Tradutor: FlorestNerd
“Vossa Majestade… Vossa Majestade, por favor, pense de novo.” Roland ouviu Barov gritando ansiosamente do lado de fora de seu escritório.
Foi só depois que o diretor da prefeitura correu até sua mesa, ofegando pesadamente, que Roland finalmente largou a xícara de chá e perguntou:
“Em que devo pensar duas vezes? A Cerimônia de Coroação?”
“Não. Eu quis dizer seu anúncio de casamento. Você vai se casar com uma bruxa e fazê-la sua rainha.” Barov olhou para o lugar atrás de Roland enquanto limpava o suor da testa. “Ah, Vossa Majestade, temo que esta não seja uma maneira adequada de lidar com o caso.”
Roland não ficou surpreso com a objeção de Barov. Ele havia antecipado isso quando informou pela primeira vez à Prefeitura sobre sua decisão. Para remover os obstáculos ao seu casamento com Anna, a Prefeitura seria o primeiro grupo que ele teria que persuadir.
Após os Meses dos Demônios, Primavera Eterna enviaria tropas para as Planícies Férteis mais uma vez, a fim de eliminar o último posto avançado dos demônios em Taquila.
Enquanto isso, a Prefeitura estaria ocupada realizando os planos de lavoura da primavera, novos projetos de construção e programas de comércio. O próximo ano seria excepcionalmente ocupado para Castelo Cinza, então não parecia uma boa ideia realizar tal cerimônia agora. Segundo a tradição, preparar uma coroação por si só precisaria de pelo menos dois a três meses, sem mencionar que haveria um casamento depois disso. Preparar essas atividades inevitavelmente aumentaria a carga de trabalho de sua administração e, portanto, interferiria na produção e nos planos militares de Primavera Eterna. No entanto, Roland não havia tomado essa decisão por impulso.
Diferente dos invernos anteriores, este inverno foi pacífico. Ele queria aproveitar essa rara oportunidade para realizar sua cerimônia de coroação e seu casamento, o que aumentaria o moral de seus súditos sem exigir muito esforço.
Mais importante, ele realmente esperava cumprir sua promessa a Anna o mais rápido possível.
Claro, como um rei feudal, ele poderia fazer o que quisesse, assim como tantos outros governantes autocomplacentes ao longo da história que impuseram seus valores pessoais aos outros e, portanto, forçaram suas decisões tolas a serem implementadas. No entanto, ele não pretendia se tornar tal governante. Ele havia criado a Prefeitura e estava confiante de que poderia lidar adequadamente com esse caso sem se voltar contra sua própria administração.
Na visão de Roland, exercer seu poder enquanto permanecia dentro dos limites das regras seria uma escolha muito melhor do que abusar de seu poder.
“Por quê?” Roland bateu na mesa enquanto perguntava a Barov.
“É… é porque você precisa de um herdeiro”, disse Barov com urgência. “Todo mundo sabe que uma bruxa nunca pode lhe dar um filho. Há uma guerra no horizonte. Se algum golpe inesperado do destino acontecesse com você, os outros nobres cobiçariam seu trono. Um herdeiro fará com que seu povo se sinta seguro.” Barov parou por um momento antes de acrescentar: “Se você só quer ficar com Lady Anna, você realmente não precisa se casar com ela.”
“Oh? O que o senhor quer dizer?”
“Você poderia se casar com a filha de um nobre menor”, sugeriu Barov. “Ninguém se oporia a tal decisão. Você não precisa levá-la a sério. Você só precisa que ela fique ao seu lado em ocasiões oficiais, e ainda pode fazer o que quiser…”
“Então você quer dizer que Anna não pode se tornar a rainha porque é uma bruxa?” Rouxinol interrompeu repentinamente.
“Acho que Lady Anna não se importará com coisas tão superficiais.” Barov tossiu duas vezes para disfarçar seu constrangimento. “É para o benefício do país, Vossa Majestade. Se você achar difícil contar pessoalmente a Lady Anna sobre esse acordo, posso transmitir suas palavras a ela.”
“Você não é ela. Como pode saber que ela não se importará? Posso apostar que ela nunca iria querer uma terceira pessoa entre Sua Majestade e ela mesma!” Rouxinol insistiu.
“Não tem nada a ver com sentimentos pessoais. É sobre um herdeiro…”
“Chega!” Roland ergueu as mãos para impedi-los. “Entendi. Só preciso encontrar um herdeiro legítimo ao trono para tranquilizar meu povo.”
“Encontrar… um herdeiro legítimo?” Barov ficou um pouco assustado.
