Ascensão de uma Viciada em Livro... Cap. 105 — Pinturas e Baralhos

Saímos do ferreiro e fomos a uma oficina de carpintaria. Foi uma curta caminhada, já que ambos estavam no beco do artesão. Passamos por cerca de três oficinas antes de chegar a uma grande porta com um desenho esculpido na frente, mostrando um cinzel e uma serra cruzada na frente de uma grande árvore. Benno abriu a porta e entrou enquanto ainda me carregava.

— Eu sou Benno da Companhia Gilberta. O capataz está aqui?

— Desculpe. O capataz está fora. Espere, Myne?!

— Ah, esta é a oficina em que você trabalha, Sieg?

Havia um rosto familiar na oficina. O segundo irmão mais velho de Lutz, Sieg, que tinha a altura perfeita para fazer contato visual comigo, nos braços de Benno, estava de pé com o queixo caído.

— Você conhece esse garoto?

— Ele é o irmão mais velho de Lutz. De todos os três, ele é o segundo mais velho.

Benno me colocou no chão, quando Sieg finalmente conseguiu notar Lutz. Eu podia ouvi-lo sussurrar:

— É realmente você, Lutz?

Lutz sempre se trocava no quarto que pediu emprestado da Companhia Gilberta. Sem dúvida, essa foi a primeira vez que Sieg viu Lutz vestindo suas roupas de aprendiz com o cabelo escovado. Ele parecia completamente diferente, vestindo suas roupas de trabalho, que quando usava suas roupas normais e carregava uma cesta para ir à floresta e tal.

— Wow. O irmão mais velho do Lutz? Estou aqui para fazer um pedido.

— Um momento, por favor. Vou chamar meu supervisor.

Sieg correu apressadamente para a loja e, após um momento de espera, um homem um pouco mais largo saiu.

— Ei, Benno. Bem-vindos. O que posso fazer por você desta vez?

Benno chamou por Lutz, que colocou o díptico que eu estava fazendo para Fran na mesa. Benno então declarou seu pedido enquanto apontava para ele.

— Quero que você faça uma cobertura de madeira do mesmo tamanho que esta. Coloque o brasão da minha loja na frente e escreva meu nome na parte de trás.

O supervisor tirou uma fita métrica de baixa tecnologia e mediu o díptico durante a gravação das medições em um quadro. Quando começaram a discutir que tipo de madeira usar, a ortografia de seu nome, detalhes do brasão e o tipo de letra para usar, Sieg voltou para a frente da loja, provavelmente preocupado com a presença de Lutz.

— Sieg, posso fazer um pedido também?

— Você, Myne? Tá, pode ser.

— Quero tábuas finas, mas duras. Tudo do mesmo tamanho, que deveria ser cerca de…

Comecei a estimar o tamanho com as mãos, então Sieg apressadamente foi e pegou uma fita métrica. Após decidirmos pela largura e altura, determinamos a espessura. Então eu disse a ele:

— Eu quero setenta desses.

— Setenta?! Para que você precisa de tantos?

— Eheheh, vou fazer (karuta) para as trinta e cinco letras do alfabeto.

Gil e Delia eram assistentes aprendizes. Mas eles eram analfabetos e, aparentemente, os assistentes precisavam saber ler e escrever para que pudessem fazer a papelada, escrever cartas de seu mestre e, basicamente, fazer muitas coisas que Fran estava fazendo por mim. Eu poderia dizer claramente que Gil ficaria com ciúmes se eu desse um presente a Fran, mas não a ele. Quando pensei no presente que poderia dar ao Gil, a primeira coisa que tentei pensar foi algo que o ajudasse a divertir-se e a aprender a ler.

Karuta era um tipo de jogo de cartas japonês, e se eu as fizesse de tábuas de madeira resistentes, então todas as crianças no orfanato poderiam se divertir brincando com elas. Os órfãos teriam que aprender a ler, eventualmente, então eles poderiam muito bem começar com algo divertido.

— Karu-o quê? Você está fazendo algo estranho de novo?

— Uhum, eu com certeza vou. Quanto tempo vai demorar?

— Não vai demorar muito, é basicamente apenas cortá-los para ter o mesmo tamanho.

— Apenas cortá-lo não será suficiente. Você precisa polir para que os cantos e os lados fiquem lisos.

