A Espada Ilumina a Terra Desolad... Cap. 2 — O Pássaro de Madeira

A resposta foi inesperada, mas não inteiramente. Ding Songyan sentiu o absurdo e a confusão daquela revelação, e um suor frio brotou de uma só vez em suas costas.

“Devo ser grato por não ter que mudar de nome ou deveria estar aterrorizado com o tamanho dessa coincidência? Será que ter o mesmo nome é a condição essencial para uma transmigração bem-sucedida? O Ding Songyan original teria transmigrado para o meu mundo? Seria possível destrocar?” Seus pensamentos corriam frenéticos. Ele relembrou o começo de cada novel de transmigração que já havia lido.

Ele já havia concluído que este corpo estava morto antes de sua chegada. Era, em certo sentido, uma alma pegando um cadáver emprestado. Por isso não conseguia encontrar nenhum fragmento de memória, por isso não reconhecia ninguém ao redor e nada sabia sobre o que havia acontecido ali.

Ding Songyan ergueu os olhos novamente para as vigas e o teto cobertos de poeira e teias de aranha, passou o olhar pelas paredes desmoronadas e a estátua quebrada, procurando por uma câmera escondida. Buscava o arquiteto de tudo aquilo, alguém que aparecesse do nada para lhe dizer que tudo não passava de um Show de Truman.

Essa era a resposta que ele mais desejava Sua última esperança.

Mas não encontrou nada.

— Segundo Irmão, vamos para casa? — Após confirmar que seu irmão realmente havia esquecido tudo, o ânimo de Ding Qingyan despencou.

— Tudo bem — respondeu Ding Songyan, com a voz baixa.

Os dois saíram pelos portões caídos. Ding Qingyan parou no terreno aberto diante do templo, inclinou a cabeça para trás, colocou as mãos ao redor da boca e gritou:

— Achei ele! Achei ele!

“Com quem ela está falando?” Ding Songyan seguiu o olhar dela para o alto. Algumas nuvens esparsas flutuavam como cães brancos pelo céu, manchadas pelo vermelho do entardecer, fazendo com que a vastidão cinza-azulada parecesse imensa e vazia.

O pensamento mal havia se formado quando uma grande sombra surgiu por trás deles, engolindo os últimos vestígios da luz do crepúsculo. Em seguida, um enorme pássaro estranho despencou do céu e pousou no chão diante deles, levantando uma cortina de poeira fina.

Os olhos de Ding Songyan se arregalaram.

“Um… um pássaro de madeira? Isso estava voando lá em cima? Tem um drone camuflado ali dentro? Ou seria uma daquelas espadas voadoras que aparecem em vídeos na internet?”

O que tanto o espantou foi um pássaro feito inteiramente de madeira, enorme, comparável em escala aos grandes helicópteros de seu mundo anterior. Suas costas abrigavam uma cabine aberta, através da qual era possível distinguir um leme redondo, alavancas e várias engrenagens, algumas com um brilho metálico, outras exibindo a textura pura da madeira. A cabeça do grande pássaro afunilava-se em um bico afiado, e seus dois olhos pintados de vermelho lhe davam uma aura estranha e imponente.

Quando as asas de madeira pararam e a poeira começou a baixar, uma silhueta saiu da cabine e saltou para o chão.

Ding Qingyan já havia tapado o nariz com uma das mãos e protegido os olhos com a outra no instante em que a engenhoca voadora começou a descer, habituada como alguém que já fez aquilo mil vezes.

Agora, ela olhou de soslaio para Ding Songyan e disse, com a voz um pouco abafada pela mão:

— Isso é uma carruagem-pássaro de madeira, feita pelo povo Qigu[1]. O terceiro filho da família Qu, do Beco Baoping, soube que você tinha sumido e veio ajudar nas buscas.

“Povo Qigu… Sinto que já ouvi isso em algum lugar…” Ding Songyan estudou a figura do terceiro filho da família Qu que se aproximava, movendo-se em uma série de saltos.

