O "Jack-of-All-Trades" Expulso d... Cap. 186 — [Side: Explorador de Armadura] Para ser o Escudo que Protege o Rei

Enquanto Orun e os outros ouviam o pedido da Princesa na Guilda dos Exploradores, o Explorador de Armadura ―― Oliver ―― visitava a loja de variedades de Cavaleer.

“Você voltou. Como foi?”, perguntou Cavaleer ao ver Oliver entrar na loja.

“Como você previu, o labirinto perto da Vila Farila sofreu uma inundação, e o grupo da Princesa que vinha para cá foi atacado.”

“Entendo. Enviar você e o Orun foi a decisão certa. Com isso, evitamos que o Reino fosse unilateralmente esmagado pelo Exército Imperial, não é mesmo?”

“A presença da Princesa é tão importante assim?”

“Contra o Exército Imperial, o tempo que o Exército Real consegue ganhar não é muito longo. Eu apenas achei que torná-la o estandarte da resistência seria o caminho mais rápido para organizar uma Força Aliada. A Princesa deve ter pensado o mesmo, por isso se colocou como uma peça no tabuleiro.”

“Uma visão macroscópica, hein. Eu ainda não consigo enxergar o quanto esse resultado influenciará o futuro.”

“Hoh-ho-ho. Isso é algo que só se cultiva com experiência. A menos que você seja um gênio, claro.”

“Como o Orun?”

“Orun é um pouco diferente de um ‘gênio’. Bem, embora para quem o vê de fora, ele seja a própria definição de um.”

“…Saímos do assunto. Enfim, as condições do contrato foram cumpridas, certo?”

“Sim. Sem problemas.”

“Então, entregue-o. O **[Olho do Espírito]**.”

“…Tem certeza absoluta? Temos o precedente da pequena Shion, mas por outro lado, esse é o *único* caso de sucesso. Há uma chance real de você se tornar um vegetal, sabia?”

“Sim. Estou ciente dos riscos. Mas é óbvio que, nas batalhas que virão, não ser capaz de enxergar os espíritos significa estar fora do jogo.”

A expressão de Oliver continuava oculta pelo elmo, mas sua voz carregava uma determinação inabalável.

“Além disso, embora eu seja mais forte que o Orun agora, se ele recuperar seu verdadeiro poder, eu me tornarei apenas um fardo no estado em que estou. Não posso me dar ao luxo de ficar parado aqui.”

“…Entendido. Se você está tão decidido, não tenho mais nada a dizer. Preparei um local, venha comigo.”

Após confirmar a resolução de Oliver, Cavaleer o guiou até o subsolo da loja. O local era uma sala usada para experimentos de magia e ferramentas mágicas, possuindo espaço e durabilidade consideráveis.

Quando Oliver chegou ao centro da sala, Cavaleer operou sua ferramenta de armazenamento, fazendo surgir seis pilares de dois metros de altura dispostos em intervalos regulares ao redor de Oliver.

“Dentro desta área cercada pelos pilares, você pode perder o controle o quanto quiser sem se preocupar com danos ao redor. Não se contenha.”

“Ficarei lhe devendo esta.”

Cavaleer ativou o dispositivo. Os pilares ressoaram entre si, projetando uma barreira de mana que envolveu Oliver completamente.

Oliver retirou o elmo, revelando seu rosto, e levou o cristal de topázio — o Olho do Espírito — até a altura da testa. Após respirar fundo algumas vezes, ele esmagou o cristal com uma expressão de quem aceita o próprio destino.

No momento em que a mana densa contida no cristal começou a vazar para o ambiente, Oliver ativou sua Habilidade Inata, **[Convergência de Mana]**, forçando toda aquela energia a se concentrar em seu olho esquerdo.

Imediatamente, um grito agônico ecoou pelo subsolo.

Oliver sentiu como se o fluido de seu olho estivesse fervendo e como se todo o seu cérebro estivesse sendo incinerado através dos nervos ópticos. Aquela dor pareceu durar uma eternidade.

Alguns minutos depois, o silêncio voltou a dominar o porão.

“Haa… haa… haa…”

Oliver segurava o olho esquerdo, respirando com dificuldade, mas mantinha-se de pé sobre as próprias pernas, mesmo cambaleando.

“…Oliver, você me reconhece?”

“……Sim. Você é o velho desumano e maldito, Cavaleer Evans, não é?”

Diante da resposta insolente, Cavaleer abriu um sorriso satisfeito.

“Hoh-ho-ho. Se ainda consegue fazer piadas ácidas, não preciso me preocupar. Foi um feito admirável, Oliver.”

“Então… este é o mundo que o Orun, a Shion e a Luna enxergam…”

Oliver afastou a mão do olho esquerdo e soltou um suspiro de admiração ao contemplar o cenário diante de si.

De seu olho, vazava uma mana dourada tão densa que era visível a olho nu, e um padrão geométrico, diferente de qualquer círculo mágico comum, brilhava em sua pupila.

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