lhe um olhar, incentivando-o a prosseguir. Ele assentiu, então, voltou o olhar para Emilia, sugerindo que ela continuasse. Emilia fechou os olhos por um instante, em seguida, disse:

— …Ele representa a qualificação para ser uma candidata à Seleção Real. Uma prova para determinar se a pessoa é digna de sentar-se no trono do Reino de Lugnica.

A declaração da verdade, dita com uma voz tensa, fez os olhos de Subaru se arregalarem, e então seu olhar voltou mais uma vez para o brilho carmesim sobre a mesa. O brasão com o dragão de asas abertas, a joia cintilante no centro sustentava a prova de sua afirmação e, juntando tudo o que havia acabado de ser dito…

— N-Não é possível… Você perdeu o brasão que qualifica a sua entrada na Seleção Real!?

— Não diga de forma tão vergonhosa! Uma garota de dedos leves o roubou!

— É a mesma coisa…!! — com esse grito, Subaru bateu as mãos na mesa de jantar e se levantou de um salto.

O impacto quase fez a louça cair no chão, mas a reação perfeita de Rem evitou que isso acontecesse. Ignorando completamente isso, ele olhou para Emilia. O rosto dela estava ficando vermelho, os olhos cheios de humilhação.

— Mesmo que você faça essa cara que estimula meu lado sádico, não vai funcionar! E-espera aí, sério… como diabos funciona essa coisa toda!? Se você perdeu, não dava pra simplesmente pedir outro num órgão público!?

— Órgão público… não tenho muuuita certeza do que isso significa, mas seria difícil simplesmente ir até lá e pedir outro assim, sabeee. — disse Roswaal, ajustando calmamente a gola gigantesca de suas roupas enquanto encarava o agitado Subaru. — Um rei carrega o reino nos ombros. Seria absurdo se ele não conseguisse proteger nem mesmo um mííseeero brasão. Por que o povo deveria confiar o país a uma pessoa assim?

— Exato. É como quando o Lorde Komon sempre deixava o trabalho para o descuidado Hachibe, mas era tão descuidado quanto ele.

— Descuidado?

— Hachibe?

Enquanto as gêmeas murmuravam o nome daquela pessoa misteriosa, Subaru processava tudo o que havia acontecido.

O brasão roubado, o encontro no beco, a luta no Armazém de Mercadorias Roubadas, a recepção que teve aqui. As respostas que ele conseguia tirar disso se uniam em uma única.

— Se a guarda imperial descobrisse que você perdeu o brasão, seria um problemão. Por isso, a Emilia-tan estava procurando por ele sozinha, como um lobo solitário.

— …Sim, é isso mesmo — respondeu Emilia.

— A Felt foi quem roubou, mas a Elsa foi quem mandou roubar. E ela disse que alguém pediu para que fizesse isso. Então, resumindo, alguém está tentando impedir a Emilia-tan de virar rainha? Provavelmente é isso. Se alguém quisesse te fazer desistir da Seleção Real, não consigo pensar em um jeito mais simples do que roubar a insígnia.”

Depois de confirmar o que foi dito, tudo o que tinha acontecido ontem começou a se encaixar.

O quanto Emilia foi teimosa; Felt e sua cliente, Elsa. E como o valor da insígnia foi a causa direta de ele ter se metido em encrenca e morrido várias vezes.

“Caramba, agora que eu penso, eu mandei muito bem! O que quer que eu tenha feito foi realmente incrível, né!? Você estava correndo risco de dar adeus pra Seleção Real, não é, Emilia-tan!? E como você estava prestes a perder a insígnia, dizer ‘Eu perdi minha insígnia sem querer! Ehehe! Foi mal!’ não ia colar, né!?”

“Uau, não consegui entender sessenta por cento do que você falou agora.”

“Waaaaaaaah, não importa! O que importa mesmo é que, olhando pra trás, eu fiz um trabalho super incrível por você, não fiz, Emilia-tan?!”

Subaru estava em puro êxtase ao perceber que, sem querer, tinha feito algo grandioso com suas ações. Então, levantou-se de novo, aproximou o rosto da Emilia, que ainda estava sentada, e respirou ruidosamente pelo nariz, empolgado.

“Fu-fu-fu, e aí, e aí, e aí, Emilia-TAN? Este idiota aqui teve um papel bem ativo em te deixar feliz, hein? Maaaas, será que posso esperar uma boa recompensa ou algo assim, hein?! Será, será, será?!”

Depois de falar como um personagem de Higurashi no final da frase, Subaru baixou o olhar para Emilia, colocou a mão sob o queixo dela e o ergueu.