O homem de túnica curta azul era visivelmente diferente de uma pessoa comum. Seu rosto exibia três olhos; o olho extra ficava bem no centro de sua testa, posicionado horizontalmente como os outros dois, e no momento estava fechado. A parte inferior de seu corpo possuía apenas uma perna, centralizada, o que significava que ele precisava pular para avançar.

Duas tiras de couro envolviam a cintura do terceiro filho da família Qu, sustentando uma lâmina curta, um pequeno martelo e um sortimento de ferramentas que variavam de rústicas a finamente acabadas. Fora isso, não era tão diferente de qualquer outra pessoa. Tinha boa aparência e uma pele bronzeada, quase cor de cobre.

Ele olhou para Ding Songyan e depois se voltou para Ding Qingyan com um sorriso bajulador:

— Irmãzinha Qingyan, você encontrou o Segundo Irmão? Querem que eu leve vocês dois de volta na carruagem-pássaro de madeira?

“Eu passo. Não me parece nem um pouco seguro…” Ding Songyan recusou mentalmente e começou a buscar uma desculpa.

Ding Qingyan balançou a cabeça. Ela olhou para o sol, que havia descido um pouco mais, e disse:

— Irmão Zhongheng, agradecemos a gentileza. Nossa casa não fica longe daqui. O Segundo Irmão e eu vamos caminhando.

Antes que Qu Zhongheng pudesse insistir, ela acrescentou em um tom mais brando:

— Poderia nos fazer o favor de avisar ao Papai, à Mamãe e ao Irmão Mais Velho que o Segundo Irmão já está a caminho de casa? Assim não precisam continuar procurando lá fora. Afinal, só a sua carruagem-pássaro de madeira conseguiria fazer isso tão rápido.

— Claro, claro! Vou agora mesmo! — Diante da perspectiva de ser útil para Ding Qingyan, o rosto de Qu Zhongheng iluminou-se por completo. Ele saltou de volta para a carruagem-pássaro de madeira, acomodou-se no vão raso da cabine, prendeu-se, puxou a alavanca de ascensão e girou o leme redondo.

Ao verem isso, Ding Songyan e Ding Qingyan recuaram vários passos simultaneamente, postando-se a uma distância segura, com uma das mãos tapando o nariz e a outra protegendo os olhos.

— Irmãzinha Qingyan, vou o mais rápido que puder! — Qu Zhongheng acenou enquanto as grandes asas de madeira começavam a bater, levantando um forte vento ao seu redor. Gradualmente, ele ganhou altitude e voou em direção ao horizonte.

Quando a poeira baixou novamente, Ding Songyan virou-se para Ding Qingyan.

— Você também não tem coragem de andar naquilo?

Ding Qingyan pareceu um pouco sem jeito. Ela franziu o nariz.

— É, você realmente esqueceu de tudo. Nossa. É porque correu um boato pela cidade um tempo atrás de que os condutores mecânicos e as carruagens de madeira da família Qu podiam até ser engenhosos, mas eram completamente não confiáveis. A própria mãe dele morreu em uma queda por causa de um deles.

“Não me surpreende. É bom ter cautela com engenhocas mecânicas assim…” Ding Songyan achou que compreendia bem os receios de Ding Qingyan.

Se as carruagens de madeira que rodavam pelo chão já ofereciam tantos riscos, uma carruagem-pássaro de madeira no ar era uma história totalmente diferente.

Ding Qingyan acrescentou:

— Eu fui perguntar sobre isso ao Qu Zhongheng. Ele ficou furioso. Disse que era um boato espalhado pelos carregadores de liteiras e cocheiros, que estavam com medo de perder o sustento. Carregadores, barqueiros e intermediários, aquela gente toda merecia coisa pior! Ele também disse que a morte da mãe dele não teve absolutamente nada a ver com a carruagem de madeira. Ela caiu na água enquanto voava na carruagem-pássaro de madeira até a Ilha do Portão Celestial, no meio do rio, para observar o céu. Segundo Irmão, você acha que eu teria coragem de andar nisso?

