Angor e Dave saíram do pub e pegaram um ônibus voador em direção ao Salão de Missões.
Antes que pudessem ir até um balcão, viram Bobota acenando para eles.
“Quem é aquele homem?”, perguntou Dave.
“Alguém que me deu uma missão. Vá relatar as outras missões, eu te chamo depois.”
Angor dispensou Dave e se aproximou de Bobota.
“Quer dar uma olhada?” Angor tirou uma cápsula espacial do bolso.
Bobota pareceu surpreso. “Terminou? Já?”
Bobota achou necessário verificar o trabalho de Angor. No entanto, o salão estava muito cheio para isso, então eles foram novamente ao quarto de hóspedes privado, por precaução.
Dentro do quarto, Bobota abriu a cápsula com avidez, e uma corrente azul-celeste materializou-se no ar. Por instinto, Bobota estendeu a mão para o objeto. Contudo, um toque assustadoramente sólido o fez recuar imediatamente.
A corrente caiu e fez um barulho alto, causando uma pequena rachadura no chão.
Isso comprovou o peso do objeto para Bobota.
Em seguida, o homem testou o efeito de “Silenciamento” da corrente, que funcionou maravilhosamente bem.
Enquanto Bobota examinava a corrente, Angor explicou os materiais que usou, bem como alguns pontos-chaves para o manuseio correto do item. Quando a explicação de Angor terminou, Bobota também concluiu sua inspeção.
“O efeito, o peso e a aparência estão perfeitos. Ótimo!” Bobota ergueu a corrente e se animou novamente. Este artefato praticamente garantiria seu sucesso na tarefa que se aproximava.
O homem sempre foi direto em tudo. Como a corrente estava perfeita, ele imediatamente pagou a recompensa restante a Angor.
“Agora que terminamos, vou indo.” Sem mais delongas, Angor também se despediu.
“Você não vai usar o teletransporte? Deve haver muitas pessoas que nos viram vindo para cá.”
“Meu amigo ainda está esperando lá fora.”
Angor saiu pela porta.
Apesar de toda a organização, Bobota ainda se sentiu um pouco triste ao ver seu saldo quase vazio. Mas ele logo se acalmou ao pensar no possível lucro que logo obteria com a corrente. No entanto, a tarefa determinaria o destino de seu clã, e ele preferia que nenhum forasteiro soubesse disso. Ele não podia fazer nada contra Angor agora, devido à identidade peculiar de Angor na Caverna Bruta. Caso contrário, não hesitaria em garantir um resultado mais perfeito.
Do lado de fora, Angor, que estava a caminho de encontrar Dave, foi abordado por alguém, exatamente como Bobota havia previsto.
Alguém que ele já vira antes.
“Olá, senhor! Meu nome é Hércules, nos encontramos da última vez.” Hércules parou diante de Angor. Seus músculos oleosos e brilhantes balançavam em seu corpo gigantesco.
Angor suspirou mentalmente e assumiu sua expressão indiferente de sempre. “Precisa de alguma coisa?”
Os olhos de Hércules brilharam de alegria. “O senhor é um alquimista? Posso pedir sua ajuda para criar uma arma?”
“Estou ocupado no momento.”
Hércules percebeu que Angor não negava ser um alquimista. “Quando você estará livre?”
“Não sei.”, disse Angor, tentando passar por Hércules. O homem corpulento não fez nada para impedi-lo, o que surpreendeu um pouco Angor.
Angor pensou que Hércules fosse uma daquelas figuras incômodas que não o deixaria em paz, mas pelo jeito estava enganado.
Seu alívio, porém, não durou muito. Quando se juntou a Dave e se certificou de que todas as missões haviam sido entregues, Hércules apareceu novamente antes que pudessem sair do Salão de Missões.
“O senhor está livre agora?” Hércules piscou inocentemente.
“Não.” Angor estremeceu levemente. Ele não conseguia aceitar o fato de um homem musculoso estar falando com ele da mesma forma que uma garotinha tentando ser fofa.
Mais uma vez, Hércules os deixou ir sem problemas.
Cerca de dez minutos depois, quando Angor e Dave estavam a caminho do ponto de ônibus, Hércules apareceu novamente.
“Vocês estão livres agora?”
“Você consegue me ouvir? Eu disse que não. E pare de seguir a gente.”
“Mas vocês não me disseram quando vão ficar livres.”, disse Hércules com a mesma maneira inocente.
“Hoje não. Vá embora.”
“Diga-me onde você mora, o procurarei amanhã!” falou Hércules, com naturalidade.
Angor começou a entender por que Bobota dissera que aquele homem só tinha músculos no cérebro. Ele não conseguia ler a fala humana direito!
“Vamos… ouvir primeiro. Que tipo de arma você precisa?” Angor suspirou, impotente.
“Um machado! Com um cabo longo.”, descreveu Hércules mentalmente. “E espero que o machado tenha um efeito de queimadura. Tudo bem?”
Um machado de cabo longo com a Runa da Chama? Angor ponderou. Não parecia tão difícil.