Com os olhos semicerrados e cheios de malícia, parecia um governante hábil, mas perverso. De bom humor, e com a animação só aumentando, esperou calmamente pelo momento em que alguém lhe dissesse para parar. Chegou a contrair o abdômen na expectativa. Mas…

“…Sim, você tem razão. Você foi de grande ajuda para mim, Subaru. Tanto que dizer que salvou minha vida não é o bastante para descrever. Então… você pode me pedir qualquer coisa.”

“Hã…?”

“Se for algo que eu seja capaz de fazer, eu farei. Err… não, vou fazer tudo que estiver ao meu alcance. Porque o que você me deu significa muito para mim.”

O jeito como ela colocou a mão no peito, encarando Subaru com uma expressão séria, o deixou sem palavras.

Percebendo que seu nível de empolgação não combinava com o clima, já que a conversa tinha ficado mais séria do que esperava, ele tirou a mão do queixo dela.

— Ah, merda… sou péssimo em ler o clima.

Como havia se tornado um solitário, não conseguia perceber o clima das situações, Subaru era muito bom em perceber o “Clima de quando ele não conseguia perceber o clima”. Embora pessoas normais conseguissem captar o “Clima antes de chegar ao ponto de não perceber o clima”, ele não conseguia. O resultado era que ele estava constantemente incapaz de ler nas entrelinhas, com seus comentários insensíveis.

E agora não era diferente. Como Subaru não conseguia perceber o clima com sua empolgação, que destoava do olhar sério de Emilia, ele não sabia o que fazer.

— Ei, uma garota não pode simplesmente dizer que vai fazer “q-qualquer coisa”, sabia? Você pode acabar encontrando um cara mau como eu, que só quer… Mwahaha!

— …Mesmo assim, tudo bem. Se for isso que você quiser fazer, Subaru, eu vou seguir a sua vontade. Você pode fazer “mwahaha”, “fuhfuhfuh”, ou mesmo se for um negócio de umph-umph, eu…

— Uma garota não deveria dizer coisas tão obscenas! Além do mais, parecia que você estava prestes a chorar na segunda metade! — disse Subaru, aliviado ao ver a quase chorosa Emilia abraçar os próprios ombros.

Se ela tivesse se resignado tragicamente a um destino desses, Subaru teria dificuldade em lidar com a situação. Claro, ele ignoraria o fato de que ela achava que ele poderia tentar algo assim, o que indicava que ela não tinha lá uma opinião muito alta sobre ele.

Subaru colocou a mão sobre os cabelos prateados de Emilia e começou a acariciá-los levemente.

Emilia ficou surpresa com a súbita sensação da palma dele, mas ao vê-lo fazer aquilo em silêncio, apenas permaneceu quieta e deixou.

Achando que a reação dela era tão encantadora quanto a de um pequeno animal, Subaru virou a cabeça para olhar para Roswaal.

Observando os dois e parecendo se divertir bastante com isso, Roswaal percebeu o olhar de Subaru, soltou um “Oooooh meu…” e, erguendo as sobrancelhas, disse:

— O queee foi? Estarei eu, interrompendo algo? Devemos nos retirar?

— É surpreendente porque ter minha primeira experiência na mesa de jantar seria absurdamente anormal. O que você quer que eu faça com esses talheres de prata, seu nobre imundo e pervertido…!

— Oooh meu, eu não tinha dito para ir tãããão looonge assim, sabia?

Subaru ergueu o canto da boca para o homem alto que suspirava e sorria de forma seca e, com a mão que não estava acariciando Emilia, tocou o próprio queixo.

Seu gesto lembrava algo que um jovem detetive faria em um anime de detetive, com o polegar e o dedo indicador segurando o queixo, enquanto dizia:

— Espera, espera, espera, me escuta, Rosy. É claro que é verdade que você está balançando condições favoráveis bem na minha frente, muito mais do que eu mereço. É como aquela situação em que uma cenoura é colocada na frente de um cavalo. Mas eu não sou tão cabeça oca a ponto de me deixar levar tão fácil. Ainda tenho um monte de coisas que quero te perguntar antes de aceitar qualquer uma das suas propostas.

— Oh-ho? Proooosiga.

— Certo então, lá vai. Responda com cuidado e honestamente, tá? A Emilia-tan é uma candidata a rainha, certo? Então, o que DIABOS VOCÊ tem a ver com isso?

Subaru lançou essa pergunta para Roswaal, apontando para ele o dedo que antes estava segurando o próprio queixo. O canto da boca do mago se retorceu com a pergunta e, em seguida, se transformou em um sorriso satisfeito.

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