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Aproximadamente uma semana se passou desde que conquistamos o labirinto de Kegris. Recentemente, concluímos a limpeza de outro labirinto em uma cidade diferente e, neste exato momento, estávamos forçando nossos cavalos na **velocidade máxima** em direção à Vila Sabona, onde ficava o nosso terceiro labirinto alvo.
O motivo da nossa pressa era simples: o labirinto em questão estava sofrendo uma Inundação de Monstros em tempo real. Tendo capturado essa informação através da [Visão de Olho de Pássaro] de Haruto-san, estávamos correndo desesperadamente em socorro à vila.
“Caramba, por que as coisas nunca saem conforme o planejado?!”
Enquanto galopava às pressas em direção à Vila Sabona, Haruto-san soltou uma reclamação vinda ao meu lado.
Na verdade, o mais raro na vida é que as coisas saiam exatamente como o planejado. Um plano é apenas uma diretriz. Na realidade prática, precisamos agir com total maleabilidade e nos adaptar de acordo com a situação de cada milissegundo. Bem, tenho certeza de que Haruto-san sabe disso muito bem.
“Não adianta lamentar agora. Precisamos agir imediatamente para resolver o problema à nossa frente. Haruto-san, qual é a situação atual da vila?”
“Os exploradores locais estão resistindo como podem, mas o contingente deles é muito baixo. As barricadas erguidas ao redor da vila vão ceder antes mesmo de chegarmos lá.”
Quando uma inundação ocorre, o lado humano é forçado a agir de forma puramente passiva. Felizmente, a vila já havia sido alertada pela Guilda sobre o risco iminente de um desastre. Por conta disso, eles montaram barricadas com antecedência e os guerreiros locais saíram para conter a vanguarda, evitando que o pior cenário ocorresse de imediato. Se não tivessem essa informação prévia, os monstros já teriam invadido as casas há muito tempo. Ainda assim, a situação deles continuava no limite absoluto.
“…Vou avançar na frente para garantir a defesa da vila. Haruto-san, identifique os monstros mais poderosos no meio da horda e repasse a localização para a Fuka. Fuka, priorize a eliminação dessas ameaças. Haruto-san, após os alertas, foque em reduzir a quantidade nas áreas com maior densidade de feras.”
“Entendido.”
“Deixa com a gente. Fuka, vamos nessa!”
Confirmando que os dois aceitaram o plano e mudaram o curso de seus cavalos em direção ao flanco da horda, saltei do meu próprio cavalo. Deixei o animal em um local seguro e comecei a construir as fórmulas mágicas enquanto atenuava a gravidade aplicada sobre o meu próprio corpo.
“―― **[Parede Refletora / Reflective Wall]**!”
Projetei barreiras cinzas e semitransparentes no solo e no céu. Utilizando essas duas barreiras como pontos de apoio e manipulando a direção vetorial da gravidade sobre mim, comecei a me deslocar caindo horizontalmente em linha reta em direção à vila.
Embora esse método de locomoção causasse um estresse físico considerável ao corpo, permitia que eu me deslocasse em uma velocidade muito superior à de qualquer cavalo.
Em poucos instantes, alcancei o espaço aéreo sobre a Vila Sabona. Reverti a manipulação gravitacional para o estado normal e, equilibrando-me sobre plataformas de mana que criei no ar, comecei a estruturar múltiplas fórmulas simultaneamente.
(Que bom, cheguei a tempo!)
Lançando um olhar rápido ao redor vindo do céu, constatei com alívio que, embora as barricadas estivessem prestes a ruir, consegui chegar antes que os moradores sofressem qualquer dano real. Atualizei as informações da batalha em minha mente, sobrepondo os dados visuais atuais ao relatório anterior de Haruto-san.
Pensando bem, a Habilidade Inata de Haruto-san, que permite monitorar o campo de batalha constantemente sob esta mesma perspectiva aérea, é realmente formidável. Eu possuo um método de percepção similar através da minha rede de sensoriamento, mas não tenho um campo de visão tão vasto quanto o dele. Estar em um campo de batalha com alguém com essa capacidade é algo extremamente valioso.