— Como aquele seu palito de cabelo?

Dei um grande aceno de cabeça e Sieg coçou a cabeça. Polir cada um individualmente provavelmente levaria muito tempo, mas eu não estava com tanta pressa para terminar as tábuas de karuta.

— Levará cerca de dez dias para as outras coisas que estou pedindo terminarem, então apenas as termine antes disso, se puder.

— Sim? Isso é tempo de sobra.

— Que tal eu pagar o dobro por cada prancha do que paguei pelos paus de cabelo que você fez para nós durante o inverno?

— Terei que perguntar ao meu supervisor sobre isso. Não sou muito bom com preços, — disse Sieg.

O supervisor de Sieg parecia ter terminado sua conversa com Benno há pouco e estava ouvindo nossa conversa.

— O que ele fez para você antes?

— Sieg nos ajudou a fazer paus de cabelo para o nosso trabalho de inverno. Um cobre médio cada.

— Então seriam dois cobres médios cada desta vez, hein? Não é um preço ruim para um pedido pessoal, mas é difícil dizer que é um preço justo para um trabalho de oficina, certo?

O supervisor falou com um sorriso, mas eu não tinha realmente oferecido um preço particularmente baixo. Eu sabia o preço da madeira, de comprar madeira para o nosso papel, e eu sabia o salário que os artesãos eram pagos.

Lutz deve ter notado a mesma coisa, porque olhou para o supervisor com os olhos afiados.

— Se assumirmos que a taxa de manuseio desta oficina é de trinta por cento, então, dado o preço da madeira e o pagamento dos artesãos, a oferta de Myne foi realmente mais que suficiente para cobrir este trabalho. Especialmente porque ela não está pedindo apenas um, ela está pedindo setenta. Você está olhando para Myne assim, porque ela parece uma criança pré-batismo, não é? — terminou Lutz com um sorriso muito parecido com o de Mark, fazendo o supervisor se encolher.

— Lutz! O que você está fazendo?

— Meu trabalho.

Sieg gritou, como costumava fazer ao intimidar Lutz em casa, e Lutz respondeu sem tirar os olhos do supervisor. Parecia que Benno e Mark o haviam treinado extremamente bem, já que ele poderia negociar com um adulto em igualdade de condições. Ele tinha chegado tão longe de um ano atrás, quando ele não era sequer capaz de ler mais que alguns números e se alegrou por aprender a escrever seu nome. Seu crescimento foi inspirador.

— Sieg, não interrompa, Lutz está negociando com o seu supervisor agora. Você acabou de dizer que não entende muito os preços, não é?

Joguei uma mão amiga para Lutz, e Sieg olhou entre eu e ele, com angústia escrita em seu rosto.

— Mas Myne, Lutz é. Ele é…

— Ele está trabalhando muito duro como um aprendiz de comerciante. Assim como você está aprendendo as habilidades necessárias para o seu trabalho, Lutz está inclinando a sabedoria e as técnicas necessárias para ser um comerciante.

Neste mundo, em que praticamente todas as informações tinham de ser obtidas através da comunicação direta, era extremamente raro as crianças encontrarem emprego com sucesso, sem a ajuda da família. Eu poderia imaginar que a família de Lutz tinha continuado a rejeitar seu emprego, sem nunca realmente vê-lo fazer seu trabalho. Eu provavelmente estava testemunhando a primeira vez que algum deles viu Lutz no trabalho. Sieg olhou para Lutz, com uma expressão conflituosa, como se quisesse dizer algo, mas não conseguiu.

— Sieg, por que não ficar feliz que Lutz está trabalhando duro e sendo bem-sucedido?

Lutz e o supervisor finalmente estabeleceram o preço que eu havia sugerido no começo. Benno, que tinha sido carinhoso com relação ao crescimento pessoal de Lutz, levantou-me com um braço e usou o outro para despentear o cabelo de Lutz, enquanto saía da oficina de carpintaria. Por cima do ombro, pude ver Sieg franzindo a testa.

Dez dias mais tarde, as canetas e as tábuas, que se tornariam karuta, foram terminados. Naturalmente, a moldura de díptico que Benno encomendou também foi concluída. Ele levou a moldura ornamentada para sua loja, parecendo satisfeito, e derramou cera nela para terminar o trabalho.