“Isso não seria uma boa solução?” Roland respondeu com um ar casual. “Depois que derrotei o Papa, absorvi toda a vida dela. Na verdade, não preciso de ninguém para herdar o trono. É por isso que decidi me casar com Anna. Infelizmente, existem apenas algumas pessoas como você que sabem desse assunto. A maioria dos súditos sabe pouco sobre o poder mágico e, portanto, provavelmente não vai acreditar. Sob tais circunstâncias, para dar ao meu povo uma sensação de segurança, devo encontrar um herdeiro e deixá-los depositar suas esperanças nele. Não estou certo?”
Desde a batalha em Serra do Vento Congelante contra a Igreja, os altos funcionários da Prefeitura estavam cientes de que Roland havia passado por uma batalha espiritual chamada Batalha das Almas, na qual o vencedor poderia herdar tudo do perdedor. Eles acharam difícil acreditar nisso no início, mas o aparecimento das bruxas de Taquila e sua técnica de Transferência de Alma reduziram suas dúvidas. Durante a primeira reunião da Frente Unida, Roland confirmou esse boato e usou essa vantagem para ganhar a confiança de Pasha. Desde então, todos os altos funcionários da Prefeitura compraram a história de que Roland agora tinha uma vida útil ilimitada.
“Sim, foi isso que eu quis dizer”, disse Barov, sem saber que estava caindo em uma armadilha. “Contanto que você tenha um herdeiro, ninguém irá se opor ao seu casamento.”
“Eu tenho uma maneira mais simples de resolver esse problema.” Roland encolheu os ombros. “Um ano atrás, quando atacamos Hermes, encontrei a amante de Gerald Wimbledon. Ela é uma empregada que trabalha em uma taverna e teve um filho com Gerald.”
“Perdão, como?” Os olhos de Barov se arregalaram de surpresa. “Tem certeza de que a criança é…?”
“Sim, ele tem cabelos grisalhos e olhos cinzentos.” Roland assentiu. “Por que você não me disse naquele momento?”
“Se eu tivesse contado, eles teriam sido mortos há muito tempo.” Roland pegou a xícara de chá e tomou um gole. “E então? Temos um herdeiro legítimo agora. Não é uma maneira melhor de resolver o problema?”
O filho de Gerald era realmente uma boa escolha. Ele não era uma ameaça para Roland e poderia ser substituído a qualquer momento. Mesmo que nunca se tornasse rei, ele ainda seria amplamente discutido e poderia elevar muito o ânimo dos súditos. Os olhos de Barov brilharam de emoção. Vendo isso, Roland sabia que o Diretor-Chefe já havia entendido o que ele queria dizer. Agora, ele não precisava fazer nada além de contar aos súditos sobre esse menino e trazê-lo para Primavera Eterna.
Quanto à situação atual em torno do menino e de sua mãe, ele acreditava que as pessoas exerceriam sua imaginação e criatividade para inventar suas próprias histórias lendárias.
“Se sua mãe é apenas uma empregada em uma taverna, ele só pode ser considerado uma criança bastarda. Devemos dar à mãe dele um status mais alto. Caso contrário, torná-lo herdeiro atrairá muitos comentários de desaprovação. Felizmente, ela não é uma dama nobre. É muito mais fácil controlar uma mulher civil…” Barov começou a planejar tudo em sua mente.
Roland sentiu seus lábios se curvarem em um sorriso. Agora ele poderia evitar travar uma batalha verbal contra Barov para vender suas ideias, ao contrário de três anos atrás. O Diretor da Prefeitura poderia facilmente seguir suas dicas e ajudá-lo a planejar tudo. Ninguém mais duvidaria de suas palavras, não importava quão implausíveis parecessem, nem mesmo de sua afirmação de ter vida eterna.
“Vá fazer um plano para esta criança e para minha Cerimônia de Coroação. Discutiremos os detalhes mais tarde.” Roland acenou com a mão para Barov, indicando que estava dispensado.
Depois da partida de Barov, Roland deu um longo suspiro de alívio.
“Eu nunca esperei que você falasse por Anna.”
“Sinto muito. Não consegui evitar.”
“Não precisa pedir desculpas. Você tem toda a razão.” Ele olhou deliberadamente para Rouxinol e descobriu que ela parecia muito mais calma do que esperava. “Eu só pensei que você iria…”
“Você pensou que eu pareceria infeliz e me sentiria deprimida ao ouvir essa notícia?” Rouxinol o encarou com frieza. “Acho que este casamento já está atrasado demais. Se não fosse por Anna, eu não teria deixado você se safar tão facilmente.”
Roland ainda se lembrava do olhar aliviado em seu rosto quando ela apareceu na frente dele depois de desaparecer por dois dias. Ele adivinhou que a mudança dela devia ter algo a ver com o acordo secreto entre ela e Anna.
Por mais curioso que estivesse, ele ainda não perguntou a ela sobre o segredo.
N/T: De novo, Rouxinol com mais química.
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