“… **[Desbloqueio de Selo / Culmination]**.”
Tendo mapeado toda a situação, liberei as amarras do meu poder. Exatamente no mesmo segundo, a barricada de proteção da vila foi estilhaçada e as feras começaram a avançar para invadir o perímetro residencial.
“Os monstros estão entrando!”
“Já era! Estamos perdidos!”
“Deem um jeito de proteger as mulheres e as crianças pelo menos!”
O pânico começou a se espalhar como um vírus entre os moradores, deixando a vila à beira do colapso social.
“―― **[Salto Espacial / Space Leap]**, **[Martelo de Trovão Celestial / Mjölnir]**!”
Teleportei os guerreiros locais que tentavam se lançar em um ataque suicida de volta para o interior seguro da vila e, no milissegundo seguinte, desabei um relâmpago de proporções colossais diretamente sobre as cabeças das feras.
Observando os moradores paralisados em choque diante do ocorrido repentino, posicionei uma ferramenta mágica de amplificação de voz junto à boca e ditei em alto som:
“Sou Orun, um explorador encarregado pelo governo para realizar a conquista definitiva do labirinto da Vila Sabona! Nós eliminaremos todos os monstros que saíram do labirinto. Peço que todos os moradores se reúnam no centro da vila imediatamente e evitem se aproximar do perímetro exterior!”
Normalmente eu não carregaria um amplificador de voz comigo, mas para esta expedição de conquistas em larga escala, decidi trazer diversos itens utilitários que não costumo usar no dia a dia. O amplificador era um deles.
“Ei, tem alguém flutuando no céu!”
Ao direcionar minhas palavras à população, um dos moradores notou minha presença no alto e, em instantes, todos os olhos da vila se voltaram para o céu.
“Bem, já que preciso garantir que os moradores fiquem calmos, acho melhor fazer uma exibição bem espalhafatosa. ―― **[Lanças Multielementares das Seis Formas / Element Javelin]**, ou algo assim.”
Seis círculos mágicos gigantescos se materializaram ao meu redor. De cada um deles, uma enxurrada de lanças infundidas com os elementos fundamentais da magia — Terra, Água, Fogo, Vento, Gelo e Trovão — foi disparada em sucessão, iniciando uma aniquilação em massa dos monstros que sitiavam a vila. Embora eu tenha inventado um nome pomposo, a técnica consistia puramente em usar a construção paralela para disparar magias de nível avançado da categoria de lanças simultaneamente; não havia nenhum segredo complexo por trás.
Contudo, o impacto visual era avassalador. Mesmo sob a ameaça de um ataque de monstros, os moradores que testemunharam o bombardeio elemental romperam em gritos de júbilo e aplausos. Parecia ser uma vila consideravelmente calorosa.
Notando que Fuka e Haruto-san também haviam alcançado o flanco da horda, a segurança da vila estava garantida. Aliviado por termos evitado o pior cenário, mantive a concentração e continuei caçando cada fera que pisava na superfície.
◇
“Bom trabalho, Fuka, Haruto-san.”
Após erradicar por completo as feras da superfície, aterrissei próximo aos dois que caminhavam na direção da entrada da vila, cumprimentando-os pelo esforço. Os exploradores locais aparentemente haviam se deslocado até o perímetro para iniciar a reconstrução das barricadas, então não estavam nesta área.
“Opa, bom trabalho para você também, Orun! Aquela sua magia foi um verdadeiro show de horror de tão espalhafatosa!”
“Achei que seria o caminho mais rápido para trazer tranquilidade ao coração dos moradores.”
Enquanto eu conversava com Haruto-san, um grupo de pessoas vindo da vila começou a se aproximar de nós.
“Os senhores seriam os exploradores enviados pelo governo?”
Um senhor que aparentava estar na casa dos sessenta anos se adiantou como representante da população para nos questionar. Pelo fato de tomar a palavra neste momento, deduzi que se tratava do chefe da vila.
“Sim, somos nós. Permita-me apresentar novamente: sou Orun, um explorador.”
“O mesmo vale para mim, sou Haruto.”
“…Fuka.”
