A saída da academia conectava-se diretamente ao prédio da escola.
Era tradição da escola designar, todo ano, uma banda voluntária que pudesse atrair o maior número de visitantes para concluir o festival. Fazer isso tornou os movimentos dos alunos muito mais eficientes e o programa um pouco irregular com a transição para a cerimônia de encerramento.
Em outras palavras, esse período fez com que o campus tivesse menos pessoas.
Seja qual for o caso, a cerimônia de encerramento estava perto. Logo, se o pensamento predominante fosse que todos se reunissem para fazer algum barulho, todos se encaminhariam para as apresentações voluntárias.
Um campus desolado de pessoas era conveniente.
Conveniente o suficiente para que os alunos chamassem atenção como um polegar dolorido, não importando o quão longe estivessem. Era, essencialmente, um ambiente ideal para encontrar o inimigo, Sagami.
Contudo, isso não significava que teria o luxo de visitar todos os lugares. O tempo era limitado. Até mesmo verificar o tempo já era um gasto desnecessário.
O relógio não podia ser mais lento do que é neste instante.
Não poderia mover meu corpo mais rápido do que ele é capaz.
A única coisa que consegui fazer foi acelerar meus pensamento.
Pense.
Solitários têm uma coisa de que se gabar, a intensidade de seu pensamento. Os recursos que deveriam ter sido destinados às relações humanas são direcionados apenas para eles mesmos. Através da reflexão pessoal repetitiva, introspecção de suas ações, arrependimentos, delírios e imaginação, eles desenvolvem a capacidade inútil de pensar, ao ponto de se tornar uma ideologia, uma filosofia. Utilizando tudo isso, explorarei todas as possibilidades, refutarei todas as conclusões concebíveis e as rejeitarei.
Pela única possibilidade que resta, usarei cada fibra do meu ser para substanciá-lo, como se estivesse tentando me proteger.
Julgamento sobre os outros e autodefesa são os verdadeiros valores de Hikigaya Hachiman.
Enquanto continuo a repetir o processo, naturalmente encontrarei uma resposta.
É um problema simples.
Atualmente, era muito provável que Sagami estivesse sozinha.
Nesse caso, tudo o que eu precisava fazer era seguir sua linha de pensamento.
Afinal, se tratando de ser solitário, estou na frente…… não, mil vezes na frente. Não é uma carreira de um dia para o outro, pois sou um veterano.
Não me subestime.
Sagami estava incrivelmente constrangida. Deveria estar. Em nosso primeiro ano, ela estava em um grupo conspícuo e se acostumou com esse ambiente e essa hierarquia. Com o avançar para o segundo ano, a existência de Miura levou ao seu declínio na escada social. Sagami, certamente, não estava se divertindo nem um pouco com esse fato. Pra alguém tão apaixonada pelo status, Sagami não conseguia levantar um dedo.
O resultado? Ela procurou outros que lhe eram inferiores. No mínimo, ela queria almejar o segundo melhor grupo. Ela deveria ter conseguido esse feito. Mas já tendo sua qualidade de vida em mente uma vez, não foi fácil se contentar com o pior.
Nesse caso, para se satisfazer, ela precisava procurar alternativas.
Foi aí que o Festival Cultural entrou.
A posição da Presidente do Comitê de Planejamento do Festival Cultural era suficiente para isso? Deve ter sido, ainda mais no tempo que se tornou membro do Comitê de Planejamento por recomendação de Hayama. Assim que se tornou presidente, ela foi elogiada pela lendária Yukinoshita Haruno. Por fim, ganhou a excelente Yukinoshita Yukino para seus deveres reais.
Contudo, suponho que tudo isso não tenha acontecido como planejado.
Imagino que ela não tenha conseguido as coisas que queria e que foi superada por um substituto.
Sagami não pôde participar de sua classe tanto quanto gostaria por causa do Comitê de Planejamento. Mesmo que ela achasse isso insatisfatório e participasse de seus preparativos da classe, havia alguém que poderia preencher── Não, exceder o que ela poderia fazer no comitê. De fato, até mesmo Haruno-san e Hayama, que eram os alicerces de sua confiança, reconheceram esse substituto.
Nesse caso, considere o orgulho, a autoestima e a autoconsciência de Sagami.
Era uma amargura que eu entendia como se a tivesse pegado com minha mão.
Era um caminho pelo qual todos passaram.
Você é ingênua, Sagami. Esse é um caminho que eu já percorri.
Ser pego fugindo e ser reportado para a escola era uma das minhas memórias.
Naquela época, estava tão desanimado e incontrolavelmente preocupado comigo mesmo que explodi, querendo que alguém olhasse para mim.
É por isso que consigo entender.
O que você queria fazer. O porquê de você estar fazendo isso.
E, possivelmente, porque você não queria cumprir sua obrigação.
Você está cinco anos atrasada.
Isso é algo que já tinha passado na escola primária.
Poderia restringir os lugares onde ela iria.
Quando as pessoas perdem o rumo ao que pertencem, o que é que elas desejavam? Isto é, ter alguém para encontrar um lugar para eles. Se eles não conseguem encontrar um lugar com seus próprios olhos, a única coisa que eles podem fazer é ter alguém fazendo isso.
