Aprendiz de Mago Cap. 62 — O Incrível Reino do Pesadelo

Você tem um talento especial.

Angor mostrou um sorriso amargo. Seu talento, novamente, ele ainda não sabia do que se tratava. Toda vez que tentava perguntar, Sunders não dizia nada a respeito. O homem apenas disse a Angor que ele descobriria no dia que se tornasse aprendiz.

Entretanto, ele precisava de um método de canalização para se tornar um aprendiz! Agora, ele não tinha certeza de qual caminho escolher.

Suspiro... Angor sentiu seu futuro balançar. Seu talento era bom ou ruim? O que poderia lhe dar? E para Sunders? Ele não sabia.

Angor deitou-se na cama e murmurou a si. Depois de algum tempo, ele se virou para encarar a tenda vazia, então deixou escapar outro profundo e frustrado suspiro.

Considerando cuidadosamente, não era difícil para Angor escolher quando Sunders já havia lhe dito tanto.

Havia apenas três opções. Ainda, ele poderia realmente escolher as duas primeiras? Ou melhor, ele teria culhões de escolher uma das duas primeiras?

Sunders enfatizou "você tem um talento especial", "meus feitiços estão relacionados ao Reino do Pesadelo", "pense com cuidado"... Ele estava definitivamente tentando dar alguma dica.

Pensando de forma positiva, Sunders realmente lhe dera três escolhas. Nada de estranho até aqui.

Apesar disso, Angor tinha quase certeza que Sunders queria que ele escolhesse a terceira opção. Angor não sabia como Sunders reagiria se ele não captasse a indicação.

Desapontado? Desistiria dele? Ou o ignoraria para sempre? Essas poderiam ser as melhores consequências.

Também era provável que Sunders lhe abandonasse na natureza selvagem ou lhe forçasse à obediência.

Então se Angor quisesse evitar ofender Sunders, teria que escolher a terceira.

"Reino do Pesadelo... Reino do Pesadelo..." Angor exclamava esse nome e decidiu não pensar muito sobre. Ele iria à sala de livros de Sunders e procurar por informações sobre o lugar.

Um bom sono era o que ele precisava agora.

...

Outra noite monótona.

Na sala de leitura de Sunders, Angor estava sentado numa escada. A prateleira atrás dele tinha vários livros sobre planos genéricos.

Pioneiro num Mundo Estranho e Prós e Contras de Expedições Contra Dimensões, escrito por Barzel O Grande Mago Corrompido milhares de anos atrás. Mundos Fantásticos e Residindo em Dimensões escrito pelo recém-renascido Arquimago Ocultista Fein Werder no último século. Havia também cerca de uma dúzia de volumes do periódico Expedições nos Planos Intermináveis, publicado pela União Geada Lunar.

Barzel O Grande Mago Corrompido escreveu principalmente sobres experiências de suas expedições a outros planos. Angor leu sobre e descobriu várias dimensões incríveis, como a Dimensão das Chamas onde tudo era coberto em lava. A dimensão era tão grande quanto o mundo dos magos, e uma criatura sapiente coberta em cristais violetas que estavam conectados via fibras parecidas com vidro viviam nesse plano.

"Essa criatura cristalina resistente ao calor parece como formas de vida baseada em silício," pensou Angor.

Para além da Dimensão das Chamas, Barzel também registrou o Plano do Oblívio, habitado por formas de vida gasosas, o Plano Abismal repleto de monstros variados, o Plano do Vórtice que tinha a forma de um labirinto, e a Dimensão Silenciosa onde o som não se propagava... a variedade de dimensões estranhas realmente impressionara Angor.

O irmão de Angor, Leon, costumava dizer que seu maior sonho era ver a vastidão do mundo por si mesmo. Ele queria aproveitar com os diferentes cenários, diferentes civilizações. Se Leon estivesse aqui, ele certamente optaria por navegar por esses planos imediatamente.

Mas Angor não era seu irmão. Ainda assim, ele esperava que um dia ele pudesse trazer Leon e seu professor Jon para ver as diferentes dimensões.

Um dia, ele esperava.

Depois de terminar o livro do mago lendário Barzel, Angor percebeu que o Reino do Pesadelo nem havia sido mencionado lá. Talvez o lugar ainda não houvesse sido descoberto mil anos atrás?

Não deveria ser o caso. Avaliando a partir dos registros históricos do mundo dos magos, expedições para outros planos começaram milhares de anos atrás. Durante esse tempo, todos os planos gerais próximos ao mundo dos magos tiveram rastros deixados pelos magos.