“Oh! Eu já imaginava! Eu sou o chefe desta vila, meu nome é Jaylas. Lorde Orun, Lorde Haruto, Lady Fuka, expresso minha mais profunda gratidão em nome de toda a Vila Sabona por terem nos salvado deste desastre.”
“Não há de quê. Ficamos felizes por termos chegado a tempo.”
Enquanto eu conversava com o chefe Jaylas, notei uma série de sussurros vindos dos moradores que se aglomeravam logo atrás dele.
Apurando meus ouvidos para captar os murmúrios, ouvi frases como: *”Esse nome, ‘Orun’… sinto que já ouvi em algum lugar”* e *”Sim, eu também. Onde foi que escutei isso antes?”*. Parecia que eu havia virado o tópico de discussão deles.
“Eu conheço o emblema no peito desse irmãozão! É a marca do [Coelho Prateado do Céu Noturno], um clã incrivelmente famoso!”, um garoto na fileira da frente gritou subitamente.
“Orun do Coelho Prateado…?”
“É ele! É o ‘Herói do Reino, Orun’, daquela música que o bardo cantou na vila semana passada!”
“O quê?! Aquele explorador que derrotou o Herói enlouquecido e salvou Tutrail de uma Inundação de Monstros sozinho?!”
Pegando o gancho do grito do garoto, a multidão explodiu em clamores e vozes excitadas.
Exatamente como os moradores discutiam, após os eventos do Festival de Agradecimento do ano passado, onde contive o surto de Oliver e lidei com os incidentes subsequentes, os jornais me estamparam massivamente como o **”Herói do Reino”**. Contudo, aquilo era um exagero ridículo. Eu sequer participei diretamente da contenção da inundação principal na cidade; a reportagem fora escrita com uma dose cavalar de sensacionalismo.
Infelizmente, os leitores não tinham como saber disso e, desde então, passei a ser chamado de “Herói” com uma frequência incômoda. Eu jamais imaginaria que minha história viraria tema de música de bardo e alcançaria até mesmo uma vila pacata do interior como esta.
“L-Lorde Orun… o senhor é realmente o lendário ‘Herói do Reino’?”
O chefe Jaylas perguntou com olhos brilhando em pura expectativa.
“B-Bem… é verdade que algumas pessoas me chamam por esse título.”
Assim que confirmei a indagação do chefe, a multidão rompeu em uma salva de palmas e gritos ainda maior do que antes.
“Pensar que o próprio Herói viria em socorro da nossa vila… Devemos agradecer aos céus por esta benção divina! Povo de Sabona! Preparem um banquete imediatamente! Vamos oferecer a melhor hospitalidade possível para os nossos três salvadores!”
Até mesmo o chefe Jaylas, que antes mantinha uma postura sóbria, perdeu a compostura ao descobrir meu título, ordenando imediatamente que os moradores iniciassem os preparativos para uma festa.
Ao ouvir a ordem, senti uma gota de suor frio escorrer pela minha nuca. Eu realmente apreciava a recepção calorosa, mas…
Olhando para o lado, notei que Haruto-san exibia uma feição igualmente tensa. Ele certamente estava compartilhando do mesmo temor que eu.
O nosso grande medo era um só: **Fuka poderia facilmente devastar os estoques de mantimentos daquela vila inteira**.
Estávamos no final de janeiro. O inverno ainda duraria por um bom tempo e o frio continuaria rigoroso. Se os moradores gastassem todas as suas reservas de comida para nos banquetear, haveria um risco real de passarem por dificuldades severas mais adiante, e eu queria evitar causar esse dano colateral à população.
Contudo, a causa do nosso desespero estava ao lado, com os olhos brilhando intensamente enquanto murmurava: “Estou ansiosa pela comida do banquete”. Ao longo dessa última semana, passei a ser capaz de decifrar as micro-variações nas expressões faciais de Fuka.
“Agradecemos profundamente a generosa oferta, chefe, mas nós temos um cronograma extremamente apertado e precisamos partir…”
“Ah… E-Entendo… Que lástima…”, o chefe Jaylas deixou os ombros caírem visivelmente, exibindo uma decepção tão genuína que meu peito doeu. Ainda assim, forcei meu coração a ser gélido para salvar a vila das garras famintas de Fuka.
