Naturalmente, peguei ritmo em direção ao ginásio.
Não queria tomar conhecimento da situação. Francamente, não me importo com o que aconteceu com Sagami.
É que os olhares e o interesse eminente das pessoas no corredor foram todos direcionados para o ginásio.
Sons graves e baixos alcançaram nos alcançaram e fizeram com que alunos e visitantes perseguissem sua origem. Suas pernas, a partir daí, os levavam para o local como se estivessem sendo puxados.
Esse som baixo e rastejante, que podia ser ouvido por todo o prédio, provavelmente vinha de um baixo e um bumbo.
Sem embargo, as vibrações trêmulas não eram as únicas coisas que reverberavam no fundo do meu estômago.
Eram as vozes animadas.
O bater de palmas, com a interjeição simultânea de pés em estampagem, era um ritmo vivo.
Essas vibrações, e as palpitações rítmicas de cada pessoa, deram origem a uma batida dentro da escola.
No prédio da escola, havia poucas pessoas.
Os estudantes e os professores estavam reunidos para a cerimônia de encerramento.
Coloquei minhas mãos na porta do ginásio.
No momento em que abri a porta, uma onda de luz e som jorrou.
Os holofotes dançaram e saltaram. A bola de espelhos pendurada no teto dispersou reflexos irregulares de luz por toda parte.
De pé, dentro daquele vórtice de luz, estavam as garotas.
A baixista, que gravou seus sons com uma ganância faminta.
O baterista, que dançou de forma caprichosa para enfatizar sua existência.
O sincero guitarrista, que regulava toda a música através de sua escolha incomparável e precisa, como se estivesse restringindo a multidão de ritmos que fazia o quê queria.
E, então, uma voz despreocupada. A vocalista, que ocasionalmente se recuperou mas cantou à direta; nota por nota, linha por linha, e seguiu o ritmo com cuidado.
A guitarrista deu um passo para o centro, quase se aproximando do vocalista. Os dois tinham mudado suas vestes em algum momento e, com as camisetas combinando, teceram a música juntos, como se estivessem se apoiando.
Aqueles que balançavam os braços na frente; aqueles que balançavam a cabeça; aqueles que balançavam seus celulares vagamente brilhantes, tal como lírios- marinhos; aqueles que se deixavam levar e mergulhavam dos assentos da platéia e depois erguiam-se para o alto…
Eles faziam isso por influência do profissional– Não, por causa da natureza amadora, houve esse fervoroso entusiasmo.
Se o baterista acelerasse com a provocação, o guitarrista atacaria, desafiando-o através da escolha das cordas de sua guitarra. Quando parecia que tudo ia desmoronar, o tapa do baixo iria repreendê-los e colocá-los em forma.
Então, como se estivesse segurando tudo firmemente junto ao peito, a vocalista estendeu os braços e cantou com toda a força.
No meio da música, a interação da vocalista seria retornada com respostas do público. Ondas furiosas moviam-se da direita para a esquerda. Os bastões luminosos emitiam um brilho, como se fossem estrelas espalhadas pelo céu.
Foi nesse momento, sozinho nessa escuridão, que todos se tornaram um.
Nenhum indivíduo notou minha entrada.
Claro, não havia maneira dos que estavam no palco terem notado também.
Encostei-me na parede, dentro daquele irritante e fervoroso entusiasmo.
Já que todos estavam tentando aproximar-se do palco, o espaço no fundo estava vazio. Os arredores também estavam desprovidos de pessoas.
Foi a etapa final do longo e demorado Festival Cultural. Com isso, tudo acabaria.
Ah…… falando nisso, eu era um registrador, não era?
Irei, no mínimo, lembrar disso.
Provavelmente não esquecerei essa visão; não dá para esquecer.
Posso não estar nesse palco deslumbrante.
Posso não fazer parte dessa arena de saltos.
Posso estar apenas assistindo de longe, no fundo, sozinho.
Mas, definitivamente, não esquecerei essa visão.
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