Ascensão de uma Viciada em Livro... Cap. 103 — Limpando o Orfanato

Após o almoço, fomos imediatamente para o trabalho de limpeza do orfanato. Mas a limpeza tinha que ser feita pelas pessoas que moravam lá. O templo tinha um excesso de sacerdotes cinzentos órfãos e, embora estivessem lavando roupas pela manhã e depois limpando à tarde, até os mais velhos, nos últimos tempos, consistentemente ficaram sem trabalho após o meio-dia. Assim, decidimos começar a limpeza à tarde, quando haveria muitos sacerdotes ociosos.

Para os sacrifícios azuis, estaríamos enquadrando a limpeza como uma maneira de evitar me envergonhar, a diretora do orfanato e donzela do santuário de túnica azul, com um local de trabalho imundo. Aparentemente, ter uma razão como essa, tornaria as pessoas do orfanato mais dispostas a sair do seu caminho e fazer o trabalho que normalmente não faziam.

Meu objetivo com a limpeza do orfanato era, na verdade, duplo. Limpá-lo era a parte óbvia, mas também queria que eles soubessem que seriam pagos se trabalhassem duro. Para esse fim, eu tinha um chef fazendo sopa para recompensar aqueles que ajudaram a limpar e eu estava planejando apresentar batatas com manteiga para os trinta sacerdotes que trabalharam mais.

Os sacerdotes se dividiram em vários grupos antes de começar o trabalho: aqueles que lavariam as crianças, quando estivesse quente lá fora, aqueles que limpariam o chão onde estavam as crianças pré-batismo, aqueles que limpariam o resto do prédio das meninas, aqueles que ajudariam a transportar as ferramentas da oficina e aqueles que limpariam o prédio dos meninos e outras áreas diversas.

Fran e Gil ficaram realmente surpresos quando Benno e eu sugerimos isso. Em geral, o trabalho dos servos do templo envolvia lavar roupas, limpar e orar. Todos lavavam a roupa juntos pela manhã, todos rezavam juntos e assim por diante. Tudo sempre foi feito em conjunto e eles nunca foram divididos em grupos. Expliquei que a divisão em grupos aceleraria o processo de limpeza de uma área tão grande e que um grupo de adultos mais fortes era importante para carregar as ferramentas e coisas assim.

— Eles vão me ouvir e fazer seu trabalho se eu disser para eles se dividirem em grupos?

— Vai ficar tudo bem. Todos ainda consideram Fran um dos assistentes do Sumo Sacerdote.

Para os sacerdotes cinzentos e aprendizes do orfanato, Fran, sendo favorecido pelo Sumo Sacerdote, fez dele seu superior. Gil explicou que, se ele assumisse a liderança, os órfãos fariam seu trabalho, mesmo que não estivessem muito felizes com isso.

— Embora haja algumas crianças que provavelmente desobedecerão, — disse Fran enquanto olhava para Gil. Embora Gil agora levasse seu trabalho a sério, no passado, ele era aparentemente uma criança problemática e realmente irritava os padres zeladores. Ele evitou contato visual com Fran, o que me fez rir.

Fran e Gil patrulharam o orfanato, certificando-se de que todos estavam fazendo seu trabalho e verificando quem estava trabalhando duro, enquanto relatavam os detalhes e o progresso geral da limpeza para mim. Lutz estava no prédio dos meninos, monitorando a limpeza e colocando as ferramentas do Ateliê da Myne onde precisavam estar. Ele então faria batatas com manteiga lá, uma vez que tudo fosse feito. Delia estava limpando meus aposentos enquanto ficava de olho nos chefs.

— Acredito que posso patrulhar também.

— Você vai ficar aqui, Myne. Não quero que desmaie em algum lugar. — Lutz me parou antes que eu pudesse terminar minha frase e me deu um olhar exasperado enquanto eu ficava em silêncio com uma carranca.

— Você sabe, Irmã Myne. Estamos limpando o orfanato para que a aprendiz de donzela azul do santuário que está se tornando a diretora do orfanato possa entrar. O que você acha que vai acontecer se você for lá antes que a limpeza seja feita?

