“Pheeew…”
Ao sair do prédio da seção B, soltei um suspiro de alívio.
O pedido da Donna realmente me surpreendeu. Vim até aqui só pensando que iria entregar o formulário e ir embora, mas pelo jeito ela tinha outros planos para mim.
A situação foi tão inusitada que mal tive tempo de pensar nos benefícios e prejuízos do acordo.
*Suspiro*
Só de lembrar sobre o que aconteceu na sala me fazia suspirar. No entanto, quanto mais pensava no acordo que fiz com a Donna, mais o meu humor melhorava aos poucos.
No geral, o motivo por ter aceitado o pedido na hora foi porque o acordo parecia me favorecer.
E agora que tive tempo para pensar mais sobre, ainda pensava o mesmo…
Afinal, a Donna em pessoa vai me treinar por um tempo.
Por mais que teríamos treinadores para o torneio, eles não vão ensinar nada além das habilidades que precisaríamos para a modalidade. Não seria a mesma coisa.
E mesmo que a Donna não usasse uma espada, isso não importava.
A maestria que ela tinha sob a mana e psion eram de outro nível.
A Arte da Espada não apenas focava nas espadas, pelo contrário, o controle sobre os psion era uma das coisas mais importantes quando se está treinando qualquer tipo de Arte.
Vamos pegar o [Estilo Keiki], por exemplo, para que eu consiga alcançar uma velocidade extrema com a minha espada, precisa cobri-la com psion de vento.
Se conseguir ter um controle melhor sobre os psion, acho que alcançar o Grande Domínio da Maestria não demoraria muito.
Sem contar que, como só vamos treinar o controle sobre a mana, não vou precisar revelar qual o Manual estou treinando… e isso só não beneficiária o [Estilo Keiki], como também todos os meus Manuais.
Levando tudo isso em consideração, seria idiotice a minha rejeitar o acordo. Era bom demais para ser rejeitado.
Aliás, também tinha outro motivo para não ter recusado. Por que caralhos eu iria querer comprar briga com um Heroi classificado por causa de um mero torneio? Meu cú que vou.
Afinal, ela apenas pediu para que eu passe na seleção, Donna não disse nada sobre eu ter que ser um dos jogadores principais. Só de conseguir virar um jogador reserva, já conseguiria todos os benefícios sem fazer muito.
Não fazia sentido recusar se isso acabasse prejudicando meu relacionamento com ela. Afinal, ela ainda poderia me ajudar no futuro, caso fosse necessário.
Preciso construir conexões para o meu futuro. Se eu quiser chegar até o fim da novel, não posso ficar deixando más impressões em todo lugar só por causa de como penso. Preciso pensar em longo prazo.
Havia momentos em que eu precisava aceitar uma perda… bem, desde que ela não fosse grande demais.
E por mais que esteja pensando assim, não pude segurar o sorriso que se formou nos meus lábios diante da situação favorável para mim.
Por mais que parecesse que tinha perdido, esse não era o fato.
Quero dizer, como mencionei antes, eu não preciso ser um dos jogadores principais. Tudo que preciso fazer é passar na seleção e pronto.
Depois de chegar nessa conclusão, mal consegui segurar o riso.
Ela pode ter ganhado a batalha, mas eu ganhei a guerra… bom, os dois vão sair ganhando, então não tinha tanta certeza sobre isso.
Independente do fato, agora que tinha acabado, comecei a caminhar de volta para o meu dormitório.
Já era tarde e precisava descansar.
Durante o caminho de volta, acabei lembrando de algo, e rapidamente escrevi uma mensagem antes de mandar.
Já era hora de resolver um dos meus maiores problemas…
…..
A fumaça tomava conta de tudo, enquanto o céu era coberto por um tom avermelhado. O som de escombros desabando ecoava por toda parte e prédios e outras construções em ruínas podiam ser vistos por todos os lados.
Sinais evidentes de confrontos estavam espalhados por toda parte. Crateras e enormes fendas marcavam as ruas desertas daquele local ainda não revelado…
“Khhh…”
Com certa dificuldade, uma bela mulher de porte elegante se levantou. Sua pele era branca como jade e seus longos cabelos negros caíam suavemente ao lado do rosto. Ela era de uma beleza deslumbrante… no entanto, havia algo de diferente nela.
Ela tinha dois chifres longos e pretos no topo da cabeça…
Arrumando a postura, o vestido vermelho elegante da Matriarca agora estava todo rasgado, revelando partes da pele pálida.
Ela permaneceu imóvel, sem demonstrar qualquer expressão, no centro dos destroços observando a destruição ao seu redor, bem como a enorme cratera que a cercava.
Silêncio era a única coisa que envolvia o local. A atmosfera estava tão sufocante que parecia impossível respirar. Não era nem preciso dizer uma única palavra sobre os demônios ajoelhados ao seu lado.
Depois do seu contratante, Elijah, morrer alguns meses atrás, a Matriarca se encontrava em um estado de fraqueza.