Ding Songyan secou um suor frio imaginário.

— Esse Qu Zhongheng tem nervos de aço.

— Ele gastou uma fortuna em um guarda-chuva especial que retarda a queda pelo ar. Contanto que você não se afogue e não caia de uma altura muito grande, você não morre — Ding Qingyan parecia genuinamente fascinada pelo tal guarda-chuva. — Além disso, a carruagem-pássaro de madeira melhorou muito. Antigamente, precisava de vento a favor para voar como um pássaro. Agora, desde que não haja vento cruzado e você não voe para longe demais, ela dá conta.

Enquanto falava, Ding Qingyan ergueu o chapéu de véu que carregara na mão esquerda o tempo todo e o colocou na cabeça, deixando a gaze branca cair sobre o rosto.

— Vamos, Segundo Irmão. Logo vai escurecer.

Ding Songyan assentiu de leve e seguiu Ding Qingyan pela estrada de terra batida, sob a copa de uma vegetação densa, em direção às muralhas da cidade que surgiam logo à frente. De vez em quando, um cavalo passava a galope por eles, a maioria trazendo cavaleiros com lâminas na cintura ou espadas nas costas.

“Entre a carruagem-pássaro de madeira e tudo o que estou vendo agora, O Show de Truman pode ser descartado por enquanto… Este mundo também não se parece com nenhum cenário antigo comum…” Ding Songyan guardou suas conclusões para si e continuou observando, absorvendo tudo ao seu redor em silêncio, incluindo sua recém-descoberta irmã mais nova, Ding Qingyan.

A garota não era baixa, devia ter algo entre 1,62m e 1,67m. Os olhos de Ding Songyan não eram uma fita métrica, então não dava para ser mais preciso. Ela caminhava com um leve saltitar, um jeito mais infantil do que juvenil, o que sugeria que ainda era muito estimada em casa e não havia sido sobrecarregada cedo demais com o peso da vida adulta.

Eles contornaram uma curva densamente arborizada, e a vista se abriu diante dele.

Ao longe, um grande rio estendia-se de tal forma que a margem oposta era invisível. Ao longo dos canais afluentes e antigos cursos d’água que o margeavam, fileiras e mais fileiras de rodas d’água erguiam-se imponentes, cada uma com uma forma diferente, cada uma combinando madeira e ferro, e ao redor delas aglomeravam-se incontáveis construções, de onde plumas de fumaça subiam e escalavam o céu.

Vindo daquela direção, de forma tênue, Ding Songyan ouviu o toque rítmico de metal contra metal.

O conjunto denso de edifícios dava lugar a altas muralhas de pedra cinza-branca, como se estivessem reunidas em oferenda ao redor de uma torre de madeira e pedra que se erguia no coração da cidade, com talvez trinta ou quarenta metros de altura.

O sol começava a se deitar sobre a superfície do rio. Na onda sufocante do calor do verão, homens e mulheres vestindo túnicas curtas de trabalho na cor marrom, com as mangas dobradas até o cotovelo e os músculos bronzeados brilhando de suor, saíam em fila do que pareciam ser oficinas e seguiam em fluxo constante em direção aos portões da cidade.

Dois grupos faziam a guarda no portão. Um deles vestia jaquetas de combate vermelhas com detalhes em verde, amarelo, branco e preto, armados com lâminas de cintura e lanças longas. O outro grupo, composto por homens e mulheres, vestia trajes pretos ajustados; o punho esquerdo trazia bordado pontos esparsos de luz estelar, e o direito, chamas bruxuleantes de velas, carregando espadas longas como arma principal.

Eles estavam postados em ambos os lados do portão. Nenhum dos grupos importunava quem entrava na cidade. Mantinham a ordem com facilidade prática e, ocasionalmente, interrogavam aqueles cujos movimentos pareciam suspeitos.

Ding Songyan e Ding Qingyan passaram pelo portão sem incidentes e atravessaram o forte de entrada. O barulho intensificou-se de imediato. As cores se multiplicaram.