— Ah, certo, eu não pensei nisso. — Suspirei, já que sem Fran eu nem conseguia ir para a sala dos livros. Vendo isso, Fran deu um sorriso cheio de compaixão e colocou um pedaço de pergaminho na minha frente. Foi preenchido de cima para baixo com caligrafia metódica, que refletia bem a personalidade de Fran.

— Há muito para você aprender, Irmã Myne. Você deve primeiro memorizar toda esta saudação, que você precisará recitar esta noite, quando for ao orfanato em uma apresentação oficial pela primeira vez. Tome especial cuidado para não confundir os nomes dos deuses. — Ele havia escrito no papel, para que eu pudesse trapacear olhando para ele, se necessário, mas, em geral, eu precisaria memorizar esse tipo de coisa.

Suspirei enquanto olhava para o pergaminho. Vendo isso, Fran continuou a sorrir e me apresentou tábua após tábua.

— Se você tiver tempo, aqui está uma lista dos chás e variedades de leite que temos no templo. Aqui está o seu tipo preferido. Aqui é o do Mestre Benno, aqui é o do Lutz e aqui é o do Sumo Sacerdote. Você faria bem em memorizar as preferências de seus hóspedes.

Duvidei que o Sumo Sacerdote viesse aos meus aposentos, mas não disse isso. Eu poderia pelo menos entender o princípio de entender os gostos do seu chefe.

Lutz, mal segurando um ataque de riso, com a pilha de tábuas na minha frente, me deu um polegar para cima, um gesto que pode ser universal em todos os mundos.

— Bom para você, Myne. Você tem muitas coisas para ler agora.

— Eu gosto de ler, mas não gosto de memorizar as coisas.

Excluindo coisas em que eu estava muito interessada, meu cérebro sempre esquecia a última coisa que eu lia, assim que começava a ler algo novo, o que era uma droga. Abaixei os ombros tristemente enquanto pegava a pilha de documentos que Fran havia organizado para mim.

Depois que o quinto sino tocou, Fran voltou a escrever nomes em um quadro. Esses eram os nomes das crianças que trabalharam proativamente e os nomes daqueles que se esconderam para evitar o trabalho.

— As crianças pré-batismo, com as quais você estava especialmente preocupada, foram limpas da cabeça aos pés, Irmã Myne. O sabão e as toalhas, foram colocados em uso assim que estava quente o suficiente lá fora. Eles estão agora vestindo as roupas de segunda mão que você comprou e recheando de feno fresco os lençóis. — Eles estavam fazendo seus próprios colchões com lençóis usados baratos e o feno que comprei de um fazendeiro.

— Algum deles está doente ou muito fraco para se mover?

— Não, eles estão todos muito bem, inteiramente graças a Gil trazendo-lhes comida de forma tão consistente. As crianças agora o reverenciam como um salvador. E provavelmente você também, já que ele disse a todos que agiu sob suas ordens.

Ouvir isso, honestamente, me deixou meio confusa por dentro. Eu só estava feliz que as crianças estavam se sentindo melhor.

— Algumas das donzelas do santuário e aprendizes, que estavam no grupo de lavagem de crianças, fizeram colchões, enquanto o resto saiu para ajudar os outros grupos. É tudo o que tenho para relatar agora. Voltarei para a minha patrulha.

— Obrigada, Fran. Tudo está indo tão bem graças a você.

Fran deu um leve aceno de cabeça, depois voltou para o orfanato. Um pouco depois, Lutz voltou.

— Myne, o porão do prédio dos meninos está todo limpo agora, então vamos começar a trazer as ferramentas do Ateliê.

— Okay. Obrigada, Lutz.

— Essas pessoas são loucas, você sabe. Limpar é como respirar para eles. Nunca vi ninguém limpar tão rápido quanto eles.

Lutz deu seu relatório com um pouco de entusiasmo, então rapidamente voltou para seu posto. Quase imediatamente depois, Fran voltou, anotou os nomes que ouviu de Gil e foi embora novamente.