— Então, Myne. Como você usa essa coisa? — Benno ergueu o díptico, parecendo animado. Lutz estava se segurando e parecia interessado também.

— Estes existem para facilitar a escrita de notas em movimento. Você pode escrever letras na cera, usando a caneta, presa aos anéis. O quadro é pequeno o suficiente para segurar com uma mão e, ao contrário do papel, é firme o suficiente para escrever sem pressioná-lo contra uma superfície. O bom dos dípticos é que você não precisa de um servo, segurando tinta, te seguindo.

Benno prontamente ergueu o díptico com uma mão e escreveu nele. Ele esculpiu na cera com a ponta pontiaguda, deixando marcas dentro.

— Entendi. As marcas permanecem na cera.

— Isso mesmo, e eles não vão embora quando você o fechar, ao contrário de como é fácil acidentalmente esfregar as marcas das lousas. Mas como o espaço é limitado, você deve reescrever as notas em papel ou tábuas assim que chegar em casa. Uma vez feito isso, você pode usá-lo novamente, alisando a cera. Eu acho. — Eu nunca tinha usado um díptico antes, embora eu tivesse lido sobre eles em livros. Eles disseram que, no passado, os cobradores de impostos haviam anotado notas sobre eles, enquanto estavam sentados nas costas dos cavalos.

— Mesmo que a cera dentro comece a quebrar, você pode simplesmente retirá-la e despejar cera fresca dentro. Então, você acha que esse será um bom produto?

— Eles venderão exclusivamente para comerciantes e nobres, já que a maioria dos plebeus são analfabetos. Com essa demografia em mente, precisaremos trabalhar com uma oficina de carpintaria que possa fornecer gravuras de alta qualidade. Mas, a conveniência de apenas ser capaz de escrever no local, sem tinta, compensa isso. — Benno listou seus pensamentos no díptico, enquanto acariciava a gravura de seu brasão.

— Eles vão vender bem?

— Provavelmente, com comerciantes, mas não sei quanto aos nobres. Afinal, eles têm assistentes carregando canetas e tinta o tempo todo. Embora, nenhuma razão pela qual os nobres não os comprariam para seus assistentes, agora que penso nisso.

— Na verdade, pensei nisso enquanto observava Fran trabalhar. Os dípticos que os assistentes usam não precisarão de tanta decoração, o que deve economizar nos custos.

— Tudo bem, vou comprar os direitos.

Eu prontamente vendi os direitos dos dípticos para Benno. O Ateliê da Myne não poderia fazê-los, já que eles precisavam de canetas de metal, e em todo caso, eu precisava do dinheiro imediatamente.

— A propósito, Myne. Para que vai usar as tábuas?

Benno perguntou sobre as tábuas, atualmente, colocadas aleatoriamente em uma bolsa. A oficina de carpintaria não oferecia nenhum serviço de ensacamento específico, então você levava suas próprias bolsas para levar seu pedido para casa. Uma vez que o karuta foi feita, provavelmente seria inteligente eu pedir ao papai para me fazer uma caixa de transporte conveniente.

— Estes são (karuta). Eles ainda não estão termina dos, vou precisar escrever sobre eles primeiro. Metade deles serão cartões ilustrados, um para cada letra do alfabeto, com a imagem sendo algo que tem seu nome iniciado com essa letra. Por exemplo.

Abri meu díptico, desenhei do lado esquerdo e escrevi a letra do lado direito: um desenho de uma caneta e a letra C. Isso era basicamente metade do que seria um karuta de pleno direito. Adicionei então a linha “Caneta: O que você usa para escrever em um díptico” abaixo da letra.

Mostrei minha criação a Benno com orgulho, mas ele olhou para mim com algo parecido com uma careta horrorizada.

— Você está planejando desenhar tudo isso?

— Sim? Não quero confiar isso a alguém que não está familiarizado com Karuta. Afinal, pretendo dá-los ao Gil de presente. — Mas, por algum motivo, Lutz estava embalando a cabeça.

— Myne, deixe outra pessoa cuidar disso. Especialmente a arte. Com habilidades como essa, ninguém saberá o que os desenhos significam. Pense em como Gil se sentirá recebendo isso.

