Dentro de um dos gigantescos prédios feitos de vidro, múltiplos portais que emanavam grandes ondas de poder mágico brilharam.
-Vuam! -Vuam!
Em seguida, quando os brilhos desapareceram, um grupo de pessoas atravessou um dos portais. Cada uma usava um traje de combate de estilo diferente, que variava de roupas finas a volumosas armaduras metálicas. As armas também variavam: havia aqueles que carregavam espadas enormes e aqueles com cajados de magia.
“Até mais, Capitão.”
“Bom trabalho hoje, pessoal.”
“Espero que nos guie novamente, Capitão.”
Acenando em despedida para a última pessoa que saiu do portal, todos os integrantes do grupo abriram um largo sorriso.
Pelo visto estavam de bom humor…
“Hee… não esquenta, só estou fazendo o meu trabalho.”
Se despedindo do grupo vestido de trajes de combate com cores diferentes, um homem de meia-idade, com um sorriso preguiçoso no rosto e um grande charuto entre os lábios, permanecia de pé no saguão do prédio.
Ele tinha cabelos pretos, uma barba mal cuidada e uma aura feroz e dominante que fazia todos em volta o olhar com respeito.
Leopold Ray.
Esse era o nome do homem de meia-idade parado no meio do saguão.
Um Herói de <Classe D> e um líder de grupo que trabalhava para o grupo mercenário Luar, de Nível [IV].
O trabalho dele era bem simples.
Tudo o que tinha que fazer era treinar novos recrutas que o grupo mercenário estava de olho.
Em termos de posição dentro do grupo, ele ocupava o nível mais baixo da corporação mercenária. Ainda assim, apesar de estar no fim da hierarquia, era uma figura bastante respeitada entre os recrutas.
…e isso era porque ele sabia exatamente como fazer seu trabalho.
Durante as expedições às masmorras, ele é meticuloso, eficiente e confiável.
Contando que ele esteja no comando, as expedições com os novatos acabavam a maior parte das vezes sem ferimentos. Além disso, todos os recrutas aprendiam muito com Leopold, pois ele sempre os orientava com calma quando a situação exigia.
Porém, apesar de suas conquistas, o conselho do grupo nem se importava em promovê-lo ou aumentar seu salário. Para eles um Herói de <Classe D> não valia o seu tempo.
Esperando pelo Leopold na recepção do prédio, uma jovem garota de cabelos castanhos usando um uniforme cinza impecável, o recebeu com um sorriso profissional no rosto. Pegando um montinho de notas do caixa, ela as ofereceu com ambas as mãos para Leopold.
“Bem-vindo de volta, Leopold. Aqui está seu pagamento.”
“Ah, obrigado, Natasha.”
Agradecendo a recepcionista, chamada Natasha, Leopold pegou as notas e as contou com precisão.
“100U… 500U… 2800U… 5000U… dá para o gasto por agora.”
Acenando com a cabeça, Leopold guardou as notas no bolso e se despediu de Natasha com um aceno.
“Beleza, te vejo por aí, Natasha.”
“Tenha um bom dia, Leopold.”
Com o seu habitual sorriso profissional, Natasha acenou de volta.
Não muito longe de Leopold, um jovem homem vestindo um terno preto e óculos escuros entrou no prédio, e assim que o viu foi em direção ao homem de meia-idade.
Quando se aproximou de Leopold, o jovem rapaz chamou sua atenção.
“Com licença?”
E tendo acabado de receber seu pagamento, ao escutar alguém lhe chamando, Leopold olhou para o jovem rapaz e respondeu.
“Sim?”
Abrindo um sorriso radiante, o jovem estendeu a mão na direção dele.
“Muito prazer, Senhor Leopold. Deixe-me apresentar, me chamo PequenaCobra.”
…..
No mesmo dia, não muito longe de onde PequenaCobra estava: Ípsilon Café.
Sentado no canto do estabelecimento, em uma parte mais isolada do local, bebericava o meu café com leite.
Agora que tinha resolvido algumas coisas em questão da empresa, era hora de terminar minha próxima tarefa.
Tinha considerado começar recrutando a Ava, mas depois de ler os documentos que o PequenaCobra me mandou, percebi que recrutá-la não seria algo complicado.
Por isso, decidi pular essa e ir direto para a tarefa mais difícil.
‘De alguma forma convencer o Kevin de me levar até Immorra.’
Com sorte, já tinha uma ideia de como faria isso.
É por isso que, no momento, estava sentado dentro de um Café, esperando por ele.
“Finalmente te achei, levou um tempo para conseguir te achar.”
Meus pensamentos foram interrompidos pela figura de Kevin. Ele estava usando um moletom preto com capuz que escondia seu rosto.