Todos estavam tão ocupados, mas eu estava presa na minha mesa de trabalho, que havia chegado há apenas alguns dias, olhando para a caligrafia de Fran. Os nomes dos deuses eram longos, e havia muitos deles. Eu, honestamente, queria sugerir apelidos para o Sumo Sacerdote para torná-los mais fáceis de lembrar e soar mais amigável.

— Que tal Flue ou Rane em vez de Flutrane? Haha. Ele me daria um sermão no mesmo segundo.

A porta da cozinha foi deixada aberta para que Delia pudesse olhar para dentro enquanto limpava, o que significava que, eventualmente, o cheiro da sopa de recompensa, cozinhando na cozinha, começou a flutuar para o meu quarto. Parecia que a limpeza estava terminando, enquanto eu pensava em coisas bobas.

— Irmã Myne, o prédio dos meninos está todo limpo.

— Bom trabalho, Gil. Agora só resta o prédio das meninas, certo?

— Sim, eu sei. Mas os meninos não podem entrar no prédio das meninas, além do refeitório, então sim.

— Talvez você devesse começar a se preparar para distribuir a sopa no refeitório?

Gil assentiu e saiu animado enquanto Lutz entrava.

— Ei, Myne. O ateliê está pronto, então comecei a cozinhar as batatas. Pode ser?

— Por que você está pedindo permissão após começar? Mas bem, Gil só foi preparar a sala de jantar, então agora é a melhor hora para começar as batatas. — Eu ri, mas Lutz se inclinou e baixou a voz.

— Essas pessoas nunca viram batatas. Eles só viram comidas que já estão cozidas. Todos se reuniram ao meu redor quando comecei a cozinhá-las no vapor. Foi uma dor de cabeça.

— Isso faz sentido. Eles só comem presentes divinos, então o orfanato não tinha quem cozinhasse. Acho que é razoável que eles nunca tenham visto ingredientes antes?

Falando nisso, nos meus dias de Urano, vi um artigo em uma revista dizendo que muitas crianças não podiam reconhecer cenouras selvagens, eles só conheciam as limpas, com as folhas cortadas. Se esse fosse o caso no Japão com a internet e tal, não era difícil imaginar os sacerdotes aqui não sabendo nada que eles não encontrassem diretamente em suas vidas diárias.

— Tudo bem, tenho que ir ensiná-los a trabalhar com a manteiga.

Lutz saiu novamente com manteiga, facas e um sorriso no rosto. Desta vez, Fran entrou atrás dele.

— Como esperado, o porão do prédio das meninas, onde estavam as crianças pré-batismo, está se mostrando difícil de limpar. Atualmente, todos os designados para limpar o prédio das meninas estão trabalhando juntos para terminá-lo. Imagino que terminem em breve. Além disso, ao contrário do prédio dos meninos, não há muitas pessoas atualmente morando no prédio das meninas. Decidi dar os quartos vazios para as crianças pré-batismo, com o entendimento de que isso é consistente com seus desejos. No momento, estamos levando suas roupas e colchões recheados de feno para os quartos.

O relatório de Fran me fez suspirar de alívio. Foi ótimo que as crianças tivessem lugares decentes para dormir.

— Irmã Myne, você terminou de memorizar a saudação?

— Um pouco, mas não estou totalmente confiante em minha memória. Posso levar esse pedaço de papel comigo?

— Certamente. Com isso feito, chamarei por você quando tudo estiver preparado. Delia, por favor, prepare a Irmã Myne.

Delia tomou o lugar de Fran e começou a arrumar meu cabelo. Ela me sentou na frente do espelho e puxou meu palito de cabelo. Enquanto segurava um pincel na mão, ela olhou para mim através do espelho com uma expressão triste e dolorida.

— Você os salvou?

— No momento, eles estão saudáveis o suficiente para colocar palha em seus próprios colchões novos.

— Ah. — Apesar do meu relatório positivo, a expressão de Delia não se iluminou. Ela franziu a testa e desviou o olhar, como se tivesse acabado de engolir algo amargo.

— Delia, você olhou para baixo. O que foi? Não é isso que você queria?