— Sim, verdade. Sua caligrafia é ótima, mas sua arte é horrível, — acrescentou Benno.

Suas críticas impiedosas me fizeram ofegar. Eu não era tão ruim em desenhar. No mínimo, ninguém me disse que eu era ruim em desenhar nos meus dias de Urano.

— Meus desenhos não são ruins! Pode parecer estranho desde que tomei algumas liberdades artísticas, mas é isso que significa ser uma pioneira! O mundo vai entender meu talento mais cedo ou mais tarde, vai ficar tudo bem.

— Você não está enganando ninguém. Desista e enfrente os fatos. Você precisa deixar outra pessoa fazer a arte por você. Entendeu?

Eu não sou ruim! Eu não sou!

Como eu não sabia se a avaliação de Benno e Lutz sobre minha arte era precisa, fui aos aposentos do templo no dia seguinte e perguntei aos meus assistentes.

— E foi isso que Benno me disse — expliquei, mostrando a Delia minha arte no díptico. Os olhos dela se arregalaram.

— Bem, parece que ele estava certo. Você nunca viu uma obra de arte em sua vida antes, Irmã Myne?

— Não, ela deve ter visto a arte nos corredores do templo e outras coisas. Ela é péssima em arte, pura e simplesmente.

Delia e Gil lançaram lanças em meu coração. Ferida, me virei para Fran, apenas para perceber que ele desviou o olhar enquanto franzia as sobrancelhas desconfortavelmente.

— Bem. De certa forma, sua arte é muito única.

Meus assistentes foram criados em um templo, onde a capela, os corredores e assim por diante estavam cheios de pinturas e esculturas de alta classe, sem mencionar as decorações nos quartos dos sacerdotes azuis. Para eles, a arte precisava ser realista e detalhada, com meu tipo de arte, simples e fofa, divergindo em face do que eles estavam acostumados.

— Irmã Myne, posso sugerir que você confie a arte a Wilma? Ela recebeu lições de arte da donzela azul do santuário que serviu no passado.

— Sério? Aulas de arte? Os assistentes também podem fazer arte?

— Mestres diferentes exigem talentos diferentes de seus assistentes.

Ao serem batizados, os órfãos tornaram-se aprendizes de sacerdotes cinzentos e começaram a lavar roupas, limpar a capela, varrer os corredores e assim por diante. Durante esse tempo, ele pode ser escolhido por um assistente para se tornar um assistente aprendiz, graças ao seu trabalho árduo ou aos caprichos das circunstâncias. Uma vez selecionados como assistentes aprendizes, seu dormitório mudaria do orfanato para a Ala dos Nobres. Eles fariam o trabalho, mais ou menos, como servos normais, na Ala dos Nobres, enquanto eram ensinados, por seus anciões, sobre como se tornar assistentes adequados.

— Por essa razão, todos os assistentes são ensinados a receber os visitantes, mas os detalhes exatos de seu trabalho dependem do padre ou da donzela do santuário que eles estão servindo.

— Algumas aprendizes de donzelas do santuário são ensinadas a oferecer flores, — sinalizou Delia — e alguns sacerdotes aprendizes são ensinados a se especializar em matemática.

Balancei a cabeça para a explicação deles, intrigada, e me virei para Gil. Naturalmente, sua opinião era a mais importante, já que o presente era, em última análise, para ele.

— O que você acha? Devo perguntar a Wilma?

— Hum? Eu? Por que me perguntar? — Gil parecia confuso, então expliquei que seriam um presente para ele.

— Você levou secretamente comida para as crianças do orfanato todos os dias, não foi? Foi você que mais trabalhou duro por eles e quero recompensar isso.

— Uma recompensa, hein? Hehe. — Gil começou a agonizar com sua resposta no momento em que aprendeu o contexto. Ele corou cada vez mais ao longo do tempo por algum motivo e finalmente embalou sua cabeça. — Glup. É muito embaraçoso, não posso dizer nada! — ele murmurou para si mesmo. Ele até começou a gemer enquanto andava em círculos.

Talvez ele tivesse sentimentos particulares pela Wilma. Eu assisti calorosamente, pensando que ele provavelmente estava com vergonha de ir falar com ela, até que eventualmente ele levantou a cabeça com sua determinação reforçada.