Ding Songyan absorveu a multidão com o olhar. Alguns vestiam roupões de barra reta, outros jaquetas superiores com saias longas. Algumas mulheres estavam cobertas da cabeça aos pés como Ding Qingyan. Outras exibiam a frente de suas jaquetas abertas, revelando o topo de seus dudous[2], como se fizesse parte do conjunto. Havia ainda quem usasse o estilo de cintura alta, exibindo uma grande extensão de pele no busto. Os homens não eram diferentes, alguns em roupões de mangas largas, alguns em jaquetas de estudante de colarinho verde, alguns em vestes escuras de corte reto, alguns em túnicas longas de colarinho redondo.

Ding Songyan sabia pouco sobre o hanfu tradicional, mas já viu dramas de época decentes o suficiente para reconhecer que as pessoas ali pareciam ter reunido a moda de todas as dinastias em um só lugar. Uma mistura que lembrava as antigas cidades históricas que costumava visitar, repletas de turistas vindos de toda parte usando as mais variadas vestimentas históricas para tirar fotos.

E, tirando Ding Qingyan ao seu lado, nenhuma outra mulher usava véu. Mostravam seus rostos abertamente, sem a menor hesitação.

Ding Songyan não pôde deixar de olhar para Ding Qingyan.

“Bonita demais, talvez? Medo de chamar a atenção de algum crápula e arrumar problemas?”

Não era uma precaução irracional. Em uma época como esta, sem os meios tecnológicos para manter a ordem pública, uma beleza avassaladora era mais uma maldição do que um dom para quem não tivesse conexões familiares influentes por trás.

Por outro lado, sua irmã mais nova ainda era jovem, ainda estava crescendo. Caso contrário, como as novels e dramas sempre retratavam, os pretendentes já teriam desgastado a soleira da porta de tanto visitá-la.

De repente, a torre de madeira e pedra no centro da cidade ecoou três batidas profundas de tambor.

Boom. Boom. Boom.

“O que é isso?” Ding Songyan virou-se em direção ao som.

Antes que um segundo se passasse, um rastro de fogo disparou do topo da torre.

Moveu-se como uma serpente, feroz e veloz, e em um piscar de olhos mergulhou em algum ponto da cidade abaixo, deixando apenas um rastro de faíscas brilhantes flutuando no ar. A velocidade era impressionante.

Então Ding Songyan notou um esquadrão de pessoas em trajes de fundo vermelho e padrões pretos, que patrulhavam a rua e se pareciam muito com guardas civis. Eles giraram abruptamente e cortaram a multidão com a velocidade de cavalos e a fluidez de peixes, correndo na direção de onde o fogo havia caído.

O fluxo de pessoas pausou por alguns instantes, avaliou a situação e depois continuou a fluir como antes. Ao ver Ding Songyan estático, Ding Qingyan inflou as bochechas, com uma expressão desanimada.

— Aquele é o Tio Yi e suas Nove Flechas que Abrem o Sol.

Ding Songyan não fez esforço para esconder seu espanto, encarando diretamente a irmã de chapéu com véu.

— Ai… — suspirou Ding Qingyan. — O Tio Yi é o oficial de justiça do Condado de Linjiang, aqui na Prefeitura de Dingjiang. Dizem que as artes marciais dele descendem do grande arqueiro Yi, aquele que abateu os nove sóis[3]. É por isso que todos do clã dele adotam Yi como sobrenome. Hoje é ele quem está na torre de guarda.

— A torre de guarda… — Ding Songyan repetiu as palavras.

Ding Qingyan ergueu o braço e apontou para a torre de madeira e pedra.

— Ali. Aquela é a torre de guarda. Toda cidade tem delas, mais de uma, e existem menores ao longo das muralhas também, embora nenhuma seja tão alta quanto aquela. Todos os dias, o gabinete do condado, o escritório da província e a Seita da Noite Radiante revezam especialistas com habilidades de clarividência no topo das torres de guarda. Eles vigiam contra a violência marcial dentro das muralhas e contra ameaças que se aproximem do lado de fora.