Logo, tudo que precisava fazer era mapear os locais na minha cabeça.
Porque ela queria alguém para procurá-la e descobrir que ela ainda estava no campus, também era um lugar que era facilmente perceptível. Desse modo, ela não deveria se esconder numa sala de aula vazia, muito menos tê-la trancado e fechado.
Há mais um ponto.
Deve ser um lugar onde ela possa estar sozinha. Escondida em uma área congestionada significaria que ela nunca seria encontrada. Se ela estivesse ciente de sua própria falta de valor, deveria ter considerado que estar em um grupo significaria que desapareceria.
Ela não podia ir a um lugar que não fosse fisicamente acessível. Mentalmente, ela não deve estar em um lugar muito longe.
Qual lugar falta?
Ainda havia muitas opções.
Precisava de um pouquinho mais de material, que pudesse ser prova ou mesmo contraprova.
Se é uma explosão de auto-preocupação excessiva, havia uma outra pessoa além de mim do passado.
Para reduzir minhas idéias, peguei meu celular.
Liguei para o número mais recente no meu triste histórico de chamadas recebidas.
『Sou eu.』
Ele imediatamente atendeu. Este é o Zaimokuza. Ele não estava mexendo no celular porque não tinha muito o que fazer. Embora quisesse elogiá-lo, infelizmente, não tive esse luxo. Rapidamente lhe fiz uma pergunta.
「Zaimokuza, geralmente, onde você vai pra ficar sozinho na escola?」
『Hoh, o que é isso de repente? Bahon, estou sempre em modo inativo.』
「Apenas responda, estou com pressa.」
『…… Você está falando sério?』
「Tch. Vou desligar.」
『Espere, espere, por favor! O consultório da enfermeira ou no terraço! Às vezes, vou muito à biblioteca! Há também o topo do prédio especial.』
Havia pessoas no consultório da enfermeira e o terraço estava sendo usado por todas as classes. A biblioteca estava trancada e ninguém tinha acesso.
O topo do edifício especial…… o telhado?
『Quanto a outros lugares onde normalmente ninguém está presente, há também o espaço entre o anexo da escola e o edifício do clube. É refrescante e tranquilo, pois o sol não chega lá. Isso traz estabilidade à sua mente…… Você está procurando por alguém?』
「Sim, a Presidente do Comitê de Planejamento.」
『Hoh, a mulher que se dirigiu a nós, né? Parece que você vai exigir meus poderes……』
「Você vai ajudar?」
『Inevitável. Onde devo procurar?』
「Você pode olhar perto do anexo? Muito obrigado. Eu te amo, Zaimokuza!」
『Claro, eu também!』
「Cala a boca, seu nojento!」
Desliguei a chamada vigorosamente.
Tive um pressentimento de que seria o telhado.
Corri para a minha turma o mais rápido que pude. O corredor vazio não era diferente de uma pista confortável.
Quanto menos pessoas houvesse, maior a probabilidade da pessoa que eu procurava estar lá.
Vamos lá, por favor, esteja lá……
Subi as escadas com a sensação de tombar. Felizmente, para mim, havia alguém sentado em uma cadeira de tubo na frente da minha classe.
A garota de rabo de cavalo azul escuro estava cruzando as pernas em desgosto, distraidamente olhando pela janela do corredor.
Chamei-a, tentando desesperadamente recuperar o fôlego.
「Kawasaki…」
「O que foi, por que está ofegante? Você não tem trabalho do Comitê de Planejamento para fazer?」
Não prestei atenção à pergunta dela.
「Há um momento atrás, você estava no telhado, certo?」
「Hã? O que você está tagarelando?」
「Responda a minha pergunta.」
Estava no limitado do tempo, por isso minha voz saiu áspera. Acabei falando com ela com um tom brusco.
「V-Você não precisa ficar tão bravo……」
Kawasaki começou a tremer com os olhos marejados.
Depois de me acalmar, lentamente respirei.
「Não estou com raiva. Estou apenas com pressa por causa do comitê.」
「T-Tá, bom……」
Kawasaki respirou e apertou a mão contra o peito. Surpreendentemente, ela estava com a pressão. Ah, bom, agora mesmo, o telhado veio primeiro.
「Então, anteriormente você estava no telhado, certo? Como você chegou lá em cima?」
「Você tem uma memória muito boa……」
Kawasaki sussurrou com uma voz suave e nostálgica. Seu olhar me mirou envergonhado.
…… Disse que estava com pressa, não estava? Isso apareceu no meu rosto e Kawasaki ficou nervosa, tentando voltar ao que estava dizendo.
「B-bem, a porta do telhado da escada do meio tem uma fechadura quebrada. É famoso entre as garotas.」
…… Sério? Nesse caso, não seria estranho Sagami saber disso. A condição de que era um lugar que outras pessoas estivessem cientes também servia.
「Por que a pergunta?」
Kawasaki me questionou de novo, achando estranho meu silêncio depois de ouvi-la. Meus pés, porém, já estavam em movimento antes que pudesse responder.
Enquanto estava com pressa, queria pelo menos dar-lhe os meus agradecimentos.
「Obrigado. Eu te amo, Kawasaki!」
Gritei e corri.
No momento em que eu virei o corredor, um grito extremamente alto pôde ser ouvido atrás de mim.
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