O Sistema do Necromante Mais For... Cap. 103 — O Presente

Jason se recostou e fechou os olhos com um suspiro. Odiava toda aquela situação. Não podia negar que ainda se importava com a irmã, mas também estava muito irritado pelo fato de ela tê-los abandonado. Naquela época, Janet e Jason eram os dois que assumiam o controle da família, e garantiam que estariam sempre ali para cuidar da mãe. Embora ambos estivessem feridos pela partida do pai, encontraram força um no outro e garantiram que o outro nunca desmoronasse. De certo modo, parecia que Janet era a única pessoa de quem Jason realmente podia depender.

Então, quando Janet saiu da vida deles, Jason foi quem mais sentiu o golpe. O ódio que sentiu por Janet naquela época teria sido suficiente para expulsá-la de sua vida para sempre. Mas aquilo foi antes, e agora era diferente. Jason amadurecera desde então e, embora ainda odiasse o que ela fizera, não negaria o pedido da mãe apenas por causa do que sentia.

Jason suspirou e estendeu a mão por cima do ombro da mãe para puxá-la mais para perto, com um pequeno sorriso.

— Tudo bem. Ela pode voltar.

O rosto de Mira se iluminou, e ela abraçou o filho imediatamente, feliz. Estava tão orgulhosa dele. Embora Mira tivesse mantido uma expressão corajosa todo aquele tempo, Jason podia perceber que ela estava ferida pelo fato de a família estar se despedaçando aos poucos. Agora que Janet tentava voltar para casa, Jason não lhe negaria a chance de ver a família reunida de novo.

Atrás deles, Gina limpava as mãos com uma toalha enquanto observava tudo com um sorriso. Ela também sabia o quanto as coisas eram difíceis naquela família e ficou feliz em vê-los começando aos poucos a voltar ao que costumavam ser.

Gina recebeu uma ligação de repente e atendeu depressa ao reconhecer quem chamava. Ouviu por um tempo antes que um sorriso se espalhasse por seu rosto, agradeceu à pessoa e desligou. Gina imediatamente saltitou até a sala e abraçou Jason por trás enquanto se virava para Mira.

— Ei, Mira. Chegou!

Mira também sorriu, levantou-se e limpou as mãos na calça antes de ir pegar a jaqueta. Jason ergueu uma sobrancelha e perguntou do que Gina estava falando. Gina balançou a cabeça e disse que era surpresa. Beijou-o na bochecha e sorriu.

— Você vai adorar. Eu prometo.

Jason riu, divertido, antes de dar de ombros e pegar sua jaqueta também. Ajudou Gina a vestir a dela, e todos saíram juntos de casa. Enquanto desciam as escadas, Gina disse para Jason fechar os olhos, e ele se perguntou o que diabos as duas poderiam ter comprado. Sabia que era seu presente de aniversário, mas o fato de estarem fazendo tanto mistério só o deixava mais curioso.

Por fim, chegaram ao lado de fora e caminharam até o estacionamento lateral. Gina guiou Jason com cuidado para que ele não caísse, já que estava de olhos fechados, e, quando chegaram ao destino, disse para ele abrir os olhos. Jason abriu primeiro um olho e imediatamente franziu a testa em surpresa ao ver uma grande lona cobrindo algo à sua frente. Gina foi até o lado, agarrou a lona e a puxou.

Os olhos de Jason se arregalaram em choque, e ele imediatamente sentiu o sorriso mais insano surgir em seu rosto.

Era uma superesportiva.

Ou, mais especificamente, uma Suzuki GSX-R1000.

A moto era prateada, com listras pretas descendo pela lateral, e havia um capacete preto apoiado no banco de trás. Jason queria aquela moto desde que conseguia se lembrar. Sua moto atual era apenas um modelo econômico que nem tinha tanta potência, e ele pensava em trocá-la havia muito tempo. Mas os gastos com trabalho, família e escola o impediam, então decidiu não desperdiçar dinheiro em uma moto nova. Como diabos elas conseguiram aquilo?

Jason se virou para a mãe e a viu sorrindo para ele com felicidade. Estava prestes a perguntar quanto aquilo tinha custado, mas ela apenas ergueu a mão e balançou a cabeça.

— Não importa, Jason. Sei que você queria isso há anos e você merece. Feliz aniversário, meu bebê.

Jason imediatamente puxou a mãe para um abraço de urso e a ergueu no ar. Ela gritou de surpresa ao ser levantada a mais de noventa centímetros do chão. Riu e implorou para Jason colocá-la no chão, e ele rapidamente obedeceu. Deu outro abraço nela enquanto agradecia, e Mira acariciou seu braço, dizendo que ele merecia. Então se inclinou e sussurrou em seu ouvido.

— Quem você realmente deveria agradecer é a Gina. Eu ajudei um pouco, mas ela economizou por meses para conseguir esse modelo específico para você.

Jason se virou para Gina, e ela sorriu para ele enquanto desviava o olhar, envergonhada. Jason não perdeu tempo: aproximou-se e a puxou para um abraço. Sabia que a moto devia ter custado muito para Gina, então só podia imaginar o quanto ela economizara. Jason se inclinou e sussurrou um “obrigado”, e Gina envolveu as costas dele com os braços, sorrindo.

— De nada, amor.

Mira observava por trás e sentiu-se emocionada ao vê-los juntos. Limpou os olhos com o dorso de um dedo e fungou antes de falar.

— Bom, vamos lá. Não precisam ficar tímidos. Vocês dois deveriam ir dar uma volta!

Mira começou a empurrar os dois para irem passear juntos, e Gina corou enquanto Jason praticamente a carregava até a moto. Ela pegou o capacete e o entregou a Mira para que o segurasse. Nenhum dos dois estaria em perigo mesmo que sofressem um acidente, então não havia necessidade dele. Jason ligou a moto e acelerou.

Vrooom!

Um rugido alto ecoou pelo estacionamento, e Mira riu do sorriso infantil que viu no rosto do filho. Ele sempre era tão sério, mas, em momentos como aquele, ela lembrava que ainda era apenas um adolescente. Parecia uma criança brincando com um brinquedo novo.

Jason aproveitava a sensação da moto vibrando sob ele e de repente usou o vínculo mental com Fenrir, ordenando que ficasse de olho na agente e garantisse que ninguém se aproximasse de sua mãe. O grande lobo estava escondido nas sombras de um prédio a dois quilômetros de distância e ganiu em concordância.

Gina se inclinou para a frente e abraçou Jason pela cintura, e ele acelerou a moto mais uma vez antes de engatar a marcha e arrancar.


[O Mundo de Kari]

[A Cinco Saltos Dimensionais da Terra]

O fedor de sangue e morte preenchia o ar em uma cidade escura e sombria localizada no fundo de um grande vale. No céu, duas luas enormes brilhavam com uma suave luz vermelha e banhavam toda a cidade com sua tonalidade. Ao redor, corpos dos mortos podiam ser vistos por toda parte.

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