“Uma rede humana de vigilância, não, uma rede marcial… Aquela flecha de agora há pouco pareceu extraordinária, claramente além dos limites de qualquer pessoa comum… E ele é apenas um oficial de justiça do condado…” Ding Songyan escutava, silenciosamente assombrado.

NOTAS DO AUTORNo Clássico das Montanhas e Mares, os registros indicam que o povo Qigong possuía um braço e três olhos. No entanto, o professor e estudioso Yuan Ke argumentou que a forma correta deveria ser pessoas de uma perna só, ou povo Qigu, justificando que uma pessoa com apenas uma perna seria naturalmente impulsionada a inventar uma carruagem voadora por necessidade, enquanto ter os dois braços livres a tornaria ideal para o artesanato refinado. O Livro de Huainan – Tratado de Topografia também faz referência a um Reino de Qigu. Não cabe a mim julgar as duas interpretações, mas acho a última mais logicamente satisfatória e a adotei para esta novel. Portanto, as pessoas aqui são o povo Qigu, não o povo Qigong.

Alguns dos detalhes da vida cotidiana antiga e certas passagens deste livro foram extraídos das seguintes obras. Afinal, não sou uma pessoa dos tempos antigos e não posso invocar tais elementos do nada. Os textos de referência incluem, mas não se limitam a: Sonhos do Esplendor da Capital Oriental, Assuntos Antigos do Jardim de Wulin, Receitas do Jardim do Contentamento, Contos do Jianghu, 54 Vidas Cotidianas do Povo Antigo, Uma História da Arquitetura Chinesa, Tratado sobre Coisas Supérfluas, Um Sonho de Esplendor na Grande Song, Vida Diária e Costumes Sociais dos Antigos, As Vidas das Mulheres na Dinastia Ming, Quanto Valia o Dinheiro Naquela Época?, Vestuário Tradicional Chinês, Crônica da Moda da Dinastia Han, Seis Registros de uma Vida Flutuante, Grande Espetáculo de Han, Wei e Seis Dinastias, Um Sonho de Esplendor na Grande Ming, A Vida Refinada do Povo da Dinastia Ming, Os Banquetes do Imperador, Três Palavras e Dois Tapas, Costumes da Dinastia Ming, Para Onde Foi o Dinheiro da Dinastia Ming?, O Sonho da Câmara Vermelha, O Lótus de Ouro, Margem da Água, entre outros.



Notas

  1. O 奇肱國 (Qiguguo/Qiguren) é um reino mítico descrito no Clássico das Montanhas e Mares, tradicionalmente associado às regiões lendárias ao norte e nordeste da China antiga, próximas ao que hoje seria a área da China e da Manchúria. Seus habitantes eram descritos como seres de um braço e três olhos, famosos por dominar técnicas mecânicas extraordinárias. Segundo as lendas, eles construíam pássaros mecânicos de madeira, máquinas automáticas e veículos movidos pelo vento, frequentemente interpretados como carruagens voadoras. [1]
  2. Roupa íntima tradicional chinesa semelhante a um sutiã fechado, cobrindo o peito e parte do abdômen, amarrada ao pescoço e às costas. [2]
  3. Hou Yi é um herói lendário da mitologia da China, associado às antigas regiões do vale do Rio Amarelo. Conhecido como o “Arqueiro Divino”, ele teria salvado o mundo quando dez sóis surgiram ao mesmo tempo e queimaram a terra. Com seu arco celestial, Hou Yi derrubou nove dos sóis, deixando apenas um no céu para restaurar o equilíbrio do mundo. Nas tradições míticas chinesas, ele representa precisão, força e o papel do herói que controla forças cósmicas. Sua figura aparece frequentemente ligada à imortalidade, à lua e à lenda de sua esposa, Chang’e, que ascendeu ao céu e se tornou a deusa lunar. Visualmente, Hou Yi costuma ser retratado como um caçador celestial vestido com peles ou armaduras antigas, carregando um grande arco ritual capaz de atingir criaturas divinas e corpos celestes. [3]
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