Re:Zero – Começando a Vida em Ou... Cap. 21 — A Gangue Está Toda Aqui

Ele saltou em direção à cintura dela e abraçou seu pequeno corpo enquanto caíam ao chão.

Antes de tocar o solo, sentiu como se aço tivesse chamuscado os cabelos na nuca, fazendo-o estremecer. Mas se forçou a ignorar a sensação por causa do peso em seus braços, tentando criar alguma distância enquanto rolava.

Ele se pôs de joelhos e se virou, encontrando Elsa parada, com uma expressão de surpresa. Sentiu como se tivesse conseguido enganá-la e abriu um sorriso trêmulo diante de sua pequena vitória.

O sorriso quase a fez retaliar, mas ela se virou para se defender dos estilhaços de gelo que vinham em sua direção. Agradecido pela ajuda da Não-Satella, ele olhou para o próprio peito.

“Você tá bem?! Foi uma situação desesperadora, então me perdoe se toquei em algo que não devia!”

“Eu teria agradecido se você não tivesse dito isso…Espera, por quê?”

“Não faço ideia! Meu corpo se moveu sozinho! Foi um milagre, sério! Make miracle! Se eu tivesse que dizer, foi pra retribuir um favor, embora você provavelmente não saiba do que eu tô falando! Você não sabe!”

[N/T Americano: Subaru diz “Make miracle” em inglês]

[N/T BR: “Make Miracle” significa “Foi um milagre” em Português Br]

Ele soltou Felt e fechou o punho, parabenizando a si mesmo por ter conseguido fazer algo certo.

No segundo mundo, Felt o havia salvado de Elsa. Agora, ele pôde retribuir. Mas essa era uma memória sem valor nesse mundo, onde tanto Felt quanto Subaru já haviam caído diante da lâmina dela.

Mas ainda assim, a gentileza que ele recebeu não simplesmente desapareceria. E se ele podia se mover agora, obviamente precisava ver isso até o fim.

“Beleza, consigo me mexer. Será que esse roçar da morte me deixou mais determinado? Fanfarronice ainda é bravura, imprudência ainda é coragem. Eu vou fazer isso, é hora de fazer isso, tenho que fazer isso, vou fazer isso, não vou?!”

“H-Hey, mano…”

“Escuta aqui, listen me. Ouve bem, Felt. Vou começar a ganhar tempo, igual o Rom fez antes de cair em batalha. De um jeito ou de outro, vou criar uma abertura. Usa isso pra fugir. Corre direto pela entrada com tudo, sem olhar pra trás. Isso se chama escape, entendeu?”

[N/T Americano: Subaru diz “listen me” e “escape” em inglês]

[N/T BR: “Listen me” é falado errado por Subaru, significa “Me escuta”. “Escape” significa “fugir”.)]

“…! De jeito nenhum! Você tá mesmo me mandando virar as costas e fugir?!”

Seus olhos vermelhos o encararam como se o desafiassem, e ele aceitou o desafio, aproximando o rosto dela do seu.

Ele percebeu imediatamente quando, por um instante, sua firmeza fez a expressão de Felt vacilar.

“Isso mesmo, vire as costas, esconda o rabinho e fuja. Pra falar a verdade, é o que eu queria fazer. Não quero ficar nem mais um segundo nesse inferno violento.”

Ele deu um tapinha no cabelo loiro dela com força e então respirou fundo.

“Mas, você tem quinze anos, eu tenho dezoito. Então provavelmente você é a mais nova aqui. Por isso, obviamente temos que escolher a opção que te dá a maior chance de sobreviver. É óbvio!”

“O-O que você… Não brinca, você tava tremendo de medo até agora há pouco.”

“Aquilo foi antes! Agora é agora! Não tô tremendo agora, então tá tudo certo! Ou melhor, tenho que fazer isso antes que o medo me paralise de novo. É isso aí, então corre!”

Subaru empurrou a testa dela pra silenciar qualquer outra objeção e começou a se aquecer enquanto se levantava. O porrete de Rom havia caído e rolado para perto.

Ele o pegou com esforço. Apesar do peso absurdo, ainda conseguia balançá-lo.

“Acho que consigo segurar ela com pelo menos um golpe bem dado… Parece que valeu a pena balançar aquela espada de bambu gigantesca todo dia. Pensar que era pra esse momento… Nada mal, eu.”

Elogiando a si mesmo enquanto girava o porrete, ele prendeu a respiração esperando o momento certo.

Felt parecia ainda ter algo a dizer, segurando a respiração atrás dele, mas ele não tinha tempo pra lidar com a indecisão dela agora. Suas chances de sobrevivência diminuíam a cada segundo.

