Nota Máxima Em Um Casamento Esco... Cap. 1148 — Você ainda é um homem?

Ao perceber a expressão de Ning Xi ficando cada vez mais fria, trazendo consigo vestígios daquelas emoções incontroláveis que haviam surgido no armazém, Zhuang Keer rapidamente segurou sua mão e tentou tranquilizá-la:

“Xiao Xi, está tudo bem. São só alguns hematomas…”

Mas aquelas palavras não fizeram a expressão de Ning Xi se suavizar.

‘Só alguns hematomas?’

Para qualquer mulher, passar por algo assim poderia deixar um trauma profundo, uma sombra capaz de acompanhá-la por toda a vida. Como algo assim poderia ser medido apenas pelos ferimentos deixados no corpo?

E aquela era Zhuang Keer. Uma garota simples, inocente, que sempre fora protegida pela família e jamais havia passado por algo semelhante. Ainda assim, naquela noite, fora submetida a uma experiência tão terrível…

Felizmente, Ning Xi chegara a tempo. Caso contrário, ela não teria poupado nenhum deles. Nem mesmo Zhuang Rongguang.

Ning Xi respirou fundo, contendo à força a fúria que ameaçava irromper novamente. Então, com movimentos cuidadosos, começou a passar o medicamento nos ferimentos de Zhuang Keer.

“Vai doer um pouco. Aguente firme.”

Zhuang Keer temia que Ning Xi perdesse o controle outra vez. Por isso, mesmo sentindo dor, não se atreveu a reclamar e continuou tentando tranquilizá-la, “Está tudo bem… nem dói tanto assim…”

No canto da sala, Zhuang Rongguang permanecia em silêncio desde que haviam deixado o armazém.

Ao ver os hematomas espalhados pelo corpo da irmã, ficou paralisado. Em sua mente, a mesma cena se repetia sem parar.: Zhuang Keer sendo agredida diante e ele incapaz de fazer qualquer coisa.

A sombra que o envolvia pareceu ficar cada vez mais pesada. Sua respiração tornou-se sufocante, até que, por fim, algo dentro dele chegou ao limite. Zhuang Rongguang cerrou os punhos com tanta força que os nós dos dedos estalaram. Seus ombros tremiam violentamente.

Na sala silenciosa, ouviu-se primeiro um soluço abafado. O choro reprimido transformou-se em gemidos entrecortados, cada vez mais altos, como os de uma fera ferida e encurralada.

Ao ouvir o som atrás de si, Ning Xi interrompeu o que estava fazendo e virou a cabeça para o jovem, que agora chorava descontroladamente. Para ser sincera, dentre todas as pessoas naquele armazém, aquela que Ning Xi mais tivera vontade de matar era Zhuang Rongguang. Era justamente por isso que, desde que haviam saído de lá, ela não lhe dirigira uma única palavra.

Nem sequer olhara para ele porque tinha medo de não conseguir se controlar. Com o temperamento dela, deixar um inútil daqueles continuar ocupando espaço no mundo já era misericórdia demais!

Ning Xi terminou de cuidar do último ferimento de Zhuang Keer, guardou o medicamento e fechou o kit de primeiros socorros.

Só então voltou os olhos para o rapaz. Sua expressão estava assustadoramente calma.

“Zhuang Rongguang, você quer liberdade. Quer viver à vontade, sem regras, sem ninguém controlando você, não é?” Ela fez uma breve pausa. “Muito bem. Então vou lhe dizer uma coisa. Você quer fumar? Fume. Quer beber? Beba. Quer brigar, correr por aí ou passar o dia vadiando? Faça o que quiser. A vida é sua.”

Os olhos de Ning Xi permaneceram fixos nele.

“Você já tem dezoito anos. É adulto. Tem o direito de escolher como quer viver. Nem mesmo seus pais podem decidir seu futuro por você. Se quiser, pode fazer o que bem entender. Mas existe uma condição para isso. Você precisa ter a maldita capacidade de arcar com as próprias escolhas e suportar as consequências delas!”

Zhuang Rongguang estremeceu.

“Se não consegue fazer isso, então pare de exigir que todos fiquem fora da sua vida enquanto você faz m*rda atrás de m*rda e obriga as pessoas que mais se importam com você a pagar o preço!”

Ning Xi apontou para Zhuang Keer.

“Você fez uma garota indefesa juntar cinco milhões e ir sozinha, no meio da noite, até um lugar perigoso daqueles para pagar o seu resgate! Olhe para ela e pergunte a si mesmo… Você ainda é um homem?”

Zhuang Rongguang engasgou em meio aos soluços. Com o rosto coberto de lágrimas, caminhou cambaleando até Zhuang Keer.

Então caiu de joelhos diante dela e começou a esbofetear o próprio rosto, “Irmã… me desculpa… me desculpa…”

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