Após a partida dos três que aniquilaram a horda de dragões, outras três figuras permaneciam naquele local.
Uma delas, a garota de roupas vermelhas Luella Inglot — apelidada de Luella —, brandia sua espada longa com maestria, retalhando a rocha gigantesca diante de si. A rocha cortada desmoronou com um estrondo, levantando uma cortina de poeira.
“Sinceramente, aqueles três eram fortes demais, não acham~? Se eu tivesse enfrentado alguém assim, teria morrido num instante~. Obrigado por nos ajudar, Philly-san.”
Enquanto observava Luella remover os escombros, o garoto de roupas vermelhas com o mesmo rosto, Frederic Inglot — apelidado de Fred —, falava com um tom arrastado para a última pessoa ali presente, Philly Carpenter.
“Não precisa agradecer. Este incidente apenas trouxe benefícios para mim também, nada mais.”
Enquanto Frederic e Philly conversavam…
“Puxa, você me salvou, Luella….Ainda assim, esta visão é incrível. De certa forma, poderíamos chamar de fantástica.”
De dentro da poeira, surgiu um homem ileso, embora com as roupas em farrapos — Ozwell MacLeod. Ele soltou um suspiro de admiração ao ver as cicatrizes da batalha entre Orun e os dragões: as crateras e o solo congelado.
Luella aproximou-se de Ozwell e entregou-lhe um novo conjunto de roupas vermelhas.
“Obrigado. E então, para onde foram aqueles três?”
Ozwell perguntou enquanto vestia o traje, olhando para Luella.
“Bem, graças à Philly, nenhum dos três voltará para cá, *Doutor*.”
Ao ser chamado de “Doutor” por Luella, Ozwell olhou para Philly com uma expressão de surpresa. Ao capturá-la em seu campo de visão, ele abriu a boca:
“Ora, ora, se não é a *Guia* (Dousha). Desculpe pelo transtorno que causei.”
Orun e os outros, ao terminarem o combate contra os dragões, haviam simplesmente *esquecido* da existência de Ozwell. Isso foi obra da Habilidade Inata de Philly: **[Alteração Cognitiva]**. Enquanto Orun e Shion aniquilavam os monstros, Philly usou sua habilidade para desviar sutilmente os pensamentos deles de Ozwell para outros assuntos. Como resultado, eles deixaram Ozwell para trás e seguiram para seus próximos destinos.
Ozwell compreendeu isso instantaneamente e pediu desculpas a ela.
“Não foi nada. Esta foi apenas uma ótima oportunidade para um ensaio geral. Ajudar você foi apenas um bônus.”
“Lá vem você de novo com esse tom ríspido. Acho um desperdício de personalidade, sabia?”
“…Cale a boca.”
“Bem, tanto faz. De qualquer forma, o incidente de seis meses atrás já havia deixado claro, mas agora é quase impossível matar fisicamente o ‘Rei dos Usuários de Habilidade’ — Orun Doula. Talvez devessemos tê-lo matado *naquela época*, afinal?”
“Foi *aquela pessoa* quem decidiu deixá-lo vivo. Pretende questionar a vontade dela?”
“Minha postura é a de que não me importo com o que aconteça com Belia. Estou apenas emprestando minha força para os meus próprios objetivos.”
Diante da resposta descontraída de Ozwell, Philly franziu o cenho.
“Haa… você continua o mesmo de sempre.”
“Mas, deixando isso de lado, o que faremos na realidade? Não é exagero dizer que ele já se tornou um obstáculo para a Seita.”
“…Mesmo que não possamos matá-lo fisicamente, existem coisas que podem ser *quebradas*. Além disso, você também tem algo em mente, não tem?”
“Ah, você percebeu? Na verdade, eu tenho um plano, sim. Se matá-lo fisicamente é ‘quase impossível’, significa que não é ‘totalmente impossível’. Desafiar o impossível realmente me dá motivação. Sim, sim.”
“Eu não entendo esse sentimento de forma alguma, mas ouvirei sobre esse método mais tarde. Vamos voltar agora. Não é impossível que eles voltem por algum acaso, e também precisamos corrigir a ‘margem de erro’ que surgiu desta vez.”
“Tem razão. Luella, Fred, vamos voltar. Conto com vocês para nossa escolta.”
“Entendido~”
Frederic, que ouvia em silêncio o diálogo entre Philly e Ozwell, respondeu com sua voz arrastada habitual ao ser chamado.
“Certo. ――Ei, *Doutor*.”
Luella também respondeu e, em seguida, falou com Ozwell.
“O que foi?”
“E se… apenas e se, sabe? Se a Caroline, que deveria ter sido descartada, estivesse viva… o que você faria?”
“…Hmm~, vejamos. Eu não faria nada, eu acho. Ela já não tem mais utilidade para mim.”
“…Entendo.”
Ao ouvir a resposta de Ozwell, Luella murmurou baixinho, tentando manter uma expressão neutra. No entanto, para quem a conhecesse bem, era óbvio que sua feição era de alívio. Na verdade, seu irmão gêmeo, Fred, conseguia ler os sentimentos de Luella como se fossem os seus.
E os olhos cruéis de Ozwell, que observara Luella como um *objeto de experimento* por mais de dez anos, captaram aquela sutil mudança nela.
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