Não havia qualquer sinal de lentidão nos movimentos de Elsa enquanto ela dançava entre os cristais de gelo. Na verdade, Subaru nem sequer conseguia entender se havia ou não uma abertura, considerando sua completa falta de experiência em combate real.

Portanto, no instante em que a visão de Elsa foi bloqueada por ela cortar um estilhaço de gelo particularmente grande, ele até esqueceu de respirar ao descer o porrete.

“Fush!”

Parecia que a situação desesperadora havia aumentado sua força, pois ele balançou o porrete ainda mais rápido do que esperava.

Era um golpe que poderia partir a cabeça de um humano como uma melancia, se acertasse em cheio, mas…

“Seu golpe foi excelente. Mas infelizmente, você exalou intenção assassina demais, isso tornou seu ataque óbvio.”

“Intenção assassina?! Eu nem faço ideia de como se controla isso!”

Embora tivesse atacado bem atrás dela, Elsa rebateu o porrete com a parte de trás de sua lâmina, alterando sua trajetória para desviá-lo. Enquanto Subaru reclamava do fracasso de seu ataque surpresa, ele gritou com os dentes cerrados,

“Agora! Vai, Felt…!!”

“!!”

Como se despertada pelo grito dele, o pequeno corpo de Felt disparou para frente, como se estivesse montando no próprio vento.

Ela atingiu sua velocidade máxima em um único passo. Correu pela sala tão rápido que o olho humano mal conseguia acompanhar, desviando dos estilhaços de gelo espalhados e do chão congelado enquanto seu corpo seguia em direção à saída.

“Acha mesmo que vou deixar?”

Para impedi-la, Elsa sacou uma faca e a lançou dali mesmo.

Talvez como vingança pela interferência de Felt mais cedo, a faca simples estava prestes a cravar-se em suas costas enquanto ela corria. Mas…

“Você vai ter que deixá-la ir!!”

Chutando uma mesa próxima, Subaru bloqueou a trajetória da faca.

Seu reflexo gerou resultado: a faca acabou perfurando a mesa, impedindo-a de atingir o alvo. Subaru não pôde deixar de aplaudir mentalmente sua façanha milagrosa.

“Incrível! Mas meus dedos do pé tão doendo mais do que eu pensava… Bubugaru?!”

Uma perna longa o atingiu na lateral da cabeça, interrompendo seu momento de glória e o lançando contra uma parede.

O impacto foi no ombro, então sua cabeça estava bem, mas a força inesperada paralisou seus pensamentos. A dor finalmente chegou, e ele voltou a sentir o gosto de sangue na boca.

“Que estranho, estou um pouco irritada.”

“Ah, que ótimo! Hahaa, é isso. Que. É. O. Que. Você. Merece! Te fiz perder uma! Agora, me deixa curtir seu chororô, sua perdedora!”

Tentando parecer corajoso ao se levantar, ele provocou Elsa implacavelmente, tentando chamar sua atenção.

Não achava que fosse um plano muito confiável, considerando a personalidade dela, mas como se lesse seus pensamentos, o sorriso dela se aprofundou e ela ignorou completamente Felt.

“Muito bem, vou entrar no jogo. Em troca, não me entedie com sua dancinha.”

“Deixa eu te avisar, é melhor estar preparada se quiser dançar comigo. Sou meio desajeitado, então vou acabar pisando no seu pé.”

Ele acabou sofrendo um dano mental ao se lembrar de quando não conseguiu dançar com a garota de quem gostava em uma certa dança folclórica.

Cuspiu o sangue que se acumulava em sua boca e segurou firme o porrete.

Não teria muitas chances de usá-lo. Então, em vez de pensar em como usá-lo como o Rom ou qualquer coisa do tipo, ele se concentrou totalmente em encarar Elsa de frente enquanto ela se aproximava.

“Não se esqueça de mim!”

Enquanto Elsa focava no oponente à sua frente, foi de repente atacada por gelo vindo de trás.

Ela balançou sua lâmina sem nem se virar e rebateu o ataque. Seus sentidos transcendiam o entendimento humano —

até mesmo Subaru não conseguia fazer piadas neste ponto.

“Já cansei desse joguinho… Será que você ainda consegue me entreter?”

Ela perguntou com uma voz baixa, seu sorriso da cor de sangue.

Esse sorriso fez um arrepio percorrer a espinha de Subaru, que então olhou para a Não-Satella. Quando seus olhares se encontraram, ele fez um leve aceno com a cabeça,

“Se você tiver algum tipo de poder escondido ou coisa do tipo, agora seria uma boa hora pra usar.”

“…Eu tenho uma carta na manga, mas se eu usar, serei a única que vai restar.”

“Deixa comigo! Eu ainda consigo! É cedo demais pra usar sua carta final! Por que desistir tão rápido?! A luta ainda tá empatada! Vamos nessa, eu!”

