Os professores discutiam o que fazer com Jason quando foram interrompidos pela diretora, a senhorita Harold. Ela disse que deixassem Jason ir, pois ele ainda precisava almoçar. Eles poderiam lidar com o problema por conta própria.
Jason agradeceu com um sorriso antes de sair, e a diretora rapidamente começou a discutir controle de danos. Os pais iriam querer saber o que havia acontecido, então seria melhor enviar um comunicado oficial antes que os alunos começassem a exagerar as coisas com histórias inventadas.
Ao voltar para o refeitório, Jason percebeu imediatamente como todos ficaram quietos com sua presença. Ele olhou ao redor, vendo as pessoas encarando-o com admiração cautelosa, e teve vontade de suspirar. Era exatamente esse tipo de situação que Jason tentara evitar quando decidiu voltar à escola. Sabia que seu poder o tornaria um alvo perfeito para a estupidez de Jared, e esperava conseguir lidar com aquilo sem atrair tanta atenção. Mas era óbvio que não seria assim.
Quando Jason viu Jared ainda intimidando Darren no refeitório, soube que nada além de destruição completa seria suficiente para fazê-lo recuar. Jared era um vírus que prosperava da própria superioridade e do ego. Como havia sido deixado sem controle por tempo demais, esse vírus se espalhara e infectara outros alunos, fazendo o corpo estudantil temê-lo e respeitá-lo em diferentes medidas.
A única forma de conter um vírus era apresentá-lo ao antivírus.
E o melhor antivírus para um ego inflado era a humilhação pública.
Jason não agira sem saber o que suas ações causariam, mas decidiu que um pouco de popularidade era um preço aceitável para garantir que Jared parasse com suas merdas. Ele seguiu em frente, ignorando a tensão dos alunos ao redor. Alguns tiraram os celulares e começaram a gravá-lo, mas Jason fez o possível para não se incomodar. Desde que ganhou habilidades, já estava se acostumando a ter câmeras apontadas para ele.
Havia uma mesa no fundo do refeitório onde Darren estava sentado com outra pessoa. Jason ergueu uma sobrancelha ao perceber que era Griselda. Ela mantinha um ar elegante e impecável enquanto comia com delicadeza. Ao notar o olhar de Jason, ergueu os olhos e sorriu levemente. Darren acenou para Jason com entusiasmo, apontando para o assento vazio ao lado e para a bandeja de comida que havia separado. Jason foi até eles.
Assim que Jason se sentou, Darren falou depressa.
— Guardei sua refeição e garanti que ninguém mexesse nela, chefe! Achei que você fosse ficar fora durante todo o intervalo, mas eu ia esperar aqui até você voltar mesmo assim!
— Valeu, Darren. Não achei que vocês dois fossem próximos.
Jason gesticulou entre Griselda e Darren, e Darren corou um pouco. Ele tentava ao máximo ignorar o fato de uma garota tão bonita estar sentada ao seu lado, mas, agora que Jason tocara no assunto de forma tão casual, ficou envergonhado.
Darren era muito grato a Griselda por tê-lo ajudado quando Jared o intimidava mais cedo. Se ela não tivesse intervindo antes de Jason chegar, as coisas poderiam ter sido muito piores. Depois de agradecê-la, Griselda perguntou se ele estava esperando Jason. Quando Darren disse que sim, ela se sentou ao lado dele e decidiu esperar também. Foi assim que acabaram naquela situação estranha.
Darren falou encarando a mesa.
— N-não somos tão próximos. Eu nem consigo imaginar ser amigo de uma garota tão bonita. Quero dizer, já é incrível ela ter sentado tão perto de mim. Ela tem proporções absurdas, e eu não passo de um grande zero.
Jason piscou, e então sua testa se franziu em choque. Não havia a menor possibilidade de aquele infeliz ter acabado de comentar as proporções de Griselda em voz baixa. A última parte da frase de Darren foi dita num tom tão baixo que apenas alguém com sentidos aprimorados ouviria, então Jason sabia que Griselda não escutara. Mas era óbvio para ele que Darren havia feito uma avaliação indevida da aparência dela. Como diabos ele conseguira aquilo só de olhar?
Jason lançou a Darren um olhar incrédulo, enquanto Darren sorria feliz por ainda estar aproveitando o fato de sentar perto de Griselda.
É impressionante ele perceber tudo isso só olhando, mas esse cara talvez seja perigoso de verdade. Vou ter que ficar de olho nele para garantir que não faça nenhuma besteira.
Jason suspirou ao pensar nisso e falou com calma, apontando a colher para Darren de forma ameaçadora.
— Se fizer isso de novo, eu conto para ela.
O rosto de Darren ficou pálido de puro terror, e ele assentiu depressa para dizer que entendeu.
Jason apenas balançou a cabeça e voltou a comer, mas seus olhos se desviaram lentamente para a garota que o observava. Griselda tinha um sorriso divertido nos lábios, apoiando o queixo nas mãos unidas, e seu olhar não deixou o de Jason nem por um segundo. Ela estava curiosa sobre o que Jason e Darren haviam conversado, mas não deixou aquilo incomodá-la, pois estava mais interessada em falar com Jason.
Jason ergueu uma sobrancelha para ela.
— Do que diabos você está sorrindo?
O sorriso de Griselda se alargou.
— Sua demonstração ali foi adequada o bastante para alguém que será meu futuro vice-capitão. Eu sabia que havia tomado a decisão certa para meu primeiro membro de Guilda. Você só está deixando ainda mais óbvio que preciso colocar você do meu lado por todos os meios possíveis.
Ela ainda estava nessa?
Jason não conseguia acreditar que Griselda continuasse tentando fazê-lo entrar em sua guilda inexistente. Não fazia sentido uma humana comum pensar em criar uma guilda, e Jason tinha certeza de que a única razão para Griselda acreditar que podia fazer algo assim era quem seu pai era. Mas, no mundo super-humano, não importava o quanto você fosse bem conectado ou quem seus pais fossem. Uma guilda era algo pesado demais para uma humana comum administrar.
Jason viu a empolgação pura no rosto de Griselda, viu como ela parecia finalmente começar a alcançar o sonho que nutria havia tanto tempo, e decidiu que não tentaria mais desencorajá-la. Se Griselda queria fazer algo tão perigoso, que fosse em frente. O mundo real ensinaria a ela muito mais do que ele jamais poderia.
E por que diabos ela o havia promovido de membro comum para vice-capitão tão de repente?
Jason riu baixo com esse pensamento e voltou à comida, mas parou ao ver uma cabeça loira saindo do refeitório pela porta leste. Ele colocou a colher de lado, pediu licença à mesa e começou a se mover rapidamente em direção à saída.
Darren e Griselda ficaram curiosos sobre o que diabos havia dado em Jason. Darren estava prestes a perguntar se podia ir junto, mas Jason não esperou que nenhum dos dois dissesse nada e simplesmente desapareceu pelo corredor.
Jason seguiu pelo corredor, ignorando os murmúrios e olhares dos alunos que perambulavam por ali, até chegar perto o bastante da garota loira e chamá-la pelo nome.
— Fiona.
Fiona se assustou ao ouvir alguém dizer seu nome e se virou bruscamente. Mas, quando viu quem estava ali, deu um passo para trás e estreitou os olhos, perguntando-se o que diabos ele queria dela.
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