— Estou feliz, mas frustrada. Por quê. Por que você não poderia ter me salvado também, quando eu estava lá?

— Eu nem estava no templo naquela época, isso é meio irracional.

— Eu sei disso! Eu sei, mas…

Delia gritou, sabendo que sua frustração era injustificada, mas incapaz de fazer algo a respeito. Lágrimas estavam à beira de pingar de seus olhos azuis-claros. Ficou claro quanto sofrimento ela havia passado antes de seu batismo, quantas vezes ela havia implorado para ser salva sem sucesso. Doeu-me o coração ver.

— Eu não estive lá a tempo de te salvar, mas se você estiver com problemas de novo, estarei lá. Vou te salvar da próxima vez, então, por favor, não chore.

— Eu não estou chorando!

— S-Sinto muito.

— Não peça desculpas ao seu assistente! — Delia esfregou agressivamente os olhos enquanto rejeitava minhas desculpas. Ela era uma garota orgulhosa e provavelmente não queria admitir que chorava. Mas, mesmo assim, Delia está sendo irracional aqui, não é? Que gracinha.

Minha apresentação como diretora do orfanato era uma ocasião especial, então usei o enfeite de cabelo especial que fiz para a cerimônia de batismo. Só isso era o suficiente para fazer até mesmo um plebeu parecer a filha de um rico comerciante, no mínimo.

— Eu nunca vi um enfeite de cabelo como este antes.

— Eu fiz isso para a minha cerimônia de batismo. A Companhia Gilberta começou a vendê-los recentemente.

— Você fez isso? Você mesma?

— Eu tive ajuda, mas eu poderia fazer isso sozinha se eu precisasse. Tudo o que preciso são os materiais.

— Os materiais. — Delia olhou para o ornamento como um carnívoro que acabara de encontrar sua presa, enquanto escovava meu cabelo, antes de eu colocar o enfeite de cabelo em mim mesma. Ela ainda não estava acostumada a tecer cabelo em torno de um palito de cabelo, então não havia como ela ajudar nisso.

— Irmã Myne, os preparativos estão prontos. — A sopa fresca foi dividida em vários potes, que foram colocados em um carrinho. Havia muitos sacerdotes cinzentos que eu nunca tinha visto antes, com Fran, de pé, atrás deles. — Estes são os sacerdotes que ajudarão a carregar e distribuir a sopa.

— Obrigado a todos. Agradeço a ajuda.

— Nós é que deveríamos estar agradecendo. Eles certamente serão muito gratos, pois não houve muitos dons divinos ultimamente.

— Oh, mas esta sopa não é um presente divino. É uma recompensa.

— Uma recompensa? — Os sacerdotes piscaram, não entendendo realmente o que eu queria dizer, mas eu apenas respondi com um sorriso.

Fran me carregou por um corredor e eventualmente chegamos em frente ao orfanato. Foi uma caminhada surpreendentemente longa, já que tivemos que dar a volta ao redor do prédio enquanto combinávamos com o ritmo lento do carrinho.

Fran me colocou na frente da porta e verificou se meu cabelo e roupas ainda estavam arrumados. Uma vez que isso foi feito, um sacerdote cinza abriu a porta e falou alto, para que sua voz ecoasse para todos os que estavam lá dentro.

— Com a proteção divina do poderoso Rei e Rainha dos céus intermináveis e dos poderosos Cinco Eternos que governam o reino mortal, a donzela do santuário, recém-nomeada como diretora do orfanato, chegou.

A porta se abriu direto para o refeitório do orfanato. Era um pouco surpreendente ver fileiras de longas mesas bem na entrada, mas dado que os presentes divinos tinham que ser entregues aqui diariamente e que os meninos só podiam entrar no refeitório, era, no geral, bem eficiente.

Embora as fileiras de sacerdotes de vestes cinzentas estivessem sentados nos bancos, todos se levantaram com a minha chegada e encararam meu caminhar. O grande número de olhos em mim e as pessoas claramente me avaliando, me fez querer olhar para o chão, mas antes que eu pudesse.