Sentando-se na cadeira e tirando o capuz, os olhos vermelhos intensos de Kevin se revelaram. Segurando um copo de café, Kevin olhou para mim e perguntou.
“Então… por que me chamou até aqui?”
“Hm? Eu não falei antes que tenho uma proposta para fazer a você?”
“Uma proposta?”
Com uma expressão de confusão, Kevin pensou por um momento antes de concordar com a cabeça. Apesar de não fazer ideia do que seria a proposta, o garoto estava curioso sobre o motivo de tê-lo chamado tão longe da escola.
“Isso…”
“Muito bem, qual é a proposta?”
Com um sorriso no rosto, levantei a mão, mantendo a palma aberta. Ao perceber meu gesto, a expressão de confusão de Kevin se intensificou.
“Um toca aqui?”
Negando com a cabeça, meu sorriso se alargou ainda mais.
“Não, cinco.”
“Cinco…?”
Olhando direto nos olhos de Kevin, disse calmamente.
“Manual da Arte da Espada, Cinco Estrelas.”
Assim que as palavras saíram da minha boca, a atmosfera à nossa volta congelou.
Isso mesmo que você leu.
Estou oferecendo um Manual de Cinco Estrelas para ele. Para ser mais preciso, estou apenas oferecendo a ele, algo que já seria dele no futuro.
Manual Cinco Estrelas: [Estilo Levisha].
Um dos três Manuais da Arte da Espada, Cinco Estrelas, que criei especialmente para o Kevin.
Pela cronologia da novel, ele só deveria conseguir essa Arte da Espada daqui a uns dois meses.
Contudo… agora que a oportunidade se apresentou, por que não usá-la como isca para convencer o Kevin de me levar até Immorra?
E mesmo se ele não aceitar, pelo menos irei ter chamado a atenção dele.
“Huuuu…”
Respirando fundo, Kevin fez seu melhor para manter a compostura.
Um Manual de Cinco Estrelas… seu valor é inimaginável. Até mesmo com a ajuda do sistema, duvidava se conseguiria adquirir um na vida.
‘Como carambas ele teria um Manual de Cinco Estrelas?’
Observando Ren, Kevin não pôde deixar de achá-lo cada vez mais misterioso quanto mais o conhecia.
Mas… ele não era impulsivo o suficiente para aceitar uma proposta assim sem ouvir mais. Sem dúvidas, o Ren precisava de algo em troca. Por isso, levando alguns segundos para recompor-se, perguntou.
“Mas…?”
Assenti em silêncio, sem responder imediatamente.
“Bom… vamos dizer que possuo uma habilidade que me permite ver partes do futuro.”
“Huh?”
Sem saber como reagir, Kevin apenas me olhou com uma cara de tacho. Ver o futuro?
Embora não seja incomum hoje em dia alguém possuir tal habilidade, elas ainda eram diamantes encontrados. Além do mais, sem dúvida seriam recrutados pelas topes guildas.
Esse era o tamanho do valor dessas pessoas.
Me observando ainda mais confuso, Kevin começou a ficar cauteloso.
‘Por que ele me revelaria uma informação grande dessas?’
Ao perceber o conflito interno de Kevin, meu sorriso ainda continuou estampado no meu rosto.
“Você não acredita em mim, não é?”
Pausando por um momento, olhei direto nos olhos do garoto e falei.
“Apesar de não ter visto nada nítido, minha habilidade conseguiu me deixar ver uma coisa interessante.”
Ainda olhando suspeitosamente para mim, Kevin perguntou.
“O que…?”
“Que você tem uma habilidade capaz de viajar entre diferentes planetas…”
“…”
Assim que as palavras saíram da minha boca, quase como se o tempo tivesse congelado, ele fixou seu olhar intenso em mim.
Sinceramente, estou bastante impressionado com o tamanho de bosta que está saindo da minha boca.
Na verdade… não estava mentindo quando disse que conseguia ver o futuro. Afinal de contas, eu realmente tenho um livro que me permite ver 10 minutos no futuro.
Só não era exatamente da mesma forma que disse para ele… mas, ele não precisava saber desse fato.
Fazendo o seu melhor para manter-se calmo, Kevin baixou a cabeça e falou em um tom baixo.
“V-Você, até onde você sabe?”
Sorrindo com todo o carisma que conseguia, balancei a cabeça algumas vezes.
“Não muita coisa, só consegui ver sobre isso…”
É óbvio que eu sabia de mais coisas, mas não tem por que fazer ele ficar cauteloso comigo. Por enquanto, isso bastava.
Afinal, precisava da ajuda dele. Não tenho tempo para ele ficar todo fechado comigo.
“Fuuuuu… preciso de um tempo para pensar.”
