O Mundo dos Jogos Otome é Difíci... Cap. 167 — A Essência da Brigada Idiota

Leon e suas noivas não estavam em lugar nenhum no campus — e Marie também havia desaparecido. Na ausência deles, a chamada brigada idiota se reuniu em torno de uma mesa durante o intervalo do almoço, todos com expressões sérias. Já haviam terminado de comer, e, com as bandejas removidas, não restava mais nada para distraí-los. Era hora de discutir o verdadeiro motivo de estarem ali.

“Já faz dias desde que Marie saiu da academia”, comentou Julius, o cenho franzido de preocupação.

Jilk apoiou a mão no peito e ergueu o olhar de forma dramática.

“As horas se tornaram vazias e sem cor na ausência dela. Esses poucos dias pareceram uma eternidade.”

Greg contraiu os músculos, claramente insatisfeito.

“Uh! Queria que ela voltasse logo. Quero mostrar o quanto fortalecei minhas costas!”

“Ela foi visitar uma masmorra, pelo que ouvi. Mas, se foi, por que não nos chamou?” perguntou Chris, que vestia um casaco happi por cima do uniforme.

Brad, enquanto isso, alimentava tranquilamente seus animais, Rose e Mary. Quando a conversa deu uma pausa, ele suspirou de forma exagerada.

“Eu gostaria que ela ao menos tivesse nos avisado. Está ficando perigoso lá fora… queria poder protegê-la.”

Todos compartilhavam o mesmo sentimento: estavam perdidos sem Marie. Ao mesmo tempo, a situação de Leon e das outras garotas também os preocupava profundamente.

Julius, em particular, lutava contra emoções conflitantes. Parte dele queria repreender Leon por tudo o que havia feito, mas, lembrando-se de seus próprios erros no passado — especialmente envolvendo Angie —, sentia que não tinha esse direito. O resultado era uma expressão difícil de decifrar.

“Leon também está causando problemas”, acrescentou por fim. “Depois de romper o noivado com Angie e as outras, ele simplesmente desapareceu.”

Jilk deu de ombros.

“Um completo canalha. Abandonou todas sem explicação e as fez sofrer.”

Apesar de estar correto, ninguém gostou de ouvir isso vindo justamente dele.

Greg inclinou-se em direção a Chris e sussurrou: “Depois de tudo que ele fez, ainda tem coragem de chamar alguém de canalha.”

“Quase invejo essa falta de vergonha… embora eu nunca quisesse ser assim”, respondeu Chris.

Jilk ignorou completamente os comentários.

Brad, mais focado na situação, cruzou os braços pensativo.

“Isso tudo me preocupa. As três garotas não estão vindo à aula, então não temos como perguntar nada a elas. Marie provavelmente sabe de algo, mas também desapareceu. E, mesmo que quiséssemos ir atrás, não temos uma única aeronave.”

Sem Leon, eles estavam completamente limitados. Conseguir uma aeronave por conta própria seria difícil — e, ainda assim, não saberiam para onde ir.

“Ela deve ter pegado uma aeronave emprestada com o irmão do Leon. Ele ainda está na capital, certo? Podemos visitá-lo depois da aula”, sugeriu Julius.

Os outros concordaram, mas a conversa foi interrompida abruptamente quando um estudante invadiu o refeitório, pálido e ofegante. O clima mudou instantaneamente. Todos perceberam que algo estava errado.

O estudante mal conseguiu recuperar o fôlego antes de gritar: “O império declarou guerra a Holfort!”

O refeitório explodiu em murmúrios.

“Então os rumores eram verdadeiros…” murmurou Julius. “Leon desapareceu por causa disso?”

“É bem provável”, disse Jilk. “Mas não podemos confirmar. O mais importante agora é encontrar a Srta. Marie.”

Eles se levantaram imediatamente e saíram em direção ao corredor — apenas para encontrar a própria Marie. Seus olhos estavam vermelhos e inchados, o cabelo desgrenhado, e seu corpo balançava como se estivesse prestes a cair. Carla não estava com ela.

“Marie, o que aconteceu?!” exclamou Julius.

Ela ergueu o rosto, a voz trêmula.

“Por favor… me ajudem a salvar meu irmão mais velho.”

Os cinco trocaram olhares confusos.

“Seu irmão…?”

***

Eles se reuniram em um salão de chá dentro da academia, escolhendo o local justamente para evitar curiosos. Enquanto os rapazes se sentavam, Marie permaneceu de pé, olhando fixamente para o chão, as mãos agarrando a saia com força.

“Eu menti para todos vocês… desde o começo.”

Ninguém a interrompeu.

Marie então contou tudo: sobre sua reencarnação, sobre sua vida anterior, sobre como manipulou cada um deles em busca de felicidade… e sobre como acabou pressionando Leon. Ao terminar, ajoelhou-se e encostou a testa no chão.

“Me desculpem… mas, por favor… salvem Leon. Salvem meu irmão.”

Era sua forma de ser honesta — de ao menos não pedir que arriscassem a vida sem saber a verdade.

Ela esperou insultos. Rejeição. Desprezo.

Mas o silêncio que se seguiu não carregava nenhuma dessas coisas.

“Sempre achei que havia algo estranho”, disse Julius suavemente. “Mas nunca imaginei que Leon fosse seu irmão de uma vida passada.”

Marie levantou a cabeça, surpresa — e ficou ainda mais ao ver todos sorrindo.

“Por que vocês estão sorrindo…?”

Greg aproximou-se e a ajudou a se levantar.

“É difícil reagir a algo tão absurdo… mas isso não muda nada. Você ainda é a garota por quem me apaixonei.”

Chris ajustou os óculos, visivelmente envergonhado.

“Não entendo completamente essa história de reencarnação… mas acredito em você.”

Marie balançou a cabeça.

“Mas eu enganei vocês…”

Brad falou em seguida, com sua habitual compostura.

“Talvez nossa primeira interação tenha sido manipulada… mas tudo o que veio depois foi genuíno.”

As palavras o tocaram profundamente.

“Podemos perdoar isso”, completou ele.

As lágrimas voltaram, mas agora eram diferentes.

Jilk estendeu um lenço.

“Só para deixar claro: não vamos salvar Leon porque você pediu. Faríamos isso de qualquer forma.”

“Isso é perigoso…” insistiu Marie. “Por que arriscariam a vida por ele?”

“Não sei o que Leon pensa de nós”, respondeu Julius. “Mas nós o consideramos um amigo.”

Greg coçou o nariz.

“Queremos bater nele um pouco… mas não odiamos o cara.”

“Temos ressentimentos”, admitiu Chris. “Mas também devemos muito a ele.”

Brad suspirou.

“Ele já nos deu muitos problemas… mas não conseguimos odiá-lo.”

Jilk sorriu levemente.

“E ainda precisamos retribuir.”

Marie os encarou, profundamente tocada.

Eu negligenciei o que realmente importava neles…

Ela enxugou as lágrimas e sorriu.

“Obrigada… acho que estou me apaixonando por vocês de novo.”

Julius desviou o olhar, levemente corado, mas logo retomou a postura.

“Primeiro vamos confirmar a situação”, disse ele. “Depois disso… você vai nos dizer onde encontrar Leon.”

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