Subaru balançou os braços e as pernas para mostrar que ainda estava inteiro, tentando desesperadamente impedi-la de desistir de tudo. Sua expressão frenética fez os lábios da Não-Satella se curvarem, mesmo em meio à batalha.

“Não vou usá-la. Não enquanto você ainda estiver tentando tanto. Vamos resistir o quanto pudermos… Correr pro papai é meu último recurso.”

A expressão de resignação dela ao dizer isso acendeu algo dentro de Subaru.

Ele achou estranho ter esse tipo de sentimento vindo de dentro de si.

Não era do tipo dele, ele não era esse tipo de pessoa.

Sempre foi apático em relação ao que acontecia ao seu redor, nunca se importava com nada, não importava qual fosse o problema, ele jamais escolhia enfrentá-lo de frente preferia esperar tudo passar, como uma nuvem.

Depositar esperança nos outros ou ser alvo da esperança dos outros… ele achava que nada disso importava.

Mas agora, ele acabou criando esperança. E por causa dessa esperança, se decepcionou.

Ele só a tinha visto com uma expressão tensa ou preocupada, sempre procurando por algo. Por isso, queria vê-la sorrir.

Mas pensar que a primeira vez que veria um “sorriso” dela seria uma expressão de rendição, como se ela tivesse aceitado seu destino… Não havia chance de ele permitir isso.

“Isso não conta…”

“Hein?”

“Esquece o que eu acabei de dizer! É tudo besteira! Eu tô realmente pegando fogo aqui!! Eu vou fazer isso, droga! De jeito nenhum vou deixar você usar essa carta final!!”

Ele apontou o dedo e anunciou isso tanto para a Não-Satella quanto para a Elsa.

Pisou forte no chão, cuspiu enquanto rugia de empolgação.

“Não faz essa cara, você tá desperdiçando sua beleza! E você aí, sádica do ano, entende o clima! Não faz ela ficar com essa expressão! Você também tá desperdiçando sua beleza!”

“…Parece que você tá com energia demais.”

“Porque você ainda não conseguiu derramar o sangue de ninguém! Mas esse porrete aqui, o ‘Kotetsu’, tá desejando o seu sangue a noite inteira! Fm! Fmm!”

Ele balançou o porrete no ar, como um bastão de beisebol.

Puxado pelo peso, Subaru se desequilibrou enquanto Elsa apontava sua faca para ele.

“Já chega de brincadeira. Está na hora de começarmos a dançar, tente acompanhar.”

“Você também, não ache que isso vai acabar tão fácil. Não me subestime, vou te arremessar com a direita e te esmagar com a esquerda!”

Enquanto Elsa se inclinava levemente para frente, Subaru apontava o porrete para ela como se estivesse anunciando um home run.

[N/T BR:  “Home run” é uma jogada no beisebol em que o rebatedor acerta a bola e consegue dar a volta completa no campo, marcando ponto.]

Por causa desse gesto desnecessário, ele não conseguiu reagir a tempo quando ela saltou em sua direção. Preparou o porrete no desespero, pronto para acertar a figura esguia que voava em sua direção.

Uma rajada de vento forte o acompanhou quando ele atacou de lado esse golpe poderia arrancar a cabeça de Elsa.

Ele colocou tudo que tinha nesse golpe impiedoso, preparado para a cena horrível que isso causaria. Não seria estranho se um golpe direto transformasse parte dela em carne moída.

“Como se eu pudesse vencer mostrando misericórdia!”

A urgência da situação impedia Subaru até mesmo de pensar em pegar leve.

Em resposta ao golpe letal, Elsa abaixou ainda mais sua postura com movimentos treinados e continuou se aproximando, quase rastejando no chão enquanto desviava do ataque.

“Maldita mulher-aranha…!”

“Bem, você está preso na minha teia.”

Ao ver a lâmina se aproximando, Subaru imediatamente se jogou para trás. No entanto, ainda não conseguiu escapar do alcance da lâmina.

Em um instante tão curto que piscando você perderia, a memória da primeira vez que ele ficou de pé sobre suas próprias pernas passou pela sua mente, seus pais bateram palmas e exclamaram “Esse garoto pode ser um gênio”.

“Droga, olhando pra minha situação agora depois desse flashback, não poderia haver memória mais patética…!!”

A vergonha causada por essa lembrança fez seus joelhos subirem.

Ele não tinha mirado em nada, mas Elsa acabou levando um golpe direto no torso ao escorregar em sua direção.

Ela soltou um gemido erótico de dor e a trajetória de sua lâmina foi ligeiramente desviada. Então.

“Um escudo de gelo. Bela cobertura!!”

“Não sou muito boa em formar ele onde eu quero. Quase criei uma escultura de gelo ali.”

“Você tá falando dela, né? Não de mim, certo?!”

Um bloco de gelo apareceu perto de seu rosto e bloqueou a lâmina. Subaru imediatamente agradeceu enquanto recuava e Satella disse isso enquanto enxugava a testa.

Ela então desviou da pergunta dele e começou a lançar outra rajada de gelo contra Elsa para mantê-la sob controle.

“Vocês, insetos, estão começando a se tornar um incômodo…”

“Ei, ei, não subestime os insetos. Vai ver você tem alergia à nossa picada!”

“Você tá se achando só porque está num cantinho seguro agora, né?”

Elsa estava focada em desviar da chuva de gelo, enquanto Subaru tentava quebrar sua concentração com provocações.

Ele adoraria dar a volta por trás e atacá-la, mas se entrasse de qualquer jeito naquela barragem de gelo, provavelmente acabaria abatido pela própria aliada.

Provavelmente era por isso que a Não-Satella tinha segurado seus ataques enquanto ele estava lutando.

Esse era o nível de trabalho em equipe que se podia esperar de um grupo improvisado formado na hora.

“No entanto, os dois trabalharam juntos para superar essa provação e seu vínculo se aprofundou. Antes que percebessem, a confiança se transformou em amor e sua paixão ardente não podia mais ser contida…”

“Não faço ideia do que você tá sussurrando aí, mas claramente é algo compleeetamente fora de contexto.”

“Pensar em outra mulher com uma bem na sua frente, que falta de classe.”

“Elas duas odiaram isso?!”

Elsa de algum jeito mantinha a compostura mesmo em meio aos ataques incessantes.

Subaru continuava atento enquanto ela desviava do gelo. De vez em quando, ele entrava com um ataque próprio e recuava logo em seguida. Repetia esse ciclo enquanto pensava.

A situação cada vez pior não havia mudado. Estava claro que Elsa poderia acabar com Subaru com a mesma facilidade com que fez com Rom, se quisesse.

Parecia apenas que ele estava conseguindo lutar por causa da diferença esmagadora entre as habilidades deles, e porque ela não estava levando a sério. O fato de que o medo de Subaru não o deixava se aproximar ainda mais também ajudava.

Se ele tivesse mais coragem do que juízo, ela já teria encerrado essa troca com um único golpe.

Mesmo assim, sua covardia não parecia que seria útil por muito mais tempo.

A severidade dos cortes dela estava aumentando, e Subaru ia acumulando ferimentos por não conseguir desviar a tempo.

Havia cortes nos braços, na panturrilha, debaixo do braço, e até um corte raso no pescoço. Seu moletom começava a ficar vermelho com o sangue que o tingia.

“Levar corte dói! Dói pra caramba! Até feridas assim já são o bastante pra me fazer chorar!”

“No fim, não vai dar mesmo, né.”

“Ah, desculpa! Eu menti! Esquece isso! Não desiste, não usa aquela carta final! Eu ainda consigo! Tô completamente bem, tá tudo certo!”

Ele acenou com as mãos para mostrar que estava bem, e logo em seguida girou com um chute.

Ele tentou pegar Elsa de surpresa com um ataque totalmente fora do padrão que tinha estabelecido com o porrete. Mas,

“Entendi, peguei você.”

“Geh.”

Ela desviou do chute com facilidade e agarrou sua perna antes que ele passasse direto. Levantou a kukri mirando em cortar a perna dele fora. A força e a lâmina eram mais que o suficiente para arrancar tudo com um único golpe.

O choque pela perda de sangue e a dor de ter a coxa decepada seriam suficientes para matá-lo. Ele quase podia ver as palavras “BAD END 4” aparecendo na sua frente.

“Nuooo! Seja lá o que for que está dentro de mim, queime até o fim.!!”

Ele tentou erguer o porrete para bloquear, mas o peso o impediu de levantar a tempo, já que estava em uma perna só.

A Não-Satella gritou em desespero quando o golpe implacável se aproximou da perna dele.

A chama vacilou quando deu um passo à frente.

Em seu caminho estava Elsa, que já havia recuado bastante. Ela ajustou a pegada em sua kukri ao encarar o ser diante dela, perdendo a compostura pela primeira vez.

Diante daquela presença avassaladora, ela já não tinha espaço para se divertir.

Sua presença imponente congelou as expressões de Subaru, da Não-Satella e até da própria Elsa.

Mesmo com todos os olhos voltados para ele, seus traços elegantes não vacilavam.

O jovem tinha um senso de justiça inabalável nos olhos azul-céu, enquanto seus lábios formavam um leve sorriso.

“Agora, tá na hora de acabar com isso!”

Penteando os cabelos carmesim para trás, o jovem belo declarou em voz alta.

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