―― No entanto, o inimigo real jogava no meu próprio time.
“Nós não tínhamos combinado de pernoitar nesta vila hoje? Além disso, acho errado recusar a hospitalidade genuína das pessoas.”
Fuka, que raramente se metia em diálogos sociais, quebrou seu silêncio para intervir diretamente na conversa.
(Caramba, quando o assunto é comida, você não perde uma brecha!)
“Se é assim, por favor, façam a honra de passar a noite conosco! Vou providenciar os aposentos imediatamente!”
Aproveitando a brecha deixada por Fuka como um peixe que encontra a água, o chefe Jaylas retomou o entusiasmo e insistiu para que ficássemos.
“Ei, Orun, o que a gente faz? Eu me recuso a ver a Fuka devorar a comida dessa gente e fazer a nossa equipe ser odiada por esta vila no futuro…!”, Haruto-san aproximou-se e sussurrou desesperadamente no meu ouvido.
“Eu também quero evitar esse cenário a todo custo…! Haruto-san, só para eu recalcular os riscos: se nós recusarmos de forma impositiva agora, o quão irritada a Fuka vai ficar?”
Perguntei em voz baixa para tentar mensurar as consequências.
“……B-Bem… sobre isso… Hahaha…”, Haruto-san desviou o olhar e soltou uma risada nervosa, esquivando-se de dar uma resposta direta.
“Não tente fugir da realidade com uma risada!”
“Hã, aconteceu alguma coisa?”
O chefe Jaylas nos questionou, estranhando o nosso cochicho secreto.
“N-Não! Não é nada!…Bem, o chefe tem razão. Como a Fuka mencionou, seria rude recusar tamanha gentileza, então aceitaremos a sua hospitalidade com gratidão. Contamos com os seus cuidados hoje.”
Assim que respondi ao chefe, ele soltou um suspiro aliviado e voltou a coordenar os moradores para a celebração.
“Ei, você tem certeza disso?”, Haruto-san me encarou com uma feição extremamente complexa.
“E o que mais eu poderia fazer? Recusar uma segunda vez nesta situação seria incrivelmente rude e eu sequer consigo prever o tamanho do estrago se a Fuka ficasse de mau humor.”
Enquanto eu encerrava o cochicho com Haruto-san, o chefe Jaylas retornou após finalizar as instruções.
“Bem, como combinamos, realizaremos um banquete esta noite. Por favor, façam as honras de participar.”
“A-Ah… agradecemos imensamente. Mas, por favor, realmente não há necessidade de exageros; uma celebração modesta será mais do que suficiente.”
Tentei apelar para o bom senso do chefe, embora soubesse no fundo que a tentativa seria em vão.
◇
Posteriormente, deixei Haruto-san encarregado de monitorar a vila como garantia e parti junto com Fuka para realizar a conquista do labirinto local. Como o local acabara de expelir a horda pela inundação, a densidade de monstros em seu interior estava extremamente baixa, permitindo que alcançássemos o Núcleo do Labirinto e concluíssemos a limpeza sem grandes dificuldades. Não encontramos nenhuma pista humana em seu interior, impossibilitando discernir se o desastre fora um fenômeno natural ou uma sabotagem artificial. Contudo, dado o panorama atual do país, a hipótese de intervenção humana continuava sendo a mais provável.
E, durante todo o trajeto de volta, gastei cada grama do meu poder de persuasão implorando desesperadamente a Fuka.
Prometi a ela que, assim que alcançássemos a próxima grande cidade do nosso itinerário, eu a levaria para comer absolutamente tudo o que ela quisesse em um restaurante luxuoso, contanto que ela se contivesse e moderasse o apetite durante o banquete da vila.
Graças aos meus esforços hercúleos de negociação, Fuka manteve a palavra e não consumiu o suficiente para esvaziar os estoques de Sabona. Embora, sendo totalmente honesto, ela ainda tenha comido consideravelmente mais do que eu e Haruto-san juntos…
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