Inspirando fundo, Kevin se jogou contra o encosto da cadeira e começou a pensar.
‘Um Manual de Cinco Estrelas.’
Tinha que admitir, era uma oferta tentadora.
O único problema era…
Lançando um breve olhar na direção de Ren, que bebia seu café, Kevin não pôde deixar de pensar.
‘Será que posso confiar nele?’
Apesar de já ter interagido com ele no passado, eles nunca conversaram tanto assim. Nunca passou de 10 minutos. Para ele, Ren era um completo enigma, alguém impossível de decifrar, não importava o quanto tentasse.
Quanto mais descobria, mais o véu do mistério aumentava em volta dele.
Era quase como se ele fosse um ser que não era para fazer parte desse mundo…
*Suspiro*
Suspirando, Kevin não sabia descrever o que estava sentindo. Era uma sensação estranha.
“Aonde você quer ir?”
“Então… você realmente consegue viajar entre planetas?”
Pego de surpresa, Kevin me olhou com uma expressão de confusão.
“Huh?”
Um leve sorriso surgiu em meus lábios enquanto eu girava a xícara de café entre as mãos. Então, lancei um olhar significativo para Kevin.
“Bom, para ser honesto, apesar de conseguir ver o futuro, não são todas que se tornam verdadeiras… mas, agora que você perguntou para onde quero ir.
Isso confirmou que você realmente possui a habilidade para viajar entre planetas… interessante.”
Kevin abriu a boca, mas não conseguiu dizer uma única palavra.
‘Eu acabei de cair na dele…?’
“Immorra.”
“Huh?”
“Esse é o nome do planeta que quero ir.”
“Immorra? Você é doido?!”
Arregalando os olhos, Kevin levantou da cadeira com tudo e me encarou em choque.
É importante observar que, embora Kevin nunca tenha ido para Immorra antes, ele conseguia ter uma descrição detalhada sobre o planeta graças ao sistema.
De acordo com o sistema, se ele fosse para Immorra com suas habilidades de agora, apenas a morte o esperava.
Pelo que leu, ele precisa ser ao menos <Classe C+> para <Classe B->, para sequer pensar em colocar os pés naquele lugar… mas, aqui estava ele sendo pedido para ir até lá.
O Kevin de agora só era <Classe D->!
Como que um <Classe D-> como ele iria para um lugar perigoso como aquele? Isso não é só estar cavando a própria cova?
“Sinto muito, mas-“
Ergui a mão para impedir Kevin de dizer qualquer coisa e, antes de falar, dei um bom gole no meu café com leite.
“Não seja precipitado com a resposta.”
“Não, não estou sendo precipitado. Eu só não sou louco!”
Colocando o copo vazio na mesa, olhei para Kevin e disse.
“Que tal assim, semana que vem, no sábado, me encontre do lado de fora da estação. Vou provar para você que não tem nada com que se preocupar.”
Negando com a cabeça, Kevin se levantou.
“Mesmo assim, minha resposta ainda é não.”
Enquanto assistia Kevin indo embora, ainda sentado relaxado na cadeira, perguntei.
“Você realmente está disposto a sacrificar a chance de conseguir um Manual da Arte da Espada Cinco Estrelas assim? Quero dizer, tudo que precisa fazer é me seguir na semana que vêm e aí você pode decidir se vai aceitar ou não.”
Parando onde estava e mordendo o lábio, Kevin não pôde deixar de se sentir tentado.
Uma parte realmente queria ir embora e recusar a proposta… Porém… ele tinha a chance de conseguir um Manual de Cinco Estrelas fácil assim, não era algo de se recusar facilmente.
Se quisesse matar os demônios responsáveis por matar seus pais precisaria ficar mais forte.
E mesmo estando no caminho certo… Kevin ainda sentia que seu progresso estava lento…
Ele queria se tornar mais forte o quanto antes…
Ele não queria nada mais do que matar aqueles responsáveis pela morte de seus pais.
Só de imaginar o quão forte ficaria se conseguisse pôr as mãos em um Manual de Cinco Estrelas… Kevin conseguia sentir sua determinação se esvair.
“Huuuu…”
Respirando fundo e voltando sua atenção para Ren, ele disse.
“Preciso de mais tempo… para poder pensar sobre isso…”
Abrindo um sorriso leve, assenti.
“Sem pressa, você tem até a semana que vem para me dar a resposta.”
“Obrigado.”
Com um aceno sério de cabeça, Kevin deixou o Café.
“Huh?”
Um minuto depois do Kevin ter ido embora, avistei o recibo ainda na mesa. Perplexo, olhei na direção da entrada do Café e gritei.
“Ei, você esqueceu de pagar o seu café!”
Comentários (0)
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar!