Muitos dias se passaram desde que Delia começou a fazer seu trabalho. Eu ia ao templo todos os dias, excluindo os dias da Terra, que mamãe, Tuuli e todos os outros no mundo também estavam de folga. Isso porque as coisas que eu havia pedido através do Benno estavam chegando, eu precisava escrever novas receitas em quadros para os chefs e, o mais importante, eu queria o máximo de tempo possível para ler.
Ao longo desses dias, meus assistentes encontraram, mais ou menos, uma divisão justa de trabalho entre eles. Delia cuidava diretamente da minha pessoa, na forma de limpar o banheiro, lavar minhas roupas caras e manter o segundo andar arrumado em geral. Ela havia aprendido recentemente a fazer chá com Fran e agora estava fazendo isso para mim, no lugar dele.
Gil limpava principalmente o primeiro andar e o exterior das câmaras, além de ficar de olho nos chefs. Fran estava no processo de ensinar e firmar a linguagem e os modos adequados nele. Quando eu disse a ele que Lutz havia aprendido a ler e fazer contas durante o inverno, seu espírito competitivo se inflamou e ele começou a dizer que faria a mesma coisa. Mas ele tinha uma montanha de coisas que tinha que aprender com Fran primeiro, aparentemente.
Enquanto isso, Fran estava fazendo todo o resto, incluindo verificar o trabalho dos outros dois. Ele ia comigo ao quarto do Sumo Sacerdote pela manhã para fazer a papelada, levava as sobras do nosso almoço para o orfanato, informava os chefs do menu da tarde, verificava se tínhamos os ingredientes e ia para a sala dos livros comigo. Ele gerenciava minha saúde, informava as pessoas relevantes quando Benno vinha, treinava os outros dois assistentes, como eram aprendizes, e me ensinou a viver como uma nobre. Fran estava fazendo tudo. Ele estava até lendo as receitas para os chefs e verificando novamente o depósito para se certificar de que nada estava sendo levado, aparentemente.
Perguntei a Fran se ele tinha muito trabalho, preocupada que ele estivesse trabalhando demais, mas ele disse que era fácil, já que eu não o estava convocando inesperadamente no meio da noite. Fran era bom demais para mim. Minha gratidão por Fran e minha confiança nele estava aumentando, assim como o salário que eu pretendia pagar a ele. Eu estava tão grata ao Sumo Sacerdote por designar Fran para mim, que eu não sabia como eu poderia retribuir a ele.
Hoje era para ser um dia de folga para mim, mas fui para o templo de qualquer maneira. No que uma vez pensei ser um depósito no segundo andar, estava sendo instalada uma banheira de mármore, que parecia ser popular entre os nobres, ultimamente, e eu precisava estar lá para pagar. Seria muito trabalho aquecer água na cozinha e levá-la até a banheira, e eu já estava me lavando em casa com Tuuli, então não precisava de uma banheira assim. Mas quando eu disse: “Uma bacia não serve?”, Delia ficou brava comigo, gritando em resposta
— Puxa! O que você quer dizer? Até mesmo os assistentes do Arcebispo usam banheiras adequadas!
Delia queria usar a banheira recém-instalada o mais rápido possível. Eu disse que ela poderia ir em frente e usá-la, mas ela, mais uma vez, ficou brava.
— Você espera que eu use sem minha mestra?! Puxa!
Aparentemente, as donzelas azuis do santuário pegavam madeira para aquecer sua água, mas as donzelas cinzentas do santuário só pegavam água fria.
— Você a prepararia para mim, então?
Pareceu-me que carregar água quente da cozinha tornaria a preparação da banheira uma experiência miserável, mas Delia fez isso feliz.
— Bem, se ela está feliz, quem sou eu para impedi-la?
Delia lavou meu cabelo com Limxam, vestiu minhas roupas, penteou meu cabelo e, após tocar alegremente no meu cabelo para confirmar que era suave como seda, entrou animadamente no banho, para usar o resto da água morna. Imagino que ela se esforçava muito para polir a aparência.
— Irmã Myne, por favor, tome cuidado para não confiar muito em Delia. Ela ainda tem laços com o Arcebispo — advertiu Fran, com uma expressão descontente, ao me trazer bebidas durante o banho de Delia. Eu ri um pouco do quão sério ele parecia.
— Eu sei disso. Ela acabou de me dizer feliz que conseguiu falar com os assistentes do Arcebispo novamente.
Ela estufou o peito com orgulho e disse “Eu sabia que ele nunca abandonaria alguém tão fofa quanto eu”. Mas ela ainda estaria morando em meus aposentos, em vez dos aposentos do Arcebispo. Seria melhor assim, tanto para o trabalho dela quanto para obter informações de mim.
Os aposentos do Sumo Sacerdote tinham dois sacerdotes adultos cinzentos, três donzelas adultas do santuário e três aprendizes como Delia. Em outras palavras, os três aprendizes tinham que cuidar de seis pessoas, incluindo o Arcebispo. Mas Delia só tinha que cuidar de mim, quando estava aqui. Ainda mais, ela não precisava fazer tanto por mim, quanto faria pelos outros padres azuis. E além disso, Fran não confiava em Delia, então ele deu a ela significativamente menos trabalho que os sacerdotes cinzentos do Arcebispo.
No geral, servir-me proporcionou a Delia muito mais tempo para aprimorar suas habilidades e aparência, o que foi uma grande vantagem para ela, já que ela não desistiu de ser uma concubina quando crescesse. Ela me disse que não queria servir alguém como aprendiz a vida toda. Ela queria estar do lado vencedor, o lado que usava outras pessoas. Isso não parecia ser uma mentalidade totalmente saudável para mim, mas apreciei o quanto ela se esforçou para realizar seus sonhos.
— Delia ainda pode estar ligada ao Arcebispo, mas se ela levar o trabalho a sério, tudo bem para mim. Terei cuidado com as coisas que digo a ela. Embora eu não tenha certeza de quais informações devo esconder dela, para ser honesta.
— Irmã Myne, isso não é reconfortante. — Fran suspirou e disse para não contar muito sobre Lutz ou minha família, explicando que eles eram minha maior fraqueza.
Assim que Delia saiu do banho, era hora do almoço. O almoço de hoje foi pão fofo, sopa consommé de vegetais e bacon, além de frango assado com ervas. Gil e Delia se revezavam servindo cada refeição, enquanto o que não servia almoçava ao mesmo tempo que eu. Fran foi excluído de ser um servidor, pois estava indo para o orfanato para entregar os presentes divinos e porque ele tinha que ficar comigo na sala dos livros.
— Irmã Myne. Vou levar os dons divinos para o orfanato.
— Sim, obrigada.
A carroça esperando do lado de fora dos meus aposentos tinha a sopa ainda quente, pão e sobras de carne empilhadas nela. Delia e Gil ainda não tinham forças para empurrar a carroça pesada, o que significava que Fran era o único que poderia fazê-lo.
— Aah? Fran já se foi?
Depois que Fran saiu, Gil saiu da cozinha carregando uma cesta cheia de pão. Ele olhou para fora, viu que a carroça havia sumido e olhou para sua cesta.
— O que há de errado, Gil?
— Delia disse que era pão demais para comer, então pensei que talvez eu pudesse pegar Fran antes que ele saísse. Também não adianta guardá-los para o jantar, porque os chefs estão dizendo que vão assar mais pão de tarde.
— Não houve muitos presentes divinos para o orfanato ultimamente, correto? Acho que seria melhor levar o pão para eles, do que jogá-lo fora.
— Sim, parece bom. — Gil riu e reajustou seu aperto na cesta. Sem dúvida, aqueles no orfanato ficariam felizes em receber quatro baguetes de pão extra.
— Na verdade, Gil. Seria aceitável se eu fosse com você? Eu gostaria de ver como é o orfanato, por mim mesma, pelo menos uma vez.
Meus aposentos tinham uma entrada diferente, mas como ainda fazia parte do orfanato, eu esperava que tivesse visto as crianças, até agora. No entanto, eu não tinha visto uma única. Eu tinha visto aprendizes como Delia e Gil limpando o templo, lavando roupas no poço, cuidando de animais e assim por diante, mas não tinha visto nenhum dos órfãos do pré-batismo.
— Tudo bem, vou te levar lá. Conheço um atalho. Siga-me.
Gil parecia orgulhoso enquanto se dirigia para o portão, como alguém prestes a compartilhar um segredo. Um atalho seria perfeito para alguém sem resistência como eu.
Ele girou ao redor do prédio, depois desceu as escadas em frente à capela. O sol de verão fez as escadas de mármore branco brilharem intensamente. Normalmente, eu só andava de manhã ou à noite quando estava frio, mas o meio-dia estava quente, como você esperaria no verão.
— A sala de jantar do orfanato fica no prédio das meninas. O prédio das meninas tem crianças pré-batismo, donzelas de santuário cinza que não são assistentes e aprendizes. Garotos vão para o prédio dos garotos após serem batizados. Ao dar presentes divinos, faz mais sentido para meninos trabalhadores irem ao prédio das meninas que para meninas e crianças irem ao prédio dos meninos, certo?
Segui Gil pelos degraus enquanto ouvia sua explicação e, eventualmente, nos deparamos com uma entrada um pouco escondida para o orfanato, construída ao lado da escada. Havia uma fechadura de barra do lado de fora da porta, o que fazia parecer que estava lá para impedir que as pessoas de dentro saíssem, em vez de impedir que estranhos entrassem.
— A maioria das pessoas não sabe que essa porta se abre. Por dentro, parece apenas parte da parede, e ninguém nunca a abre.
— Como você sabe sobre isso, então?
— Quando eu era pequeno, abriu apenas uma vez, no meio da noite. Alguém gesticulou para nós, então uma donzela cinzenta do santuário saiu correndo. Fechou muito rápido, mas desde então, comecei a realmente querer ir lá fora. Pensei que talvez alguém estivesse esperando por mim.
Gil sorriu nostalgicamente e colocou a cesta de pão no chão para tirar a barra. Ele então puxou a porta com força, usando todo o seu peso, já que as dobradiças estavam enferrujadas e a porta simplesmente não se movia.
Quando finalmente se abriu, uma onda de calor e um cheiro horrível saíram, me fazendo agarrar meu nariz reflexivamente. Gil fez o mesmo com um grunhido. Era um cheiro horrível demais para suportar, mesmo para alguém acostumado com o cheiro de uma cidade.
Com a porta aberta e deixando a luz entrar, podíamos ver claramente o interior da sala. No topo de uma camada de feno mofado coberto de urina e matéria fecal, estavam várias crianças nuas, esparramadas no chão com expressões sem vida em seus rostos. Não parecia ter janelas, então, mesmo com a luz brilhante do verão fluindo dentro, ainda estava escuro.
— Presentes divinos? — Ao notar o cheiro dos presentes, algumas das crianças soltaram vozes estaladas e vieram rastejando em nossa direção com olhos brilhantes. As coisas pretas estavam presas à pele nua que se agarrava firmemente aos ossos. Eles pareciam crianças refugiadas africanas famintas, que eu só tinha visto em fotos antes, e a visão delas rastejando em minha direção me fez sentir mais horror do que pena. Senti uma indescritível sensação de medo e congelei no lugar, meus dentes batendo.
— Na-não.— Gritei com medo, o que pareceu trazer Gil de volta aos seus sentidos. Ele rapidamente fechou a porta e colocou a barra de volta na porta. Ouvimos os sons de seus punhos batendo na porta, mas eles eram golpes fracos, sem muita força neles. Longe de ter força suficiente para arrombar a porta.
Quando o alívio de ter escapado do terror se misturou com o horror repugnante do que eu tinha visto no orfanato, eu desabei no chão, minha cabeça ficou completamente vazia.
Quando acordei, estava no meu próprio quarto. Eu estava descansando em algo duro, e um toque revelou que eu não estava em um colchão recheado de algodão que os nobres usavam, ou um colchão recheado de feno que eu usava em casa. Eu estava descansando na estrutura simples que havia sido deixada nos abandonados aposentos do diretor. Olhei para o meu lado e vi que Gil estava sentado em uma cadeira, abraçando os joelhos como se tentasse encolher ao menor tamanho possível.
— Gil?
— Você está acordada? Graças aos deuses. Sinto muito, eu…
Gil olhou para mim, com olhos chorosos, mas antes que ele pudesse terminar sua frase, Delia começou a gritar do outro lado da cama.
— O que você estava pensando, levando a irmã Myne para o prédio das meninas?! E a entrada dos fundos?
— Não é minha culpa! Eu não sabia que as coisas estavam assim lá agora!
As palavras de Gil agitaram minhas memórias do que eu tinha visto no orfanato. A sala fechada. O feno coberto de urina e matéria fecal. As crianças famintas e ossudas sem um pedaço de roupa. Isso simplesmente não era um lugar para criar crianças. Dada a falta de fluxo de ar, era pior que, até mesmo, um estábulo malcuidado.
No segundo em que as memórias voltaram para mim, arrepios cobriram minha pele e senti o conteúdo do meu estômago querendo sair. Pulei e engoli em seco para não vomitar no local. Fran, me vendo cobrindo a boca para conter o vômito, passou por Gil para ficar ao meu lado.
— Perdoe-me, Irmã Myne. Peço desculpas do fundo do meu coração por permitir que você visse essa visão embaraçosa. Por favor, esqueça tudo o que viu. — Fran, chamando o estado horrível do orfanato de “embaraçoso” e me dizendo para “esquecer” me deixou descontrolada, então olhei para Gil.
— Aquele era realmente o orfanato? Não foi nada parecido com o que você me disse.
— Me mudei para o prédio dos meninos após ser batizado, então eu não tinha ideia do que estava acontecendo no prédio das meninas. Aquele lugar não era assim quando eu estava lá, Irmã Myne.— Gil baixou os olhos e falou com uma voz fraca.
Delia olhou para ele e soltou um “Glup”, depois explicou:
— É porque quando os sacerdotes azuis saíram, muitas donzelas cinzentas do santuário também deixaram o templo. Crianças pequenas começaram a morrer o tempo todo sem pessoas para cuidar delas. Eu só sentei lá, esperando meu batismo, para que eu pudesse me mudar para o primeiro andar. Mas, bem… Só sei como era lá há um ano. Deve ser muito pior agora. Não quero nem pensar nisso. — Delia baixou mais os olhos, tremendo um pouco.
Gil tinha dez anos, então foi batizado há três anos. Delia tinha oito anos, e aparentemente as coisas estavam horríveis mesmo quando ela foi batizada há um ano. Segundo ela, as donzelas cinzentas do santuário começaram a sair uma após a outra há um ano e meio e sem ninguém para cuidar delas, as crianças órfãs eram abandonadas e só recebiam comida duas vezes por dia, na melhor das hipóteses.
— Quando fui trazida para o meu batismo, uma donzela cinzenta do santuário me disse que eu estava muito suja para ser apresentada aos sacerdotes azuis. Ela me esfregou com tanta força que todo o meu corpo doía. Mas, no momento em que toda a sujeira saiu de mim, ela começou a falar sobre como eu era fofa e como eu cresceria para ser bonita. Logo após o meu batismo, fui levada ao Arcebispo. Havia três crianças comigo. Consegui ser uma aprendiz de assistente, mas as outras crianças não foram escolhidas e foram enviadas de volta para o orfanato.
Ao saber o porquê Delia estava tão apegada à sua própria fofura e por que ela evitava tanto o orfanato, senti meu coração ficar ainda mais pesado.
— Irmã Myne,— interrompeu Gil. — Por favor, salve-os. Estou te implorando, por favor.
— Pare, Gil. Irmã Myne, você não deve se envolver com esses assuntos.
Fran rejeitou os apelos de Gil com um olhar severo no rosto. Sinceramente, não queria me envolver ativamente com o orfanato, já que apenas lembrar dos órfãos me deixava doente, mas não esperava que Fran rejeitasse a ideia com tanta firmeza, quando ele mesmo era do orfanato.
— Por que não?! — Gil gritou, como se estivesse falando em meu lugar e Fran deu uma resposta firme.
— É muito perigoso. A Irmã Myne tende a crescer extremamente protetora daqueles que estão perto dela e de seus aliados. Como visto, quando ela usou sua mana no Arcebispo para proteger sua família. Se ela se envolver com o orfanato e os considerar seus protegidos, então ela pode ficar em oposição aos padres azuis, a fim de proteger os órfãos. Seria sábio minimizar a chance dela, subconscientemente, liberar sua mana.
Com Gil implorando por minha ajuda e Fran se opondo à ideia, me virei reflexivamente para Delia, para ouvir quais eram seus pensamentos.
— Se eles podem ser salvos, acho que você deveria. Mas não quero me envolver e não quero me lembrar deles. Quero esquecer tudo. — Delia disse, com uma expressão rígida, antes de virar a cabeça para longe de mim.
Gil franziu o rosto, magoado ao saber que ninguém estava do seu lado. Ele cerrou os dentes e olhou para mim, com os olhos vacilantes, antes de se ajoelhar lentamente e cruzar os braços na frente do peito.
— Irmã Myne, por favor. Salve-os.
Apertei meus lábios com o apelo sincero de Gil. Em geral, eu queria ajudar o sofrimento quando pudesse. Por exemplo, se alguém me pedisse para fazer algo específico, em termos concretos para ajudar, e estivesse ao meu alcance fazê-lo, eu faria. Mas se alguém me pedisse para passar o resto da minha vida ajudando, ou se alguém me pedisse ajuda, sem explicar como, eu estaria perdida.
Nos meus dias de Urano, eu tinha participado de campanhas de caridade, às vezes, mas geralmente, só fazia serviço comunitário quando minha faculdade exigia isso, já que eu só estava interessada em livros. Além disso, desde que me tornei Myne, eu estava constantemente contando com a ajuda dos outros, devido à minha doença e fraqueza. Eu poderia oferecer conselhos baseados na minha experiência de vida na Terra, mas qualquer coisa que exigisse mudança, teria que ser feito por outras pessoas. Em última análise, era difícil pensar que eu seria de muita ajuda para o orfanato.
— Agora, eu gosto de fazer meu trabalho porque você me elogia por isso, Irmã Myne, e gosto de trabalhar duro porque eu recebo mais. A comida é boa, eu consigo comer o quanto eu quiser e posso dormir com minhas pernas esticadas, no meu próprio quarto. Minha vida está ótima agora. Mas eles são… Eles estão presos lá embaixo, como… como…
— Sinto muito, Gil. Não há quase nada que eu possa fazer por eles, pois, não sou uma nobre de verdade e não acho que posso ignorar o conselho de Fran tão levemente.
Gil olhou para cima, sua expressão mostrava sua dor. Mas eu era apenas uma plebeia que tinha, por pouco, o direito de usar vestes azuis, através de oferecer minha mana e dinheiro em tempos de problemas. Eu não poderia prometer salvar o orfanato tão facilmente, quando eu sabia tão pouco, e não podia suportar a responsabilidade de cuidar do orfanato daqui em diante.
— Mas, no mínimo, vou perguntar ao Sumo Sacerdote sobre isso. Se houver algum padre cinza ocioso, perguntarei se eles podem trabalhar no orfanato, ou talvez, eu veja se há um pouco mais de espaço no orçamento para a comida. Vou ver se há algo que o Sumo Sacerdote possa fazer para melhorar a situação do orfanato.
— Obrigado, Irmã Myne.
O Sumo Sacerdote estava lidando com o orçamento e o funcionamento interno de todo o templo. Ele deve ser capaz de enviar mais dinheiro para o orfanato ou procurar por zeladores se solicitado. Suspirei de alívio, pensando que ele poderia resolver tudo, mas Fran baixou os olhos e balançou a cabeça.
— Não há necessidade de você se envolver, Irmã Myne.
— Só estou pedindo ajuda ao Sumo Sacerdote, nada mais. Por favor, marque uma reunião com ele.
Se o Sumo Sacerdote não pudesse fazer nada, eu certamente não poderia e ele poderia ser capaz de me dar conselhos sobre o que fazer daqui para frente. No mínimo, seria muito melhor que me preocupar sozinha, sem saber quais opções estavam disponíveis para mim.
Repeti meu pedido à Fran e ele hesitantemente concordou em marcar uma reunião.
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