— A arte está bem para mim de qualquer maneira. Pergunte à Wilma, se não tem tempo, mas sim. Tudo o que quero é que escreva as cartas, Irmã Myne. Porque suas letras são bonitas e aaaaaaaaaaaah!

Incapaz de suportar o constrangimento, Gil saiu correndo da sala e desceu as escadas. Ouvi o barulho de uma porta sendo batida. Ele provavelmente estava escondido em seu quarto, tremendo de vergonha.

— O que você acha, Irmã Myne?

— Eu acho que o Gil não está acostumado a elogiar, e ele lutar contra o constrangimento dele de me elogiar foi muito fofo. Eu, portanto, gostaria de dedicar todo o meu esforço para fazer este conjunto karuta.

— Nesse caso, aconselho a pedir a Wilma que desenhe a arte, — disse Fran, enquanto segurava uma risada descaradamente, decidindo assim meu curso de ação. A conversa parou e Fran começou a voltar ao trabalho, então eu apressadamente o chamei.

— Espere, Fran. Isso é para você.

— Para mim?

Tirei o díptico que fiz para Fran. Era maior que o meu, para que fosse mais fácil para ele segurar, mas eles ainda eram um par correspondente.

— Você tem mais trabalho que qualquer um de nós, não é? Você é meu único assistente adulto, mas agora tem muito mais trabalho, desde que me tornei a diretora do orfanato. Deve ser muito difícil para você e sou grata por você estar trabalhando tão duro por mim. Esta é a minha maneira de recompensá-lo.

Expliquei a Fran como usar o díptico e quando lhe disse haver pensado em fazê-lo, após vê-lo perturbado, no portão, ele sorriu com os olhos castanhos, enrugados.

— Pensar que você faria um novo produto para mim, imediatamente depois que a ideia te atingisse. Eu gostaria de dominar a gestão de sua saúde em breve, Irmã Myne, para que eu possa honrar sua gratidão.

Notei Delia observando Fran segurar o díptico, com inveja clara em seus olhos. Ela era tão fácil de entender como sempre.

— Estes são para você, Delia, — eu disse. — Você não foi ao orfanato, mas trabalhou duro para manter o primeiro andar limpo e cumprimentar os visitantes enquanto Fran e Gil estavam ocupados.

— O que eles são?

— Uma lousa de ardósia e uma caneta de ardósia. Por favor, pratique o alfabeto com eles. Os assistentes precisam aprender a escrever cartas para seus mestres, não é? — Escrevi o nome de Delia na lousa e entreguei a ela. Ela se debruçou sobre as letras com os olhos fixos na lousa. Pensei que ela poderia ser um pouco alfabetizada em comparação com Gil, mas parecia que ela não poderia ter aprendido nada do alfabeto enquanto estava com o Arcebispo.

— Este é o seu nome, Delia. Você deve começar a praticar escrevendo seu nome. Tudo bem?

Algum tempo se passou e Gil finalmente se acalmou e saiu de seu quarto, então dei-lhe sua lousa de ardósia e caneta de ardósia também. Ele imediatamente começou a competir com Delia, sobre quem poderia aprender a ler mais rápido, e com seu entusiasmo me inspirando, comecei a escrever o karuta, enquanto prestava muita atenção a cada letra. Selecionei exclusivamente palavras relacionadas a deuses e à Bíblia para que Wilma, com sua educação no templo, tivesse mais facilidade em desenhar a arte.

Quando Benno viu o produto acabado, com minhas letras e a arte de Wilma, ele imediatamente quis comprar os direitos de karuta, mas eu queria fazer conjuntos de karuta no Ateliê da Myne, para as crianças. Então, mesmo que Benno normalmente comprasse os direitos totais de um produto, para que ele pudesse ter controle total, desta vez, o fiz incorporar que o Ateliê da Myne poderia continuar os fazendo, mais um corte de trinta por cento nos lucros da ideia. Isso significava que a partir de agora, eu ganharia algum dinheiro cada vez que um conjunto de karuta fosse vendido.

Soltei um suspiro de alívio com o conhecimento de que minha carteira metafórica, logo, seria mais pesada. Produtos de entretenimento e ferramentas educacionais podem vender muito bem.

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