Durante o tempo que estava fraca, procurando por toda parte e usando todos os recursos de seu clã, a Matriarca finalmente conseguiu descobrir que o responsável pela morte de Elijah era Amanda Stern… filha do Líder da Guilda Número Um do Domínio Humano.
Essa notícia a deixou sem reação. Seu clã não tinha condições de enfrentar, muito menos provocar, uma existência tão poderosa…
No entanto, enquanto lia os relatórios, ela percebeu que eram falsos.
Como Elijah era seu contratante ela conseguiu ter um vislumbre da situação antes da morte dele… e pelo que tinha visto, o verdadeiro assassino não era Amanda… não… era outra pessoa.
Porém, não importa o que fizesse, não conseguia descobrir quem era o verdadeiro responsável… e, enquanto estava no processo de descobrir o verdadeiro assassino, ela foi emboscada por um membro de seu próprio clã que desejava tomar seu lugar.
Por isso, depois de uma longa batalha, ela de alguma forma conseguiu continuar no topo.
Depois de lutar com a sua vida em jogo e perdido uma parte de seu poder, a Matriarca ficou totalmente sem energia. Contudo, apesar da situação que se encontrava, ela não podia demonstrar nada.
Engolindo à força o gosto metálico que lhe tomava o fundo da garganta, a Matriarca falou.
“O que vocês têm a dizer sobre isso?”
“Angeli-khhh.”
-Vuam!
Assim que a Matriarca fez a pergunta, um dos demônios ajoelhados no chão se pronunciou. Contudo, assim que a primeira palavra saiu da boca dele, uma pressão enorme caiu sobre o corpo dele.
Dominando o demônio com o resto de força que ainda lhe sobrava, a Matriarca disse, devagar.
“Oh? O respeito que tinham por mim caiu tanto assim que agora nem meu título vão usar, é?”
O nome completo da Matriarca era Angelica Von Droix.
A atual chefe da Tribo Charme, um subsidiário do Clã Luxúria.
O motivo de sua explosão de raiva era simples: ela era a atual Matriarca de sua tribo. Ser chamada pelo próprio nome significava apenas uma coisa… aquele demônio já não a reconhecia como Matriarca.
“Assim que ouviram sobre o meu estado, vocês tentaram aproveitar a oportunidade e me derrubar, que patético.”
Ao mesmo tempo que falava, o olhar de Angelica se direcionava aos poucos demônios ajoelhados diante de si, cujo os rostos antes cheio de arrogância, agora estavam esmurrados e cheios de desesperos. Era óbvio que estavam sendo completamente dominados pela Matriarca.
“E pensar que eram tão corajosos… e idiotas em pensarem que teriam alguma chance de me derrotar, só por causa do meu ferimento… muito admirável.”
Quando os pés descalços de Angelica começaram a se mover entre os demônios, uma aura começou a se formar em volta de seu corpo, deixando impossível que todos que estavam presentes conseguissem olhar em sua direção.
“Patético…”
Embora tenha tentado esconder a notícia sobre seu ferimento dos membros da tribo, não conseguiu esconder por muito tempo.
Eles acabaram descobrindo. E com isso armaram por suas costas para que tivessem a oportunidade de subirem de classe.
Infelizmente, eles erraram sobre uma coisa. Por mais que Angelica estivesse enfraquecida devido a morte de Elijah, ela ainda era um demônio de Classe Barão no limite para Visconde.
Desde o início eles nunca tiveram chances.
Enquanto caminhava entre os demônios com suas esguias pernas, alvas como jade, Angelica analisou lentamente cada um deles. Um leve sorriso surgiu em seus lábios antes que ela finalmente falasse.
“Vocês só estavam aqui para pegar o meu título… ou estavam aqui para outra coisa, como…”
Antes mesmo de terminar de falar, os demônios em sua volta tremeram de forma incontrolável.
“N-Não…”
Fazendo uma breve pausa, Angelica estreitou os olhos e olhou para a esquerda. No centro de uma pequena cratera, um caixão negro permanecia parcialmente enterrado no chão.
Sobre ele, várias mãos esqueléticas e pálidas se estendiam em direção a uma gema incrustada no centro do caixão. Na tentativa desesperada de alcançá- la, elas criavam uma cena estranha, como se estivessem abraçando delicadamente o caixão negro.
Observando o caixão, Angelica murmurou.
“O Caixão da Noite Amaldiçoada…”
-Vuam!
Assim que as palavras saíram de sua boca, sua própria presença brilhou como uma estrela. Um brilho avermelhado, que parecia envolver o mundo inteiro, caiu sobre todos os demônios presentes.
-Spurt! -Spurt! -Spurt!
Assim que o brilho se expandiu, os corpos dos demônios pulverizaram, morrendo no mesmo instante.
“Huuu…”
Respirando fundo, Angelica fechou os olhos, tentando seu melhor para recuperar sua energia. Um minuto depois de os ter fechado eles se se abriram e observaram o horizonte.
“O que devo à sua presença… Everblood.”
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