— Este lugar é muito grande, hein? — Lutz começou a explorar os aposentos do diretor com uma expressão animada. O segundo andar tinha o quarto principal, quartos para assistentes do sexo feminino, que cuidavam diretamente de seu mestre, e uma sala de armazenamento.
Gil não queria que eu entrasse nos quartos, já que eles não estavam limpos, mas eu, no entanto, explorei o primeiro andar também. A porta à direita, imediata após entrar na sala, tinha quatro quartos para assistentes e uma sala de armazenamento. A porta esquerda levava a uma área de jantar com uma cozinha, grande o suficiente para vários chefs trabalharem de uma vez, além de escadas para uma área de armazenamento subterrâneo.
— Uma vez que a cozinha esteja limpa, isso permitirá que você ofereça chá aos visitantes. Seria sábio montar um conjunto de chá, Irmã Myne,— disse Fran com satisfação, enquanto olhava para a cozinha, mas meus olhos estavam fechados em outra coisa. No canto da cozinha havia algo que se assemelhava fortemente ao forno da casa do mestre da guilda.
— Espere, isso é um forno?
— Não é normal que os fornos estejam em cozinhas? — Fran perguntou, confuso. As únicas cozinhas no templo, eram aquelas designadas a nobres de túnica azul, o que tornava os fornos um fato normal da vida para aqueles que cresceram aqui, mas ainda eram raros para mim e Lutz. Raro e desejado.
— Lutz! Tem um forno aqui! Temos que contar ao Benno sobre isso!
— Oooh! — Lutz, que estava no processo de trabalhar com Benno e Mark para abrir o restaurante italiano, olhou ao redor da cozinha dos nobres, com olhos brilhantes.
— Então, Fran. Seria aceitável para mim, trazer chefs aqui depois que a cozinha for limpa?
— Sim. É normal que as aprendizes de donzelas azuis do santuário tragam chefs e outros servos para seus aposentos.
Quando comecei a planejar treinar chefs aqui, enquanto, simultaneamente, dava comida aos meus assistentes e aos do orfanato, Fran me trouxe de volta à realidade.
— Como você não trouxe um chef com você hoje, Irmã Myne, como você escolherá almoçar?
O templo operava em um sistema onde padres azuis traziam chefs com eles para fazer sua comida, cujas sobras escorriam pela organização. Eu não poderia almoçar através de meios convencionais sem um chef.
— Acho que comer fora será a nossa melhor opção. Por favor, troquem de roupa, vocês dois.
— Trocar?
Voltei para o segundo andar e peguei alguns pacotes da cesta que Lutz trouxe. Coloquei-os na mesa e os empurrei em direção aos meus dois assistentes.
— Isso não é um presente divino ou qualquer coisa. Este é um presente meu, para recompensar vocês dois por trabalharem tão duro. Não precisam compartilhar isso com ninguém. Eles são seus.
— Obrigado, Irmã Myne.
— Espere, o quê? Sério?
Fran e Gil abriram os pacotes, suas expressões cheias de ansiedade, felicidade e antecipação. Por um momento, pensei que eles se pareciam inteiramente com crianças abrindo presentes pela primeira vez. Então percebi que realmente era a primeira vez deles. Em um lugar de igualdade como o templo, era difícil imaginar muitos presentes sendo dados ou recebidos. Embora minha família fosse pobre, eu ainda recebia presentes de meus pais em algumas ocasiões, como meu batismo ou quando fui pela primeira vez à floresta. Fran e Gil não tinham nada assim em suas vidas.
— Ei. Essas são roupas, certo?
— Uhum. Troquem de roupa para que possamos sair.
— Sério?! Eu sempre quis ir lá fora. Dê-me um segundo, vou me trocar. — Gil sorriu, o sorriso mais brilhante que eu já o vi fazer, enquanto abraçava o pacote de roupas no peito. Ele correu pelos degraus, descendo vários de cada vez. Ele estava tão obviamente feliz, que eu também me sentia feliz, só por lhe dar o presente.
Enquanto sorria, me virei para olhar para Fran, que não havia dito uma única palavra. Ele estava olhando silenciosamente para suas roupas espalhadas sobre a mesa, traçando os dedos ao longo do bordado verde, com uma sensação de admiração. Meu coração ficou emocionado com a visão dele abraçando sua felicidade em seu próprio ritmo.
— Fran, você poderia vestir as roupas, para que eu possa vê-lo nelas?
— Como quiser. — As bochechas de Fran coraram ligeiramente de vergonha, enquanto ele descia rapidamente as escadas, tendo notado que eu estava olhando para ele. Era tão raro ver o calmo e composto Fran ficar nervoso, que Lutz e eu rimos um pouco juntos.
— É bom ver que eles gostaram das roupas.
— Sim.
Lutz olhou para as escadas e baixou a voz.
— Mas o que era aquilo sobre Gil ansioso para deixar o templo? Este lugar é muito estranho, hein?
— É sim. Mas da perspectiva deles, nós somos os estranhos. — Tirei minhas vestes azuis, as dobrei e as coloquei no armário para que eu pudesse sair. Um cabide seria bom para impedi-la de ficar enrugada das dobras. Vou pedir ao Benno para fazer alguns, pensei enquanto pegava algum dinheiro da doação para financiar nossa excursão.
Saí do templo, com meus dois assistentes olhando, com medo de passar pelos portões do templo e entrar na cidade mais baixa.
— Fran, você não precisa se preocupar tanto. Vai ficar tudo bem.
Como era sua primeira vez usando qualquer coisa além de suas vestes de padre cinza, Fran continuou mexendo nas mangas e no colarinho, mas as roupas marrom escuras combinavam perfeitamente com seu comportamento calmo. As roupas verde-claro de Gil irradiavam energia e pareciam completamente naturais para ele, enquanto corria por todo o lugar em excitação.
— Uauuu, estamos do lado de fora! Isso é apenas, cara, agora estou realmente feliz por ter me tornado um assistente!
— Nesse caso, você pode expressar sua devoção recém-descoberta falando de forma mais educada. Você vai envergonhar a Irmã Myne neste ritmo.
— Huuh, claro, eventualmente.
Ele virou a cabeça para olhar para tudo, correndo em direção ao que quer que o interessasse. Era impossível para mim, acompanhá-lo, enquanto também mantinha meu ritmo lento. No final, Fran me pegou e me carregou enquanto Lutz impedia Gil de fugir sozinho.
— É estranho andar fora do templo.
— Bem, este é o meu mundo. Talvez queira relaxar um pouco quando estiver aqui, Fran. Você se destacará se for muito educado.
— É surpreendentemente difícil mudar a maneira como se fala.
Lutz nos guiou até um restaurante perto da praça central. Era um lugar relativamente caro e, aparentemente, um que os comerciantes favoreciam. Em vez de usar grandes e largas mesas para todos, tinha várias mesas pequenas, para pequenos grupos, o que era raro. Eu podia ver vários grupos de pessoas tendo, o que parecia ser, discussões de negócios.
Lutz já tinha ido ao restaurante antes, então pediu a comida que recomendava para nós. Queijos e salsichas cozidos em sal, estavam empilhados em pratos com cestas de pão fatiado nas proximidades. Cada um de nós teve a sua própria tigela de sopa de vegetais, também.
— Hora de comer.
— Huhu? É isso? — Quando Lutz e eu estendemos a mão para pegar o pão, Gil nos deu uma repreensão aguda. Congelamos com os braços estendidos e nos entreolhamos.
— Esquecemos alguma coisa?
— Você tem que orar antes de comer, não é? Escutem. Ó poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis que nos agraciam com milhares e milhares de vidas para consumir, ó poderosos Cinco Eternos que governam o reino mortal, ofereço graças e orações a você e participo da refeição tão graciosamente fornecida.
A julgar pela forma como Gil o entoava fluidamente com os braços cruzados na frente do peito, eu podia dizer que a oração, era algo que aqueles que viviam no templo sempre diziam antes de comer.
— Eu não sei. Nunca ouvi essa oração antes na minha vida.
— Acho que vou ter que memorizar isso.
Com a orientação de Gil e Fran, tentei repetir a oração antes de comer. No entanto, não havia como eu me lembrar disso tão cedo. Eu precisaria escrever no meu bloco de notas quando tivesse a chance.
Abanei esses pensamentos e comecei a comer com Lutz, mas Fran e Gil não fizeram nenhum movimento para se juntar a nós. Eles apenas se sentaram na frente de sua comida.
— O quê? Vocês não vão comer? Você não está com fome? — Perguntei, por curiosidade e, em resposta, Fran balançou a cabeça lentamente.
— Como somos assistentes, não podemos comer até que você termine, Irmã Myne.
— Mas a comida estará fria até lá.
Parecia que Gil queria mergulhar, mas estava se segurando devido à presença de Fran. Ele estava tão inquieto, que parecia um brinquedo preso no lugar.
— Ok, isso é uma ordem. Coma sua comida enquanto está quente e deliciosa.
Eles tiveram que obedecer às minhas ordens e então Fran pegou um pouco de pão, com uma expressão relutante no rosto. Vendo isso, Gil, feliz, fez o mesmo.
Fran comeu, com o tipo de postura graciosa, que não se via muito na cidade baixa. Gil, tendo sido criado no orfanato, também comeu de forma relativamente educada. Lutz era muito mais agressivo com sua comida, pois estava acostumado a encher as bochechas enquanto lutava com seus irmãos o tempo todo. Talvez isso fosse o resultado de um ambiente onde a comida era compartilhada igualmente e não havia brigas ou roubos uns dos outros.
— Vocês dois têm boas maneiras. Quem ensinou isso a vocês?
— O orfanato não pode expôr os sacerdotes azuis a servos desagradáveis ou vergonhosamente incompetentes, assim, somos ensinados por nossos anciãos a comer, andar e assim por diante.
— Sim, sim. O que eu mais odeio é a purificação que temos que fazer antes de deixar o orfanato. Não é tão ruim agora, mas cara, é uma droga no inverno. É como se eles estivessem tentando nos matar.
— Felizmente, aqueles que se tornam assistentes recebem água morna em vez de fria.
Na minha opinião, qualquer instituição, que estivesse preocupada com as aparências, mais do que qualquer outra coisa, era provavelmente um mau lugar para estar. Mas, graças aos seus esforços, Gil parecia limpo e tinha boas maneiras à mesa. Continuei comendo enquanto perguntava sobre como os assistentes eram tratados de forma diferente dos órfãos, quando, de repente, notei as sobrancelhas de Fran franzindo um pouco. Fran estava acostumado a comer a comida dos nobres, sobras ou não, e parecia que a comida servida aqui não era do seu gosto. Ele estava torcendo o rosto um pouquinho enquanto comia.
— Fran, acho que essa comida é muito diferente do que você está acostumado, né? — Sorri e bati na minha testa para indicar que notei sua expressão, o que fez Fran cobrir as sobrancelhas com uma mão, enquanto forçava um sorriso.
— Muito mesmo. Minhas refeições habituais são muito diferentes disso. No entanto, sendo a sopa quente, torna muito mais delicioso. — A comida que ele estava recebendo de seu mestre nobre, era da mais alta qualidade, mas, devido a ser sempre sobras, ele nunca havia comido comida quente recém-cozida antes.
— Eu não me importo com o sabor, desde que meu estômago esteja cheio. Recebemos menos presentes divinos agora, porque todos aqueles padres azuis foram embora e um monte de padres cinzentos foram mandados de volta para o orfanato. — Gil tinha comido a comida, mas no final ele comeu muito menos que Lutz, apesar de ter a mesma idade que ele. Era possível que seu estômago tivesse encolhido de fome, depois que ele foi forçado a comer menos.
— Nesse caso, acho que vou comprar alguma comida extra para o seu jantar e para dar ao orfanato. Eu ir para casa significa que você não terá muito para o jantar, certo?
— Sério?! Está bem! Abençoados sejam os deuses! — Fazia tanto tempo desde que Gil tinha sido capaz de comer sua comida, que ele se levantou animado e fez a pose de oração no meio do restaurante. O restaurante, outrora movimentado, ficou em silêncio e todos os olhos caíram em nossa mesa.
— E-Espere! Não reze aqui fora! — Lutz apressadamente arrastou Gil para fora do restaurante. Pedi desculpas ao dono da loja pela comoção e, após adicionar um pouco à conta para compensar, fugi das instalações.
— Por favor, deixe a oração para o templo. Ninguém reza aqui fora. Ok? Assim como Lutz e eu não sabemos nada sobre o templo, você e Fran não sabem nada sobre a cidade baixa. — Avisei Gil com um suspiro e seus ombros caíram de tristeza visível.
— Foi mal. Desculpa.
— Apenas tenha mais cuidado a partir de agora e vai ficar tudo bem.
— Não estou falando de agora! O que estou dizendo é, desculpe por chamá-la de estúpida e tudo mais. — Parecia que ele se arrependia de como havia agido no templo.
Lutz riu e deu um tapinha nas costas de Gil.
— Somos ambos ignorantes em nossos próprios meios. Se Myne começar a agir estranho, diga a ela o que ela está fazendo errado. Assim como as coisas sobre rezar antes dela comer. Vou ficar de olho em você para que você também não faça coisas estranhas.
— Gil, alguns estão lá vendendo comida para os viajantes. Será um bom lugar para pegar o jantar e um pouco de comida para o orfanato.
O portão leste estava conectado à estrada da cidade, então os negócios eram muito animados, com muitos viajantes. Mas também era menos seguro devido a todos os forasteiros. Olhamos para as arquibancadas, esperando terminar nossos negócios o mais próximo possível da praça central. Comprei vários sanduíches, fatias finas de pão com presunto e queijo colados entre eles, e os envolvi em pano antes de colocá-los em minha sacola.
— Fran, quantas pessoas estão no orfanato? O que devo comprar para eles?
— Há cerca de oitenta a noventa pessoas no orfanato. Os doces nunca são distribuídos, então, talvez, uma caixa de frutas facilmente distribuídas seja ideal, ou alguma quantidade dessas pequenas frutas semelhantes a grãos.
Com a altura extra concedida a mim por Fran me pegando, examinei as barracas de comida de cima. Havia três barracas por perto vendendo frutas. Nós nos movemos entre elas, enquanto eu verificava quais tinham os preços mais baixos.
— Oh, um presente divino— disse Gil, o que fez Fran instintivamente se virar comigo no colo. Lá, o vimos pegar uma fruta de uma pilha em um suporte e começar a mastigá-la. Lutz, que estava segurando a mão para impedi-lo de fugir, estava congelado no lugar com os olhos bem abertos, em choque.
— E-Espere, Gil?!
— Ei, você! O que acha que está fazendo? Está roubando na minha frente?
A senhora atrás do suporte deu um soco no rosto de Gil com um punho cerrado. Ele olhou para mim, atordoado, ainda segurando uma fruta pêssego-esque, conhecida como um prehre. Imediatamente mandei Fran me colocar no chão para que eu pudesse tirar meu dinheiro.
— Sinto muito, senhorita. Este menino tem estado preso toda a sua vida e nem sequer sabe o que é dinheiro. Vou pagar pela fruta, então, por favor, não chame os guardas.
— Desculpe, senhorita. Eu deveria impedi-lo de fazer coisas assim.
Após pagar e me desculpar com Lutz, a senhora balançou a cabeça exasperada.
— Santos Deuses. Não sei de onde esse garoto é, mas fique de olho nele quando estiver lá fora.
— Eu realmente sinto muito. Vá em frente, Gil. Você também, peça desculpas.
— Hã? Er, s-sinto muito. — No meu incentivo, Gil gaguejou um pedido de desculpas, com uma expressão completamente confusa.
— Gil, aquele prehre tinha um gosto bom?
— S-Sim.— Gil olhou para seu prehre meio comido, parecendo preocupado. Eu disse a ele que ele poderia terminá-lo, já que paguei por ele, em seguida, peguei dois pedaços de pano e os usei como sacos, amarrando duas pontas.
— Senhorita, você poderia colocar cinco prehres em cada um desses?
Comprei as frutas para o orfanato no quiosque da senhora, parcialmente como um pedido de desculpas, depois voltei para a praça central. Eu tinha Gil os carregando como punição. Ele não seria capaz de fazer esse tipo de coisa novamente com as duas mãos ocupadas, provavelmente.
— Vou te ensinar a usar dinheiro assim que te pagar pela primeira vez, mas até lá, não toque em nada nas lojas ou nas arquibancadas.
— Tudo bem.
Caminhamos para o norte, pela rua principal, a caminho do templo. Fran estava me carregando e em algum momento, Lutz olhou para mim.
— Ei, Myne. Se importa se eu contar ao Mestre Benno sobre a cozinha antes de voltarmos para o templo?
— Vá em frente. Ele precisará preparar os ingredientes e os pratos, então quanto mais cedo ele souber sobre isso, melhor.
Lutz correu até a loja de Benno, que estava ocupado se preparando para a tarde, tendo acabado de terminar de almoçar. Mandei Fran me colocar no chão para que eu pudesse andar devagar atrás dele. Gil me seguiu, enquanto ainda segurava as compras.
— Oi, Sr. Mark.
— Olá, Myne. O mestre está esperando por você.
Cumprimentei Mark depois que ele saiu para me ver, depois fui para o escritório de Benno com meus dois assistentes. Eu podia ver Lutz parado na frente da mesa de Benno, dando seu relatório.
No segundo em que Benno me viu, ele se levantou, caminhou em minha direção e me levantou.
— Trabalho fantástico, Myne! Uma cozinha realmente usada por nobres, será uma referência perfeita para o restaurante italiano!
Benno bagunçou meu cabelo com tanta força que minha cabeça balançou para frente. Ele estava tão animado, que Fran, que só o conhecia do templo, deu um passo desconfortável para trás. Empurrei a mão de Benno e o fiz me colocar no chão para que eu pudesse sentar à mesa, como de costume.
— Aparentemente, está tudo bem se eu levar chefs para a cozinha dos aposentos, então vim discutir se você poderia ou não contratar um chef em breve e fazê-lo treinar lá. A comida que ele fizer na prática, será a principal fonte de comida para meus assistentes e as sobras serão enviadas para o orfanato, para que os ingredientes não sejam desperdiçados. Também não vai machucar sua carteira se eu pagar pela comida, então acho que é uma ideia perfeita. Você não concorda?
Se era dever dos padres azuis enviar comida para o orfanato na forma de sobras, eu não tinha razão para não pagar por um chef. E se o orfanato estava cheio de crianças famintas como Gil, então, pessoalmente, eu queria fazer tudo o que pudesse por eles. Dito isso, após escrever algumas coisas em um quadro e cair em pensamentos, Benno balançou a cabeça lentamente.
— Não, espere. Pagar pelos ingredientes faz parte do treinamento dos chefs. Eu cubro isso. Se eu deixar você pagar por tudo, não vou ter qualquer apoio se você apenas tomar o chef para si mesma.
Benno deu uma resposta muito mercantil e eu apenas encolhi os ombros. Se ele quisesse pagar, por mim tudo bem. Especialmente porque eu não tinha nenhuma renda no momento, graças ao Ateliê da Myne estar temporariamente fechado para negócios.
— Ok, nesse caso, vou pagar para equipar a cozinha com ferramentas enquanto você paga os custos de treinamento dos chefs?
— Sim, eu quero montar isso, então tudo o que estou fazendo é pegar a cozinha emprestada para o treinamento. Certo. Vamos dar uma olhada.
Benno interrompeu a conversa e se levantou, aparentemente querendo muito ver o forno. Ele parecia exatamente como Gil quando soube que poderia ir para a cidade baixa agora. Honestamente, isso meio que me preocupou.
— Não, Sr. Benno, a cozinha ainda não foi limpa.
— É como a Irmã Myne diz. Ela não pode convidar um visitante para seus aposentos enquanto ainda somos incapazes de servir chá adequado, — disse Fran e Gil assentiu firmemente, de acordo comigo. No entanto, Benno estava tão animado, curioso e investido em ver a cozinha, que ignorou completamente nossas objeções. Ele vestiu um casaco chique por cima de suas roupas normais e sorriu.
— Eu não sou um visitante. Sou comerciante. Uma donzela azul do santuário acabou de conseguir seus próprios aposentos e ela quer encomendar algumas coisas para encher o lugar. Nada de estranho sobre um comerciante aparecer enquanto ainda está um pouco sujo. E o mais importante, eu quero ver a cozinha antes que todos vocês comecem a mexer nela.
— Você está dizendo que vai nos ajudar a limpá-la?
— Haha? Você acha que eu não posso limpar ou algo assim? Bem, você estaria errada. O primeiro trabalho de um comerciante aprendiz é limpar a loja.
Bem, isso é tudo para nós. Posso dizer que ele não vai mudar de ideia, não importa o que digamos. Benno anseia tanto por conhecimento sobre nobres, que nunca perderia essa rara chance de aprender mais sobre eles e suas cozinhas.
— Fran, vamos desistir. Ainda precisaremos pedir um conjunto de chá e tal depois que terminarmos de limpar, então podemos aproveitar a oportunidade para que o Sr. Benno nos ajude.
— Irmã Myne?!
Eu tinha perdido a motivação para tentar pensar em maneiras de parar Benno. Cada segundo gasto tendo essa discussão inútil, era um precioso segundo que eu poderia ter gastado lendo.
— Você pode não saber disso, Fran, mas ‘não gaste o que você não tem’ é um ditado bastante comum. Se Benno quer ajudar, não vamos desperdiçar a oportunidade. Quero usar o tempo economizado para ler livros.
Fran olhou para mim, com olhos arregalados, depois colocou a mão sobre a boca como se quisesse conter uma risada.
— Perdoe-me por isso, mas você não pode entrar na sala dos livros sem eu estar ao seu lado. Não acredito que você terá a oportunidade de ler livros se levarmos o Mestre Benno ao templo.
— Nãooooo!
No final, Benno ignorou tudo o que eu disse a ele e basicamente me sequestrou, me levantando e me levando de volta ao templo, onde eu nem conseguiria ler livros. Uma vez que estávamos lá, ele tirou o casaco e imediatamente começou a limpar, assim como havia dito que faria.
Todos os outros seguiram seu exemplo. Benno e Fran cobriam os lugares mais altos, que exigiam altura e força de braço, enquanto Gil e Lutz cuidavam de lugares mais baixos e menores. Eu não tinha altura nem força, então todos me tratavam como peso morto.
Enquanto chorava lágrimas melancólicas pelos livros que podia ler, sentei-me na mesa do segundo andar e escrevi pedidos de suprimentos, enquanto Lutz me informava do que precisávamos.
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