Então por que o Reino do Pesadelo não havia sido descoberto? Era muito distante do mundo dos magos?

Ainda com muitas dúvidas, Angor pegou o Expedições nos Planos Intermináveis publicado pela União Geada Lunar para ler.

Este era um periódico centenário. Um volume seria publicado a cada centena de anos, e havia um total de 16 deles. Este também era o período de existência da União Geada Lunar.

Dezesseis séculos atrás, a União Geada Lunar foi fundada na Ilha da Geada Eterna no Reino do Norte. Reunia 13 sociedades de magos e era uma força maior nas expedições dimensionais no sul. Em cada século, eles publicariam várias informações sobre suas novas expedições.

Angor começou do primeiro volume.

Ele seguiu o índice e continuou até alcançar o 14º volume que havia sido publicado há 200 anos. Aqui, o Expedições nos Planos Intermináveis oficialmente registrou o Reino do Pesadelo.

Em seguida, Angor descobriu que o livro descrevia o Reino do Pesadelo em apenas duas páginas! Duas páginas, num volume que continha vários milhares de páginas de grossura! Isso certamente contradizia o cerne do negócio da Geada Lunar, que eram explorações de planos. Para os outros planos, quer a expedição tenha sido bem-sucedida ou não, sempre havia detalhes exagerados. Mesmo um pequeno encontro entre várias pessoas seria descrito como duas nações lutando numa guerra sem volta.

Angor foi direto para as duas páginas que falavam sobre o Reino do Pesadelo.

Ele as finalizou rapidamente.

Sua expressão se tornou ainda mais confusa.

De acordo com o livro, o Reino do Pesadelo era um plano "errante". Não havia um canal estável que levasse para lá. O único método de entrar no Reino do Pesadelo era esperar que o plano se movesse para perto do mundo dos magos em sua rota periódica, então abrir um buraco de minhoca espacial aleatoriamente, tropeçando no lugar por acaso.

O plano instável, túnel aleatório, e entrar por acaso... Essas três definições incertas marcavam o Reino do Pesadelo em si mesmo como algo incerto.

Além da instabilidade do túnel planar, o Reino do Pesadelo também era uma dimensão extremamente perigosa. O livro dizia que por causa da incerteza dos túneis, menos de dez magos já haviam ido ao local e retornado inteiros.

Ainda mais intrigante, aqueles que retornaram do Reino do Pesadelo todos se recusaram a falar qualquer coisa sobre o local. Mesmo que alguém deixasse escapar alguma coisa, seriam apenas palavras vagas. O medo que essas pessoas tinham do Reino do Pesadelo estava estampado em suas faces. Contudo, ao mesmo tempo, todos demonstravam imensa ganância em relação ao Reino do Pesadelo. Toda vez que surgia um rumor a respeito do surgimento do plano, eles sempre corriam para o local rapidamente como se desejassem algo intensamente.

Tal comportamento peculiar apenas intensificou as dúvidas que as pessoas tinham sobre o local. O que poderia haver no Reino do Pesadelo que faria as pessoas se sentirem tanto terror quanto ganância?

Claro, os registros eram de 200 anos atrás. Angor não sabia se as coisas tinham mudado.

Em seguida, Angor abriu o livro escrito pelo Arquimago Fein Werder. Comparado aos livros "acadêmicos" que ele acabara de ler, Fein Werder parecia mais como um bardo errante bem letrado.

Ao invés de artigos científicos, seus livros eram mais como diários de viagem, ou melhor, contos folclóricos.

Por exemplo, Mundos Fantásticos estava descrevendo completamente os registros turísticos de Werder. Desde o mundo élfico que estava repleto de vegetações verdes e gigantes até o paraíso de oceanos onde as ondas tinham as cores de arco-íris... Se não fosse pela identidade autoritária de Fein Werder, Angor acreditaria que o livro era uma coleção de contos de fadas.

Ademais, Fein Werder usava linguagens realmente literárias. Não havia nada sobre sangue ou violência no livro. Enquanto apreciava suas nobres técnicas verbais, Angor também admirava seu belo trabalho artístico com as palavras.

Rapidamente, Angor terminou o livro de Werder.

Mesmo que o livro não tivesse registros do Reino do Pesadelo, Werder expressou sua intenção em viajar para o Reino do Pesadelo muitas vezes. Ele tinha apenas um comentário sobre essa dimensão:

"A realidade é projetada no imaginário e dá luz à verdade."

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