— Vamos recebê-la com uma oração aos deuses. Abençoados sejam os deuses!

Era impossível para mim, desviar o olhar da visão repentina de um grupo em massa de pessoas fazendo aquela ridícula pose de oração.

— Irmã Myne, por aqui. — Fran pegou minha mão e me guiou para um pódio apoiado em um quadrado de carpete. Os sacerdotes mais velhos, perto da entrada, estavam fazendo poses entusiasticamente, mas, as crianças menores mais para trás, estavam lutando para manter o equilíbrio. Seria difícil dizer qual de nós, era pior nisso.

Quando os olhos de todos voltaram para mim, após terminar suas orações, Fran me colocou no pódio e sussurrou ao meu ouvido:

— Por favor, faça seu discurso como um nobre, com dignidade e autoridade.

Parecia que deixar uma primeira impressão forte, seria um passo importante para fazer com que os sacerdotes cinzentos me obedecessem. Assim como Gil disse, os sacerdotes cinzentos e as donzelas do santuário aqui sabiam que eu era uma plebeia, apesar de ser uma aprendiz de donzela azul do santuário. Se eu mostrasse falta de confiança ou autoridade aqui, eles me desprezariam em um piscar de olhos. Eu precisava exalar a majestade confiante de um nobre, para manter o queixo erguido e nunca abaixar o olhar. Continue sorrindo e mantenha a compostura. Eu só tinha que ter em mente os avisos que Benno tinha me dado, quando fomos entregar a doação.

No caminho para cá, Fran disse com um sorriso que, se as coisas ficassem ruins, eu poderia esmagá-los levemente com minha mana, para que eles aprendessem seu lugar, quer gostassem ou não. Eu não queria exatamente governar pelo medo, então idealmente isso não seria necessário.

De alguma forma, consegui memorizar a longa saudação, mas a única experiência que tive falando na frente de grandes grupos, foi quando ganhei algum prêmio por um ensaio que escrevi e tive que fazer um discurso de aceitação humilhante. Isso e apresentar minha tese de formatura.

Respirei fundo, tremendo de medo de todos os olhos em mim, e toquei as flores balançando no meu enfeite de cabelo. Eu me sentia mais confiante com esse enfeite de cabelo, já que eu tinha feito isso com a minha família.

— Saudações a todos. Eu sou Myne, aquela que o Sumo Sacerdote escolheu para ser a diretora do orfanato neste vibrante dia de verão abençoado pelo Deus do Fogo Leidenschaft. Do fundo do meu coração, expresso minha alegria por suas calorosas boas-vindas e serviço futuro.

O discurso começou por enquadrá-los como acolhedores e me servir em uma luz positiva, em seguida, terminou com uma oração. Fiz uma pausa e respirei para não confundir os nomes dos deuses.

— Ó Poderoso Rei e Rainha dos céus sem fim. Ó Poderosos Cinco Eternos, que governam o reino mortal. Ó Deusa da Água Flutrane. Ó Deus do Fogo Leidenschaft. Ó Deusa do Vento Schutzaria. Ó Deusa da Terra Geduldh. Ó Deus da Vida Ewigeliebe! Nós lhe oferecemos nossas orações e gratidão.

Fran aparentemente escreveu para mim a saudação padrão para assuntos formais no templo. Os sacerdotes cinzentos responderam imediatamente.

— Benditos sejam os deuses! Glória aos deuses!

Fran e o Sumo Sacerdote me forçaram a praticar a oração pelo menos uma vez por dia desde que comecei a vir ao templo, então, naturalmente, me acostumei mais com isso. Ninguém podia me chamar de mestra nisso, mas eu não estava mais perdendo o equilíbrio ou caindo. Honestamente, estou fazendo uma pose bem feia agora, se é que posso dizer.

Quando a saudação terminou, era hora de distribuir as recompensas.

— A maioria de vocês trabalhou junto para limpar o orfanato por minha causa. Eu trouxe uma recompensa para aqueles de vocês que o fizeram. Fran, por favor, dê aos trabalhadores as suas recompensas.

