Jason e Juliet decidiram se encontrar em outra data com seus advogados para assinar o contrato oficial, e Jason deixou o restaurante depois de recusar mais uma oferta de refeição. Sabia que Juliet estava apenas tentando construir uma relação com ele, mas precisava voltar logo para Gina, então não tinha tempo.
Jason havia ligado para Gina alguns minutos antes, e ela lhe dissera que estava esperando em uma lanchonete perto de um prédio de uma imobiliária. Jason então começou a dirigir até lá.
Enquanto isso, Gina navegava pelas redes sociais enquanto comia batatas fritas da lanchonete. A dona do lugar era uma senhora idosa, de sorriso gentil e atitude de avó, que dera algumas batatas grátis a Gina quando ela contou que estava esperando o namorado. Aparentemente, a mulher tinha fraqueza por amor jovem e não hesitou em oferecer comida de graça depois de ouvir algumas histórias sobre o relacionamento de Gina e Jason.
Gina agradeceu à mulher e relaxou no assento junto à janela enquanto comia, mas parou de repente quando alguém se sentou à sua frente.
Gina ergueu os olhos do celular para o homem. Ele tinha uma aparência comum, cabelos pretos, usava um terno inteiramente preto e óculos escuros. Gina se sentiu levemente desconfortável enquanto guardava devagar o celular para dar atenção total ao homem.
— Posso ajudar?
O homem ficou em silêncio por alguns segundos, e Gina começou a considerar se deveria ir embora naquele instante. Então o homem enfiou a mão no terno e retirou um único cartão preto enquanto falava:
— Meu nome e minha identidade não são importantes, mas atividades recentes suas e de seu namorado colocaram vocês sob o olhar da empresa para a qual trabalho.
— E que empresa seria essa?
— Isso também não é importante. Mas, por contexto, pode nos chamar de Gaia.
Gaia?
Gina nunca ouvira falar de uma empresa com esse nome, e, pelo modo como o homem agia, sabia que não se tratava exatamente de uma organização pública.
O homem continuou:
— Chegou ao nosso conhecimento que você entrou em contato com o que classificamos como uma viajante intermundial, uma criatura perigosa de outro mundo. Por favor, mantenha a calma até o fim da explicação. Você realmente vai querer ouvir o que tenho a dizer.
Gina já havia começado a se mover quando o homem voltou a falar, mas, ao ser mandada se acalmar e ouvi-lo, sentou-se devagar outra vez. Seus olhos se estreitaram com desconfiança, e ela já estava discando para Jason por chamada rápida debaixo da mesa, para que ele chegasse até ela depressa.
As outras pessoas sentadas na lanchonete pareciam completamente alheias à presença do homem. Gina ficou chocada quando a velha dona do lugar se aproximou da mesa e falou:
— Ainda está esperando seu namorado, querida? Se as batatas não forem suficientes, posso trazer outra coisa.
A idosa sorriu para Gina enquanto ignorava completamente o homem, e Gina percebeu, em choque, que era a única que podia vê-lo.
Era algum tipo de Dom? Talvez algo que reduzisse a presença de uma pessoa e impedisse os outros de notá-la?
Gina engoliu em seco e balançou a cabeça para a mulher com um sorriso.
— Nós… quer dizer, eu estou bem. Obrigada. Ele vai chegar logo, e então pedimos juntos.
A velha sorriu antes de se virar e sair como se não houvesse nada errado. Gina voltou a encarar o homem sentado à sua frente com um olhar pesado.
— Você é super-humano.
— Não posso responder a isso.
— Então que porra você quer?
O agente não pareceu incomodado pela intensidade de Gina. Já havia lido o arquivo dela e sabia o que esperar, então não ficou surpreso. Em vez disso, colocou o cartão preto sobre a mesa e falou em tom oficial:
— Como eu disse, minha organização descobriu que vocês entraram em contato com uma viajante intermundial perigosa. Sabemos onde ela está no momento e temos meios de extraí-la, mas desejamos dar a vocês uma chance de evitar incidentes maiores. Entreguem-na à Gaia, e seguiremos nosso caminho.
Os olhos de Gina se estreitaram enquanto ela olhava para fora, procurando ver se havia outros agentes por perto. Já havia discado para Jason e sabia que ele podia ouvir tudo que estava sendo dito, então tinha certeza de que ele chegaria em pouco tempo.
Ela voltou a encarar o agente e falou com calma:
— Se vocês já sabem onde ela está, por que não entram lá e a pegam? Você disse que ninguém sabe quem vocês são, não foi? Tenho certeza de que não seria difícil desaparecer logo depois de levá-la.
O agente estreitou os olhos por trás dos óculos escuros e não respondeu.
Os lábios de Gina se abriram num sorriso zombeteiro quando ela entendeu o motivo.
— Vocês têm medo dele, não têm?
— Posso lhe assegurar uma coisa. Não tememos ninguém.
— Então entre na casa dele e veja o que acontece.
O agente não disse nada, e Gina quase sentiu vontade de rir. Não acreditava que havia ficado preocupada por um instante.
— Vocês têm medo dele. Têm medo do que ele pode fazer se virar inimigo de vocês. Por isso vieram falar comigo em vez de ameaçá-lo. Querem que eu convença meu namorado a entregar a garota. Haha… Sabe, nos filmes sempre fazem agentes secretos parecerem tão durões, mas no mundo real vocês são só um bando de mentirosos.
A mão do agente se fechou em punho, embora seu rosto permanecesse perfeitamente calmo. Gina estava certa sobre eles não quererem encontrar Jason e antagonizá-lo, mas ouvi-la dizer que tinham medo dele irritou o agente.
Eles não temiam ninguém.
Vruum!
O som de uma moto parando diante da lanchonete ecoou pela rua, e todos os clientes se viraram para ver Jason estacionar no pátio. O agente olhou para a direita e viu Jason encarando-o com olhos vermelhos como sangue enquanto descia da moto. Jason começou a caminhar calmamente até a porta, uma aura intensa ao redor dele, e o agente percebeu que era hora de ir.
Ele deslizou o cartão preto na direção de Gina e encarou seus olhos irritados com calma.
— Espero que você veja a razão a tempo. Até lá, por favor, diga ao Rei que Gaia manda lembranças.
Bzzt!
O espaço ao redor do agente de repente tremeluziu com estática, como se ele liberasse eletricidade pelo corpo. No instante seguinte, Gina observou, surpresa, enquanto ele desaparecia bem diante dela.
Que diabos? Isso foi outro Dom? Achei que o Dom dele impedia as pessoas de notá-lo. Talvez houvesse alguém por perto usando um segundo Dom?
Gina tentou entender o que acabara de acontecer. Até onde sabia, cada super-humano só podia usar um Dom, então não havia como aquele agente ter tanto ocultação de presença quanto teletransporte. Mas não conseguiu chegar a uma resposta antes que Jason chegasse e pousasse a mão em seu ombro, olhando ao redor.
— Gina, você está bem?
Gina colocou a mão sobre a dele e sorriu para cima, assentindo. Jason soltou um suspiro de alívio antes de voltar o olhar para o ponto onde o agente desaparecera.
Jason não fora capaz de ver o agente com os olhos normais ao chegar, mas, quando ativou o [Olhar do Predador], o homem surgiu em sua visão como um contorno vermelho. Isso significava que o agente usava algum tipo de Dom para mascarar a presença diante de civis comuns.
Quem caralho era aquele?
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