O Sistema do Necromante Mais For... Cap. 122 — A Busca

Havia bem menos alunos no estacionamento, então Jason se encostou na moto e puxou Gina para perto, deixando-a parada entre suas pernas, antes de perguntar como o artefato havia se saído.

Gina puxou o longo tecido preto e o abriu, revelando que havia transformado o artefato em um cajado. O cajado era feito de uma madeira branca e lustrosa, com alta capacidade de condução de mana. Era uma peça pré-fabricada, vendida no prédio do SMD, então tudo que Gina precisara fazer fora comprá-la e pagar um artesão para anexar o artefato ao cajado.

Gina sorriu.

— Foi muito bom. Dois dias atrás, eu mal conseguia criar mais de sete flechas, mas hoje consegui fazer mais de quinze de uma vez! Atirei em um dos subordinados do Chefe e obliterei a coisa. O Capitão de Guilda também estava lá e me deu um Artefato rank C que me deixava enxergar com clareza num raio de uns quinhentos metros, então consegui ajudar todo mundo abatendo monstros de longe. Acho que estou mesmo chegando perto do cargo de vice-capitã!

Jason abriu um sorriso orgulhoso ao ouvir sobre o desempenho dela no Portal. Ficou feliz por Gina ter conseguido usar o artefato tão bem logo de início. Ele a puxou para um beijo, e Gina o beijou com alegria, apoiando a mão em seu ombro. Como não havia tanta gente por perto, ela não ficou tão envergonhada quanto antes.

— Ahem.

Uma voz ao lado alertou os dois sobre a presença de alguém, e Gina se afastou como se tivesse sido queimada. Ela se virou para a esquerda, estreitando levemente os olhos ao ver uma garota parada ali. Jason também se voltou para a recém-chegada e ergueu uma sobrancelha.

— Griselda. E aí?

Griselda abriu um sorriso tenso enquanto tentava se recompor, mas Jason percebeu o leve tom avermelhado nas bochechas dela, prova de que a proximidade entre ele e Gina a deixara desconfortável. Gina franziu um pouco a testa para Griselda por tê-los interrompido, e Griselda primeiro assentiu para ela em cumprimento antes de falar com Jason.

— Eu só queria lembrá-lo mais uma vez de pensar na minha proposta. Sei que você não tem interesse em entrar em nenhuma guilda por enquanto, mas tenho certeza de que se beneficiará muito ao se juntar à minha guilda quando eu a estabelecer.

A sobrancelha de Gina se ergueu, surpresa, e ela passou a observar Griselda com atenção, tentando sentir se algum poder vinha de seu corpo. Não havia nada. Gina então percebeu que Griselda não era uma super-humana.

Por que diabos uma humana estava falando em fundar uma guilda?

Jason suspirou baixo, mas apenas assentiu para Griselda. A garota era persistente demais.

— Vou pensar no assunto.

Aquilo pareceu bastar para Griselda. Ela sorriu, satisfeita, e começou a caminhar até o próprio carro, com um pequeno salto no passo. Assim que ela se afastou, Gina perguntou a Jason que diabos era aquilo, e Jason deu uma explicação curta sobre como Griselda queria que ele entrasse na guilda dela de qualquer jeito. Era ridículo, e Jason tinha certeza de que Griselda nem sequer passaria pela triagem necessária para fundar uma guilda, mas estava apenas levando a garota na esportiva por enquanto.

Gina murmurou em compreensão e não conseguiu evitar um certo respeito por Griselda. Era preciso muita coragem para continuar avançando em direção a um sonho mesmo quando as chances estavam tão obviamente contra você.

— Vamos. Hora de voltar para casa.

Jason se levantou e deu outro beijo rápido em Gina antes que os dois subissem na moto. Gina se inclinou para a frente e abraçou Jason por trás. Jason sorriu ao sentir o corpo dela pressionado contra suas costas. A respiração de Gina fez cócegas em sua orelha quando ela falou baixinho:

— Parece que você ficou bem popular, hein?

O tom de Gina era brincalhão, mas Jason percebeu uma pontinha de ciúme ali. Era óbvio que ela não gostara do jeito casual com que Griselda falava com ele. Jason não conseguiu evitar uma risada diante daquela reação fofa enquanto engatava a marcha e arrancava.


[O Mundo de Givani]

[A um Salto Dimensional da Terra]

Snif. Snif. Snif.

Uma grande fera mágica do tipo canino, com seis pernas e órbitas enegrecidas e sem olhos, farejava o chão enquanto avançava lentamente por uma terra devastada. Tinha pele negra e porte enorme, parecendo mais um lobo gigantesco do que um cão.

A fera era conhecida como Cão Mágico. Tratava-se de uma raça especial de fera mágica famosa por suas capacidades sensoriais extraordinárias. Esse sentido permitia que rastreassem qualquer vestígio de mana ao qual tivessem se fixado, mesmo através de Dimensões.

Atrás do cão, um pequeno grupo de homens mascarados seguia em ritmo contido, atento a qualquer sinal de Fenda Dimensional pela qual pudessem passar. Aqueles homens mascarados eram membros dos Fantasmas, e já haviam começado a busca pela Princesa de Radagan desaparecida.

Antes do início da busca, a líder dos Fantasmas, Alpha, fora a Radagan e conversara com o atual Rei dos draconatos para pedir um pedaço de tecido ou artefato que um dia pertencera à princesa. Materiais que pertenciam a usuários de magia sempre conservavam traços do mana daquela pessoa.

Os Cães Mágicos eram capazes de rastrear assinaturas mágicas, mas, para isso, precisavam antes de algo impregnado com o mana do alvo. Depois de obterem aquele cheiro, nada impediria que encontrassem a pessoa. Mesmo que tivessem de cruzar mais de cinco Dimensões para alcançá-la, seriam capazes de fazê-lo.

O rei entregara aos Fantasmas três peças íntimas da princesa e algumas outras roupas para usar no rastreamento. Até Alpha, líder dos Fantasmas, não conseguiu deixar de rir com leve divertimento ao ver os enormes Cães Mágicos farejando aquelas peças para se fixarem no mana da princesa. A cena era tão absurda e constrangedora que acabava se tornando insuportavelmente cômica.

Quando todos os cães captaram o mana dela, os Fantasmas se dividiram em dez grupos, cada um com seu próprio Cão Mágico, e atravessaram diversas Fendas Dimensionais localizadas na região onde a Princesa desaparecera. O primeiro grupo que encontrasse a princesa enviaria um Sinal Mágico aos demais, informando a localização para que se reagrupassem e a capturassem.

Aquele grupo de cinco homens surgira neste mundo depois de atravessar uma Fenda Dimensional aleatória, e agora já seguia rumo à próxima Fenda pela qual precisaria passar. Enquanto caminhavam, o silêncio da região era interrompido apenas, de tempos em tempos, pelos passos deles.

A área por onde passavam havia sido uma selva densa um dia, mas a erosão e a guerra a haviam destruído, reduzindo-a a uma terra erma com quase nenhuma árvore. Estava completamente vazia de outros seres, e o único sinal de vida ali eram os gritos ocasionais de feras ao longe.

O grande Cão Mágico continuou farejando o chão enquanto avançava pela região desolada, mas os Fantasmas de repente pararam quando ouviram o som de uma fera mágica vindo da frente.

ROARRR!

O chão tremeu e ressoou quando a fera se aproximou, e não demorou para que ela se tornasse visível à distância.

A fera mágica era conhecida como Fidar.

Era uma criatura enorme, parecida com um urso, com quatro braços e várias fileiras de dentes serrilhados que brilhavam sob o luar azul enquanto rugia com força.

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