— Como desejar, Irmã Myne.— Fran pegou uma tábua de madeira e começou a listar os nomes daqueles que não trabalharam. Os sacerdotes cinzentos, que distribuíam a sopa, ignoravam aqueles que tinham seus nomes chamados, dando comida apenas aos outros. “Parece os almoços distribuídos na escola”, pensei distraidamente enquanto observava, até que de repente um menino da mesma idade que Gil, que não havia recebido comida, se levantou e olhou para mim com o rosto vermelho brilhante.

— Isso não é justo! Os dons divinos devem ser distribuídos igualmente! Você é uma plebeia e não…

— Na verdade, os dons divinos são dados igualmente. — Sorri brilhantemente para o garoto que estava agindo inteiramente como Gil no início. — Mas estes não são dons divinos. Você não me ouviu quando eu disse que estas são recompensas dadas àqueles que trabalharam duro por minha causa? As recompensas não são iguais. Infelizmente, aqueles que não fazem nenhum trabalho não serão recompensados. Há um ditado que diz que “aquele que não trabalha, não come”. Vocês fariam bem em se lembrar desse ditado.

O garoto provavelmente não esperava que eu retrucasse. Ele olhou para mim, atordoado, como se tivesse esquecido completamente sua raiva.

— Uma recompensa?

— Sim, uma recompensa. Faça seu trabalho da próxima vez. Além disso, trouxe mais recompensas para aqueles que trabalharam duro. Aqueles que tiverem seus nomes chamados, por favor, venham para a frente com seus pratos.

Os sacerdotes cinzentos abriram os vaporizadores em que Lutz havia colocado as batatas com manteiga. O cheiro de manteiga vagou pelo refeitório. Enquanto Fran listava nomes, sacerdotes e donzelas de santuários, timidamente, vieram para a frente enquanto olhavam para aqueles ao seu redor. Um padre cinza colocou uma batata com manteiga em cada prato.

— Ouvi dizer que você correu para onde as crianças estavam e começou a limpar antes de qualquer outra pessoa. Obrigada.

— Disseram-me que você limpou excepcionalmente rápido. Lutz elogiou seu trabalho.

— Você carregou proativamente as cargas mais pesadas, né? Bom trabalho.

Eu estava lendo o memorando que Fran e Lutz escreveram sobre os trabalhadores mais esforçados, mas todos olharam para mim com expressões emocionalmente afetadas. Alguns deles até pareciam Gil, um sinal de que nunca haviam sido elogiados nem uma vez na vida.

Não pude deixar de perceber o quão abençoada eu era por ter uma família como a minha. Visões da minha família me elogiando por cada coisinha que consegui fazer, passaram pela minha cabeça. Senti que, a partir de agora, eu precisaria procurar os pontos bons dos sacerdotes e dar-lhes o meu louvor como a diretora do orfanato.

— Por favor, continue seu trabalho duro. Mas, por enquanto, comam.

No dia seguinte, tive uma aula de culinária. Os grupos foram divididos em naqueles que lavavam legumes, aqueles que cortavam legumes e aqueles que acendiam e mantinham o fogo sob as panelas. Os participantes eram ensinados por Tuuli e Ella. Hugo, enquanto isso, estava trabalhando duro para fazer o jantar sozinho.

Ella e Tuuli ensinaram principalmente como cortar os vegetais. Os adultos usavam facas de corte grandes, enquanto as crianças usavam facas multiusos menores. A sopa fresca seria sua recompensa e jantar, então todos levaram a sério seu aprendizado. Eles estavam cheios de curiosidade pela carne crua e vegetais que nunca tinham visto antes, e estranhamente os picaram com movimentos inexperientes.

Observei como todos fizeram a primeira refeição produzida pelo Ateliê da Myne. Fran me disse que seria bom assistir, mas como uma donzela azul do santuário, ajudar em qualquer coisa era estritamente proibido. Senti olhos nas costas e me virei, para ver o garoto, que havia saído do trabalho ontem, olhando para mim, enquanto cortava proativamente o máximo de vegetais que podia. Suas intenções eram tão claras que era adorável, então dei a ele frutas como recompensa extra.

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