“Quanto você pagaria?” Angor preferia se livrar daquele idiota o mais rápido possível. Um pagamento menor estava bom, contanto que ele pudesse escapar.
Hércules coçou a cabeça. “Não tenho cristais mágicos comigo. Posso lhe oferecer meu corpo como recompensa?”
“Não, obrigado!” Angor se virou para ir embora.
Hércules o seguiu de perto. “Eu sou bom de briga! Se eu conseguir o machado, prometo que posso te proteger. Por um ano!”
“Não gosto de ser seguido, então vou logo pedindo desculpas, mas não. Não vou aceitar, não importa o quão forte você seja.”
Angor não contou ao homem que Toby seria um guarda-costas muito melhor.
Hércules ficou cabisbaixo.
Antes que pudessem continuar andando, Dave falou de repente com Hércules. “Você consegue derrotar um Ouriço de Aço?”
Hércules hesitou. “Acho que consigo, se tiver uma arma adequada.”
Dave se animou de repente e se virou para Angor. “Ei, Angor, posso pagar pela arma dele?”
Angor já havia percebido o plano de Dave quando “Ouriço de Aço” foi mencionado. “Você também quer ir para a Passagem da Geada Lunar?”
Um Ouriço de Aço era um monstro fraco que vivia no Plano Abissal. Ele fornecia uma Linhagem Sanguínea que conferia uma defesa razoável, e nada mais, por isso quase nenhum Mago de Linhagem Sanguínea escolheria usar o sangue desse monstro. No entanto, a defesa ajudava as pessoas a resistirem à maioria dos ataques explosivos, então muitos alquimistas achavam essa característica útil.
Usar a Linhagem Sanguínea de um Ouriço de Aço significava obter permanentemente uma barreira mágica de alto nível, o que era extremamente útil durante experimentos de alquimia.
Dave assentiu e confirmou a ideia de Angor. “O sangue do monstro pode me ajudar a estudar alquimia melhor.”
Angor franziu a testa. “Então você decidiu que vai continuar por esse caminho?”
A Linhagem Sanguínea podia ser removida, mas não completamente. A Linhagem Sanguínea do Ouriço de Aço basicamente não tinha mérito, exceto para alquimia.
Dave foi firme. “Sim! Acho que nunca encontrarei outra coisa além da alquimia para provar meu valor.”
Angor refletiu sobre isso. O favor era fácil de conceder e ajudaria seu amigo a realizar sua ambição, então por que não?
Angor se virou para Hércules novamente. “Então eu te ajudo, com a condição de que você assine um contrato com Dave, no qual você o protegerá por um ano enquanto o ajuda a obter o sangue do Ouriço de Aço. Se você concordar, começarei a fabricar sua arma hoje mesmo.”
A condição de Angor era um pouco mais exigente do que a oferecida por Hércules. Um Ouriço de Aço era fraco, mas seu sangue ainda seria vendido por mil cristais em leilões, enquanto o machado de Hércules provavelmente custaria apenas algumas centenas.
Mas sem o machado, Hércules jamais conseguiria derrotar o monstro. Toda a situação era um paradoxo.
Hércules estava cabisbaixo e desesperado quando Angor o rejeitou. Quando viu outra oportunidade, respondeu sem pensar muito: “Eu concordo!!”
Os dois firmaram um contrato de um ano em nome da consciência mundial.
De volta à vila de Angor, Angor e Dave trabalharam juntos e concluíram o pedido de Hércules em uma noite.
Dave foi quem forjou a arma original, então Angor pediu apenas 100 cristais, o que foi considerado um pagamento por seu esforço em encantamento.
O cartão de ossos de Angor agora tinha um saldo de quase 800 mil pontos, o que significava 8.000 cristais mágicos. Pouquíssimos Aprendizes de Nível 1 possuíam tal fortuna. Na verdade, muitos Magos teriam dificuldade em reunir tanto dinheiro disponível em tão pouco tempo.
…
O grande leilão no Poço do Crepúsculo seria daqui a três dias.
Sem outras missões para cumprir, e tendo compreendido a maior parte da Ilusão Melodiosa, Angor decidiu usar o tempo restante para criar a caixa de música que vinha negligenciando. Talvez pudesse também fazer uma visita à Senhora Espelho nesse meio tempo.
Ele já havia elaborado um plano detalhado para criar o objeto. Sua caixa de música teria dois efeitos especiais.
Um deles era ativar uma Ilusão Melodiosa usando a música que tocasse. Havia muitos problemas a serem considerados, como escolher a melhor ilusão para combinar com a música, se a ilusão deveria ser “animada” e quanto espaço deveria ocupar.
O segundo efeito era aplicar a Runa da Tranquilidade à caixa de música, o que ajudaria as pessoas a se acalmarem com a ajuda de uma música suave. Dave mencionou que a música deveria ser algo que perturbasse a meditação. Angor fez vários experimentos consigo mesmo, durante os quais a música suave não atrapalhou sua meditação. No entanto, ele não tinha certeza se outras pessoas não seriam incomodadas pela mesma música.
Ele ainda precisava descobrir o resultado.
Antes de tudo, ele precisava determinar a aparência da caixa de música.
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